segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Deep Web
Em poucos meses, o mundo começou a ouvir falar com mais frequência sobre a existência de um mercado de drogas e armas na internet chamado Silk Road. Ao mesmo tempo, se familiarizou com o nome da moeda criptografada usada nesse comércio, o Bitcoin. Investigar a origem de cada um resultaria em uma terceira descoberta: a Deep Web (ou internet profunda).
O ator e diretor britânico Alex Winter já havia feito um documentário sobre o Napster (chamado Downloaded), outro elemento virtual que incomodou as autoridades ao permitir a troca gratuita de músicas pela rede. Agora, Winter prepara o lançamento de um documentário sobre a razão dos incômodos mais recentes, intitulado Deep Web: The Untold Story of Bitcoin and The Silk Road (“A história não contada do Bitcoin e do Silk Road”, em tradução livre), ainda sem data para sair. Para Winter, a moeda virtual, sozinha, “tem potencial de criar um grau de perturbação global que fará o Napster parecer brincadeira de criança”.
“Estou interessado nas implicações de uma vasta rede como a Deep Web na cultura global. Para mim, falta contextualização e compreensão sobre as novas tecnologias”, diz Winter, que vê uma revolução no conjunto que dá título ao seu filme.
Em comum, está a falta de controle. O Bitcoin dispensa um banco central e não é regulamentado por nenhum governo. Mercados de itens ilegais, como o Silk Road, funcionavam sem que nenhuma autoridade pudesse fazer algo a respeito.
Na Deep Web, navega-se sob anonimato e, por isso mesmo, é difícil se ter algum controle sobre o que acontece nesse subterrâneo da internet, onde buscadores como o Google são completamente inúteis. Para Winter, é isso que torna esse universo tão interessante. “Como qualquer comunidade, ali acontecem coisas boas e más, depende do uso que se faz dela. O que desespera as autoridades é justamente não ter controle sobre isso.”
Crime imperfeito
A ferramenta usada para se navegar anonimamente é o Tor, criado pela Marinha americana e mantido por uma organização sem fins lucrativos (Tor Project) desde 2006. O Tor se utiliza do navegador da Mozilla, o Firefox.
Como todo software, o Tor tem falhas. Uma delas foi explorada pela polícia federal americana para prender o suposto chefe do Silk Road, Ross Ulbricht, de 29 anos, em San Francisco, há dois meses.
Para o italiano especialista em cibersegurança Pierluigi Paganini, o pleno anonimato na web é “utopia”. “Além de os governos controlarem as redes, é bem fácil rastrear as atividades de um usuário online.
“É certo que os mais experientes podem adotar uma série de medidas para limitar sua exposição, mas receio que (com a exposição trazida pelo caso da Silk Road) isso se tornará uma tarefa cada vez mais difícil”, diz Paganini.
Embora o Silk Road, que pelos cálculos do FBI já fez circular 9,5 milhões de bitcoins (na época, o equivalente a US$ 1,2 bilhões em vendas), tenha sido fechado, a única coisa certa é que o comércio ilegal realizado sob o anonimato da rede não está nem perto de acabar.
“O Silk Road é só a ponta do iceberg. Fechá-lo só gerou a migração da comunidade envolvida para outros mercados. A luta contra o cibercrime está apenas começando”, avalia o italiano, autor dos livros The Deep Dark Web e Digital Virtual Currency and Bitcoin.
Outro lado
O controle e a possibilidade de uma regulamentação opressiva cair sobre o Tor também preocupa. Além das atividades ilícitas, a ferramenta é muito utilizada por jornalistas, ativistas e cidadãos que vivem sob governos não democráticos, onde a internet é censurada e o direito à livre expressão e o acesso à informação são bastante restritos.
Para Francisco Brito Cruz, pesquisador do Núcleo de Direito, Internet e Sociedade da Faculdade de Direito da USP, essa dualidade é o que torna o Tor um dos pontos-chave na disputa pela regulação da internet de modo geral, discutida em propostas como o Marco Civil. O Núcleo abriu inclusive uma linha de pesquisa focada na “controvérsia jurídica criada por mecanismos de navegação anônima”.
“Precisamos perceber o anonimato como uma ferramenta de defesa da nossa privacidade. Nunca foi razoável um governo poder meter o bedelho em quais livros estamos lendo. Por que não seria razoável criar uma ferramenta para impedir que bisbilhoteiros fiquem olhando quais sites acessamos?”, argumenta o pesquisador que ainda acredita que, para o usuário comum, conhecer o Tor hoje “é tão importante quanto conhecer o Whatsapp, o SnapChat ou o Instagram”.
A falta de controle do Estado, nesse sentido, não é a parte ruim da história. “O que é preocupante é o que pode estar em jogo caso determinados tipos de controle sejam estabelecidos”, diz Cruz. “Se forem implementados sem debate e reflexão com a sociedade, estes controles de uso da rede podem facilmente se tornar instrumentos de violação de direitos fundamentais.”
Por Murilo Roncolato
domingo, 8 de dezembro de 2013
"Mas nós sabemos muito bem que a nossa liberdade é incompleta sem a liberdade dos palestinos"
| Manifestante palestino, nas ruas de aldeias na Cisjordânia |
"Mas nós sabemos muito bem que a nossa liberdade é incompleta sem a liberdade dos palestinos"
-Presidente Nelson Mandela
Na última sexta-feira, manifestantes palestinos, que saíram às ruas de aldeias na Cisjordânia para protestar contra a construção do muro israelense, portavam fotos de Nelson Mandela.
Marwan Barghouti, considerado o mais importante prisioneiro palestino detido por Israel, escreveu uma mensagem para Mandela, de sua cela na prisão de Hadarim, onde se encontra desde 2002.
"De dentro da minha cela na prisão eu lhe digo que nossa liberdade parece possível depois que você conquistou a sua. O apartheid não venceu na África do Sul e não vencerá na Palestina", afirmou Barghouti, líder do partido Fatah e visto como um possível sucessor do presidente Abbas.
Em sua mensagem, Barghouti lembrou a declaração de Mandela de que a liberdade dos sul-africanos "não será completa sem a liberdade dos palestinos".
CONSTRANGIMENTO
A longa história de colaboração de Israel com a África do Sul durante o apartheid torna a repercussão da morte de Mandela no país bem mais complexa.
O primeiro ministro Binyamin Netanyahu declarou que Mandela era "uma das figuras exemplares de nossos tempos, o pai de seu povo, um visionário que lutou pela liberdade e se opôs à violência".
Segundo o presidente Shimon Peres, "o mundo perdeu um líder de enorme grandeza, que mudou o rumo da História".
No entanto, vários analistas mencionam que durante o período em que Mandela lutava contra o apartheid, Israel vendia armas para o governo sul-africano e manteve essa aliança militar por vários anos, apesar do boicote generalizado da comunidade internacional.
"Os dois lideres (Netanyahu e Peres) obviamente não mencionaram o fato histórico de que Israel manteve uma aliança vergonhosa com o regime racista quando este era considerado pária pela comunidade internacional", afirma o jornalista Arik Bender, no diário Maariv.
O governo israelense aderiu às sanções internacionais contra a África do Sul em 1987, 10 anos após o embargo decretado pela comunidade internacional ao regime do apartheid.
Segundo o analista Hemi Shalev, em artigo no jornal Haaretz, "nós (israelenses) admiramos a luta corajosa de Mandela contra o apartheid e seu papel crucial na transição pacifica e democrática para o poder da maioria negra, mas sentimos um certo constrangimento por nosso apoio histórico a seus inimigos e também por sermos vistos como seus sucessores".
"Mas nós sabemos muito bem que a nossa liberdade é incompleta sem a liberdade dos palestinos"
A citação do discurso do presidente Mandela no Dia International da
Solidariedade com o Povo Palestino, 04 de Dezembro de 1997, Pretoria.
http://studies.aljazeera.net/en/reports/2012/05/201251511343828397.htm
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Carta de Nelson Mandela sobre o apartheid ,
Carta de Nelson Mandela sobre o apartheid , ao jornalista norte-americano
Thomas Friedman.
Caro Thomas,
Sei que você e eu estamos impacientes por ver a paz no Médio Oriente, mas antes de você continuar a falar das condições indispensáveis do ponto de vista israelita, quero que saiba o que penso. Por onde começar? Digamos, por 1964.
Permita-me que cite as minhas próprias palavras aquando do meu julgamento. Elas são tão acertadas agora como eram naquele tempo: "Combati a dominação branca e combati a dominação negra. Acarinhei o ideal de uma sociedade democrática e livre em que todos pudessem viver em conjunto, em harmonia e com iguais oportunidades.
É um ideal que espero viver e que espero atingir. Mas, se for preciso, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer".
Hoje, o mundo, negro e branco, reconhece que o apartheid não tem futuro. Na África do Sul, ele acabou graças à nossa própria acção de massas decisiva, para construir a paz e a segurança.
Esta campanha massiva de desobediência e doutras acções só podia conduzir ao estabelecimento da democracia.
Talvez a si lhe pareça estranho identificar a situação na Palestina ou, mais especificamente, a estrutura das relações políticas e culturais entre palestinianos e israelitas, como um sistema de apartheid.
O seu recente artigo "Bush’s First Memo", no New York Times de 27 de Março de 2001, demonstra-o.
Você parece surpreendido por ouvir dizer que ainda há problemas por resolver de 1948, o mais importante dos quais é o do direito de regresso dos refugiados palestinianos.
O conflito israelo-palestiniano não é só um problema de ocupação militar e Israel não é um país que tenha sido criado "normalmente" e se tenha lembrado de ocupar outro país em 1967.
Os palestinianos não lutam por um "Estado" e sim pela liberdade e a igualdade, exactamente como nós lutámos pela liberdade na África do Sul.
No decurso dos últimos anos, e em especial desde que o Partido Trabalhista foi para o governo, Israel mostrou que não tinha sequer a intenção de devolver o que ocupou em 1967, que os colonatos vão permanecer, que Jersualém ficaria sob soberania exclusivamente israelita e que os palestinianos não teriam nenhum Estado independente, antes seriam colocados sob a dependência económica de Israel, com controlo israelita sobre as fronteiras, sobre a terra, sobre o ar, a água e o mar.
Israel não pensava num "Estado" e sim numa "separação". O valor da separação mede-se em termos da capacidade de Israel para manter judeu um Estado judeu e de não ter uma minoria palestiniana que pudesse no futuro transformar-se em maioria. Se isso acontecesse, obrigaria Israel a tornar-se ou um Estado laico e bi-nacional ou a tornar-se um Estado de apartheid, não só de facto, mas também de direito.
Thomas, se você prestar atenção às sondagens israelitas ao longo dos últimos 30 a 40 anos, vai ver claramente um racismo grosseiro, com um terço da população a declarar-se abertamente racista. Este racismo é do tipo "Odeio os árabes" e "quero que os árabes morram".
Se você também prestar atenção ao sistema judicial israelita, vai ver que há discriminação contra os palestinianos, e se considerar especialmente os territórios ocupados em 1967 vai ver que há dois sistemas judiciais em acção, que representam duas abordagens diferentes da vida humana: uma para a vida palestiniana, ou para a vida judia.
Além disso, há duas atitudes diferentes sobre a propriedade e sobre a terra. A propriedade palestiniana não é reconhecida como propriedade privada, porque pode ser confiscada.
Para a ocupação israelita da Cisjordânia e de Gaza, há um factor suplementar a tomar em conta. As chamadas "Zonas autónomas palestinianas" são bantustões. São entidades restritas no seio da estrutura de poder do sistema israelita de apartheid.
O Estado palestiniano não pode ser um sub-produto do Estado judeu, só para conservar a pureza judaica de Israel . A discriminação racial de Israel é a vida quotidiana dos palestinianos, porque Israel é um Estado judeu, os judeus israelitas têm direitos especiais de que os não-judeus não beneficiam. Os árabes palestinianos não têm lugar no Estado "judeu".
O apartheid é um crime contra a humanidade. Israel privou milhões de palestinianos da sua liberdade e da sua propriedade. Ele perpetura um sistema de discriminação racial e de desigualdade.
Encarcerou e torturou sistematicamente milhares de palestininaos, em violação do direito internacional. Desencadeou uma guerra contra a população civil e em especial contra as crianças.
As respostas da África do Sul em matéria de violação dos direitos humanos provenientes das políticas de deportação e das políticas de apartheid fizeram luz sobre o que a sociedade israelita deve necessariamente levar a cabo para que se possa falar duma paz justa e duradoura no Médio Oriente e do fim da política de apartheid.
Thomas, eu não abandono a diplomacia do Médio Oriente, mas não serei condescendente consigo como o são os seus apoiantes. Se você quer a paz e a democracia, apoiá-lo-ei. Se quer formalizar o apartheid, não o apoiarei. Se quer apoiar a discriminação racial e a limpeza étnica, conte com a nossa oposição. Quando tiver decidido, dê-me um telefonema.
Nelson Mandela
Fonte: http://www.europalestine.com/spip.php?article2982
http://palestinavence.blogs.sapo.pt/11061.html
Mandela's First Memo to Thomas Friedman
by Arjan El Fassed
Memo to: Thomas L. Friedman (columnist New York Times)
From: Nelson Mandela (former President South Africa)
Dear Thomas,
I know that you and I long for peace in the Middle East, but before you continue to talk about necessary conditions from an Israeli perspective, you need to know what's on my mind. Where to begin? How about 1964. Let me quote my own words during my trial. They are true today as they were then:
"I have fought against white domination and I have fought against black domination. I have cherished the ideal of a democratic and free society in which all persons live together in harmony and with equal opportunities. It is an ideal which I hope to live for and to achieve. But if needs be, it is an ideal for which I am prepared to die."
Today the world, black and white, recognize that apartheid has no future. In South Africa it has been ended by our own decisive mass action in order to build peace and security. That mass campaign of defiance and other actions could only culminate in the establishment of democracy.
Perhaps it is strange for you to observe the situation in Palestine or more specifically, the structure of political and cultural relationships between Palestinians and Israelis, as an apartheid system. This is because you incorrectly think that the problem of Palestine began in 1967. This was demonstrated in your recent column "Bush's First Memo" in the New York Times on March 27, 2001.
You seem to be surprised to hear that there are still problems of 1948 to be solved, the most important component of which is the right to return of Palestinian refugees.
The Palestinian-Israeli conflict is not just an issue of military occupation and Israel is not a country that was established "normally" and happened to occupy another country in 1967. Palestinians are not struggling for a "state" but for freedom, liberation and equality, just like we were struggling for freedom in South Africa.
In the last few years, and especially during the reign of the Labor Party, Israel showed that it was not even willing to return what it occupied in 1967; that settlements remain, Jerusalem would be under exclusive Israeli sovereignty, and Palestinians would not have an independent state, but would be under Israeli economic domination with Israeli control of borders, land, air, water and sea.
Israel was not thinking of a "state" but of "separation". The value of separation is measured in terms of the ability of Israel to keep the Jewish state Jewish, and not to have a Palestinian minority that could have the opportunity to become a majority at some time in the future. If this takes place, it would force Israel to either become a secular democratic or bi-national state, or to turn into a state of apartheid not only de facto, but also de jure.
Thomas, if you follow the polls in Israel for the last 30 or 40 years, you clearly find a vulgar racism that includes a third of the population who openly declare themselves to be racist. This racism is of the nature of "I hate Arabs" and "I wish Arabs would be dead". If you also follow the judicial system in Israel you will see there is discrimination against Palestinians, and if you further consider the 1967 occupied territories you will find there are already two judicial systems in operation that represent two different approaches to human life: one for Palestinian life and the other for Jewish life. Additionally there are two different approaches to property and to land. Palestinian property is not recognized as private property because it can be confiscated.
As to the Israeli occupation of the West Bank and Gaza, there is an additional factor. The so-called "Palestinian autonomous areas" are bantustans. These are restricted entities within the power structure of the Israeli apartheid system.
The Palestinian state cannot be the by-product of the Jewish state, just in order to keep the Jewish purity of Israel. Israel's racial discrimination is daily life of most Palestinians. Since Israel is a Jewish state, Israeli Jews are able to accrue special rights which non-Jews cannot do. Palestinian Arabs have no place in a "Jewish" state.
Apartheid is a crime against humanity. Israel has deprived millions of Palestinians of their liberty and property. It has perpetuated a system of gross racial discrimination and inequality. It has systematically incarcerated and tortured thousands of Palestinians, contrary to the rules of international law. It has, in particular, waged a war against a civilian population, in particular children.
The responses made by South Africa to human rights abuses emanating from the removal policies and apartheid policies respectively, shed light on what Israeli society must necessarily go through before one can speak of a just and lasting peace in the Middle East and an end to its apartheid policies.
Thomas, I'm not abandoning Mideast diplomacy. But I'm not going to indulge you the way your supporters do. If you want peace and democracy, I will support you. If you want formal apartheid, we will not support you. If you want to support racial discrimination and ethnic cleansing, we will oppose you. When you figure out what you're about, give me a call.
The author is a Dutch-Palestinian political scientist, human rights activist and is affiliated to the the Palestine Right to Return Coalition (Al-Awda) and ElectronicIntifada.net
Source:
by courtesy & © 2001 Arjan El Fassed
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
"Talmúdia"
Francisco Almeida · UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí
A "nossa" mídia maliciosa a todo tempo distorce as declarações do Irã , cujas palavras detonam APENAS o regime sionista , mas não o Estado de Israel, e muito menos o povo judeu (gente boa, os admiro).
A imprensa prostituta e hipócrita insiste em pintar os dois (Israel e seu regime sionista) como sendo uma só coisa, MAS NÃO SÃO. Insiste em denominar Israel de "Estado Judeu" (palavras de Bibi) , mas hoje Israel é um Estado Sionista cheio de judeus - mais autêntico seria denominá-lo de "Talmúdia" (vide explicação abaixo).
Irã deseja ver o "ilegítimo" regime se auto-esfacelar pela falta de legitimidade dentre os próprios Judeus, cansados deste apartheid supremacista.
EXPLICAÇÃO:
1) - Sionismo e Judaísmo são irreconciliáveis, porque , se por um lado o Judaísmo em essência é uma Religião de princípios e valores morais e espirituais - e não um conceito étnico - por outro lado, o Sionismo é um PROJETO POLÌTICO (de apartheid, supremacia, conquista), que confronta o Judaísmo visceralmente.
2) - Não pode haver Judaísmo sem D'us , seria falsificação ! Assim, só são genuinamente Judeus os ortodoxos, que pregam a fidelidade ao Livro Sagrado TORAH, que determina que o Estado de Israel só poderia ser fundado mediante o líder unificador Messias.
3) - Judaísmo autêntico NÃO prega apartheid, nem conquista, nem supremacia; estes desvios são obra do TALMUD, epécie de "jurisprudência rabínica" desprovida de origem divina, e que posteriormente MODIFICOU muitos dos preceitos milenares do Judaísmo original, abrindo espaço para o surgimento desta "seita" dissidente denominada de Sionismo.
4) - A premissa de legitimidade ÉTNICA para possuir o direito de reocupar a Terra de Abraão, não tem sustentação nos fatos , porque 95% do Judeus do presente NÃO sãao descendentes de Abraão. Eles descendem do um antigo império (Khazária, século VIII) russo-turco que se converteu inteiramente ao Judaísmo. (Nota: localizado entre Rússia e Turquia, ali onde hoje está o país denominado de Geórgia). Assim, se fosse para "voltar à Terra de Origem" , que voltassem para a Geórgia.
5) - Ironicamente, como eles etnicamente são Khazares, então eles NÃO são descendentes de Abraão, então NÃO são semitas ! Por fim, como os palestinos SÃO SIM descendentes de Abraão, então eles é que alí são os semitas, e não os judeus. No caso específico e restrito, então, ser "anti-semita" NÃO significar ser anti-judeu, mas ser anti-palestino!
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Genoino , hospedado com luxo e requinte
| Genoino sofre de problemas cardíacos |
DIREITOS HUMANOS
"Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Wadih Damous, a prisão de Genoino tem "ilegalidade" e "arbitrariedade" porque seu estado de saúde requer atenção. "A sua prisão [de Genoino] em regime fechado por si só configura uma ilegalidade e uma arbitrariedade. Seus advogados já chamaram a atenção para esses dois fatos mas, infelizmente, o pedido não foi apreciado na mesma rapidez que prisão foi decretada".
"É sempre bom lembrar que a prisão de condenados judiciais deve ser feita com respeito à dignidade da pessoa humana e não servir de objeto de espetacularização midiática e nem para linchamentos morais descabidos", completou.
Genoino sofre de problemas cardíacos e passou por uma cirurgia há cerca de três meses. Em sua primeira noite na Papuda ele chegou a ser atendido por um médico particular devido a uma crise de pressão alta. "
Pois é caros Patricios e Irmãos da Causa Operaria e da defesa dos interesses de nóssa Patria , viram DIREITOS HUMANOS para aqueles que roubaram o povo , cela individual para os INIMIGOS DO POVO com cama , cobertor , 4 refeições chuveiro individual , éééééééé ., medico particular , hospedados com luxo e requinte e ainda reclamam , sim acostumados aos prazeres burgueses proporcionados pelo poder , certamente exigem o Hotel Copacabana Palace , afinal dizem que tem um historico revolucionário , sim até ministro do Supremo , fez constar isto no processo do Genuino , se dizem vitimas .
Vagabundo safados inimigos da classe operária e inimigos do povo exigem , exigem , e exigem ainda.
Aqui em São Paulo na PF-Carceragem o Genuino chegou escalando a malandragem , com o Know-How da estadia do Maluf , acharam que seria suficiente para o meliante , mas Maluf muito mais esperto , ficou junto com mafiosos libanêses e outros e abriu a carteira , iguarias àrabes a vontade aos irmãos e teve vida de luxo , já o feinho ai chegou escalando , ai foi anunciado que ele teve "PROBLEMAS" na carceragem e foi rapidamente transferido a Brasilia .
Porque não noticiaram a verdade ? .
Ele quer uma aposentadoria por invalidez , alega ser cardiopata , e quantos milhares de trabalhadores brasileiros tem problemas cardiacos piores que o dele e são taxados de vagabundos pelos peritos do INSS e mandados a trabalhar e morrem por isto ? , posso contar casos e casos aqui viu.
E voce Lula ? que papelão , quer dizer que "TAMUS JUNTO COMPANHEIRO " , se propoêm a puxar a cana junto porque ? ,
TEM que ser todo mundo preso em regime fechado, o interessante é que todo mundo se cala e estes meliantes fazem o que bem entendem ,
SAFADOS.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
zionist soldiers detaining a Palestinian children in the occupied West Bank
| zionist soldiers detaining a Palestinian children in the occupied West Bank |
Four Palestinian children, aged five to nine, have been handcuffed and detained by zionist forces for more than an hour.
The zionist soldiers arrested the children on Friday during a protest rally in Kafr Qaddum, a village in the north of the occupied West Bank, AFP reported.
"Four children who were present in the area had stun grenades thrown at them by zionist soldiers, which frightened them," said Palestinian activist Murad Ashtiye from the village's Popular Struggle Coordination Committee.
"Then the soldiers arrested them and tied their hands behind their backs using plastic strips," he added.
The activist identified the children as Tariq Hikmet, 9, Hossam Khaldun, 7, Malak Hikmet, 6, and Ahmad Abdessalam, 5.
An zionist military spokeswoman said that the Israeli troops arrested some minors in the village without commenting on their age or being handcuffed.
"When the zionist soldiers realized that these were youngsters who were under age, they just asked them a few questions and let them go," she said.
The protest in the village had been held against illegal construction of settlements by the zionist regime.
The presence and continued expansion of zionist settlements in occupied Palestine has created a major obstacle for the efforts to establish peace in the Middle East.
More than half a million zionist live in over 120 illegal settlements built since zionist occupation of the Palestinian territories of the West Bank and East al-Quds in 1967.
The UN and most countries regard the zionist settlements as illegal because the territories were captured by zionist in a war in 1967 and are hence subject to the Geneva Conventions, which forbids construction on occupied lands.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Edward J. Snowden , NSA, revelações .
Quando Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU, visitou a Casa Branca em abril para discutir as armas químicas da Síria, as negociações de paz entre Israel e Palestina e a mudança climática, ele teve um encontro cordial e rotineiro com o presidente Barack Obama.
Entretanto, a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) começou a trabalhar antecipadamente e interceptou os pontos que Ban discutiria na reunião, feito que a agência mais tarde relatou como um "destaque operacional" em um boletim interno semanal cheio de bravatas.
É difícil imaginar que vantagem isso poderia ter dado a Obama em uma conversa amigável. Mas foi uma ação emblemática de uma agência que, durante décadas, operou sob o princípio de que qualquer bisbilhotagem que possa ser praticada contra um alvo estrangeiro de qualquer interesse concebível deve ser feita.
De milhares de documentos secretos, a NSA emerge como um animal eletrônico onívoro de capacidades inacreditáveis, espionando e se intrometendo mundo afora para saquear os segredos de governos e outros alvos. Ela espiona rotineiramente amigos e inimigos. A missão oficial do órgão inclui usar seus poderes de vigilância para obter "vantagem diplomática" sobre aliados como França e Alemanha e "vantagem econômica" sobre Japão e Brasil, entre outros países.
Com as revelações sobre a NSA, houve um desfile de protestos na União Europeia, no Brasil, no México, na França, na Alemanha e na Espanha. James R. Clapper Jr., diretor da inteligência nacional, refutou repetidamente essas objeções como hipocrisia e insolência de países que também praticam espionagem. Mas, em uma entrevista recente, ele reconheceu que a escala da intromissão da NSA, com seus 35 mil funcionários e verbas anuais de US$ 10,8 bilhões, a diferenciam. "Não há dúvida de que, de um ponto de vista de capacidade, nós provavelmente somos muito maiores que qualquer um no planeta, talvez com exceção de Rússia e China", disse ele.
Desde que Edward J. Snowden começou a divulgar os documentos da agência em junho, a enxurrada contínua de revelações abriu o debate sobre a missão da agência desde sua criação, em 1952. A Casa Branca ordenou uma revisão de sua coleta de informações domésticas e estrangeiras.
Uma revisão dos documentos secretos do órgão obtidos por Snowden e compartilhados com o "New York Times" pelo jornal britânico "Guardian", oferece uma rica amostra das operações globais da agência e sua cultura.
Nascida na época em que um telefonema de longa distância ainda era um pouco exótico, a NSA viu o número de seus alvos potenciais explodir com o advento dos computadores pessoais, da internet e dos telefones celulares. Hoje a NSA extrai o conteúdo de cabos de fibra óptica, instala-se em centros telefônicos e hubs de internet, invade digitalmente notebooks e planta bugs em smartphones do mundo inteiro.
A base de dados Dishfire da agência -nada acontece sem um codinome na NSA- armazena há anos mensagens de texto do mundo todo, por via das dúvidas. Sua coleção Tracfin acumula gigabytes de compras com cartão de crédito. O rapaz que finge enviar uma mensagem de texto em um cibercafé na Jordânia pode estar usando uma técnica da NSA chamada Polarbreeze (Brisa Polar) para xeretar os computadores próximos. O empresário russo com grande atividade social na internet pode se tornar alimento para o Snacks (Serviços de Conhecimento em Colaboração de Análise de Rede Social, em inglês) da agência louca por siglas, que descobre as hierarquias pessoais e de organizações a partir de textos.
A estação da agência de espionagem no Texas interceptou 478 e-mails enquanto ajudava a frustrar um complô jihadista para matar um artista sueco que havia desenhado imagens do profeta Maomé. Analistas da NSA entregaram para as autoridades do Aeroporto Internacional Kennedy nomes e números de voo de membros de um bando chinês de tráfico humano.
Na operação chamada Orlandocard, técnicos da NSA instalaram um computador chamado "pote de mel" na web, que atraiu visitas de 77.413 computadores estrangeiros e plantou programas de espionagem em mais de mil que a agência considerou de futuro interesse potencial.
MISSÃO GRANDIOSA
"Nossa missão", diz o atual plano de cinco anos da agência, que só poderá ser desclassificado como secreto após 2032, "é responder a perguntas sobre atividades ameaçadoras que outros pretendem manter ocultas".
As aspirações são grandiosas: "dominar totalmente" a inteligência estrangeira transmitida em redes de comunicações.
A linguagem é corporativa: "Nossos processos empresariais devem promover a tomada de decisões com base em dados". Mas o tom também é surpreendentemente moralista para um órgão governamental.
Talvez para desmentir qualquer ideia de que bisbilhotar é um empreendimento obscuro, a inteligência de sinais, ou Sigint, o termo artístico para interceptações eletrônicas, é apresentada como a mais nobre das vocações. "Os profissionais da Sigint devem ter moral elevado, mesmo quando terroristas ou ditadores tentam explorar nossas liberdades", afirma o plano. "Alguns de nossos adversários dirão ou farão qualquer coisa para promover sua causa; nós não."
Os documentos da NSA obtidos por Snowden e compartilhados com o "Times", que são milhares e na maioria datados de 2007 a 2012, fazem parte de uma coletânea de cerca de 50 mil itens dedicados principalmente a sua contrapartida britânica, o Quartel-General de Comunicações do Governo, ou GCHQ na sigla em inglês.
Embora não sejam abrangentes, os documentos dão uma noção do alcance e das capacidades da agência: que vão de navios da marinha que captam transmissões de rádio ao navegar ao largo da China, a antenas de satélite em Fort Meade, Maryland, que ingerem as transações bancárias mundiais, até os telhados de 80 embaixadas e consulados americanos ao redor do mundo, dos quais o Serviço de Coleta Especial da agência aponta suas antenas.
Mas os documentos divulgados por Snowden às vezes também parecem salientar os limites do que se pode realizar, mesmo com a mais intensa captação de inteligência.
A poderosa espionagem da NSA no Afeganistão, descrita nos documentos como abrangendo igualmente órgãos do governo e esconderijos de militantes taleban de segunda ordem, deixou de produzir uma vitória clara contra um inimigo de baixa tecnologia. A agência registrou que a Síria acumulava seu arsenal de armas químicas, mas esse conhecimento não serviu para evitar a terrível chacina perto de Damasco em agosto.
Os documentos tendem a celebrar os sucessos autodescritos do órgão, mas não omitem totalmente os erros e fracassos da agência: enxurradas de informações obtidas a um custo enorme que ficam sem análise, interceptações que não podem ser lidas por falta de capacidades linguísticas e computadores que -até na NSA- enlouquecem de todas as maneiras habituais.
MAPEANDO RASTROS
Em maio de 2009, analistas da agência souberam que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, faria uma rara viagem à província do Curdistão, uma região montanhosa no noroeste do país. A agência imediatamente organizou uma missão de espionagem de alta tecnologia, parte de um projeto em andamento concentrado no aiatolá Khamenei chamado de Operação Dreadnought (navio de batalha).
Trabalhando intimamente com a Agência Nacional de Inteligência Geoespacial, que lida com fotografias de satélites, assim como com o GCHQ britânico, a equipe da NSA estudou, a partir de satélites, o círculo do líder iraniano, seus veículos e seus armamentos e interceptou mensagens de tráfego aéreo quando aviões e helicópteros decolavam e pousavam.
Ela o escutou quando ele se dirigiu a uma multidão em um campo de futebol, estudou as estações de radar da defesa aérea iraniana e registrou a rica pista de comunicações de viajantes, incluindo coordenadas de satélites iranianos obtidas por um programa da NSA chamado Ghosthunter (caçador de fantasmas). A ideia não era tanto captar as palavras do líder iraniano, mas reunir dados para a espionagem geral do Irã no caso de uma crise.
Essas coleta de "impressões digitais de comunicações" é a chave do que a NSA faz. Ela permite que computadores da agência rastreiem o fluxo de comunicações internacionais e destaquem mensagens ligadas ao "líder supremo" do Irã. Em uma crise, a capacidade de invadir as comunicações de alvos poderia ser vantajosa.
Esse enorme investimento em coleta de dados é conduzido pela pressão dos "clientes" da agência dentro do governo. Segundo relatos, a NSA fornece mais da metade das informações entregues à Casa Branca no briefing diário do presidente. Em toda crise internacional, políticos americanos recorrem à NSA para ter informações privilegiadas.
PRESSÃO PARA INFORMAR
Isso cria uma intensa pressão para que nada escape. Na onda de investimentos que se seguiu aos atentados de 11 de Setembro, o órgão se expandiu para muito além de sua sede em Maryland.
Construiu ou ampliou importantes instalações na Geórgia, no Texas, no Colorado, no Havaí, no Alasca, no Estado de Washington e em Utah. Seus oficiais também operam em grandes estações no exterior, na Inglaterra, na Austrália, na Coreia do Sul e no Japão, em bases militares no estrangeiro e em salas fechadas que abrigam o Serviço de Coleta Especial nas missões diplomáticas dos EUA.
Usando uma combinação de convencimento, sigilo e força legal, a agência transformou as empresas americanas de internet e telecomunicações em parceiras na captação de dados: instalou filtros em suas redes, apresentou ordens de tribunais, construiu "portas dos fundos" em seus softwares e adquiriu chaves para burlar suas criptografias.
Mesmo essa vasta rede dirigida por americanos é apenas parte da história. Durante décadas, a NSA compartilhou as funções de espionagem com o resto dos chamados Cinco Olhos, as agências Sigint no Reino Unido, no Canadá, na Austrália e na Nova Zelândia. Uma cooperação mais limitada ocorre com vários outros países, incluindo acordos formais chamados de Nove Olhos, 14 Olhos e Nacsi, uma aliança de agências dos 26 países da Otan.
A extensão do compartilhamento do Sigint pode ser surpreendente: "A NSA pode ter um relacionamento com o Vietnã", relatou um documento do GCHQ de 2009. Mas um recente documento de treinamento desse órgão sugere que nem tudo é compartilhado, mesmo entre os EUA e o Reino Unido. "Os relatórios sobre bem-estar econômico", diz ele, referindo-se a informações captadas para ajudar a economia britânica, "não podem ser compartilhados com parceiros estrangeiros."
A invasão de computadores tornou-se a área de crescimento da agência. Parte dos documentos descreve as façanhas das Operações de Acesso Personalizado, a divisão da NSA que invade computadores em todo o mundo para roubar seus dados e às vezes deixar software espião. A TAO é cada vez mais importante em parte porque permite que a agência evite a criptografia ao capturar mensagens enquanto são escritas ou lidas, quando não estão codificadas.
Mas Joel F. Brenner, ex-inspetor-geral da agência, diz que grande parte das críticas às operações da NSA é injusta e reflete ingenuidade sobre a verdadeira política de espionagem. "A agência está sendo intimidada por fazer bem demais o que deve fazer", disse ele.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Arafat envenenado com Polonio
Peritos suíços confirmaram nesta quinta-feira, 7, que a investigação que fizeram sobre a morte do líder palestino Yasser Arafat “apoia moderadamente” a tese de que ele teria seria envenenado com Polonio em 2004.
Foi constatada a presença do elemento radioativo em seu corpo 20 vezes superior à taxas consideradas como “normais”. Mas os peritos alertaram para “sérias limitações” na pesquisa.
Uma comissão de investigadores palestinos que analisa a morte de Yasser Arafat acusou nesta sexta-feira, 7, Israel de ter sido o responsável pela morte do líder da Organização para Libertação da Palestino. A acusação foi feita um dia depois de um relatório produzido por peritos suíços ter indicado haver níveis anormais de polônio nos restos mortais de Arafat. é o único suspeito da morte do líder palestino Yasser Arafat em 2004, afirmou nesta sexta-feira , investigador chefe do caso..
O investigador do caso, Tawfik Tirawi, foi evasivo ao ser questionado se Arafat foi envenenado com polônio."Não é importante que eu diga aqui que ele foi morto por polônio", disse ele. "Mas eu digo, com todos os detalhes disponíveis sobre a morte de Yasser Arafat, que ele foi morto e que Israel o matou".
Israel nega qualquer participação na morte do líder palestino, afirmando que o tinha isolado politicamente na época e não tinha qualquer razão para assassiná-lo. "Deixe-me disser isso da forma mas simples possível: Israel não matou Arafat", afirmou nesta sexta-feira o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores israelense, Yigal Palmor, em resposta às acusações.
"Os palestinos devem parar com este absurdo e deixar de levantar essas acusações sem fundamento nem qualquer prova", acrescentou Palmor.
Arafat morreu em 11 de novembro de 2004, num hospital militar francês, aos 75 anos, um mês depois de adoecer em seu complexo localizado na Cisjordânia. Na época, médicos franceses disseram que ele morreu após um acidente vascular cerebral e que ele tinha problemas de coagulação sanguínea, mas os registros sobre o que provocou esses problemas não foram conclusivos.
O túmulo de Arafat foi aberto no início deste ano, o que permitiu que cientistas suíços, russos e franceses retirassem amostras de ossos e de terra para investigações
Os esquadrões de assassinato do Mossad
Muitas agências de inteligência são suspeitas de cometer assassinatos, mas nenhuma é tão conhecida por isso quanto o Mossad de Israel. Embora a agência tenha se tornada lendária pelos seus impressionantes sucessos, ela também teve os seus fracassos. Se o Mossad foi o responsável pelo recente assassinato em Dubai, isto poderá ser uma outra mancha na reputação da agência.
Em 1955, sete anos após a fundação do Estado de Israel, o filósofo Yeshayalu Leibowitz escreveu uma carta ao então primeiro-ministro David Ben-Gurion. Nela, ele reclamou de que palestinos inocentes estavam sendo mortos nas operações israelenses. “Eu discordo de você”, respondeu Ben-Gurion. “Embora seja importante que haja um mundo cheio de paz, fraternidade, justiça e honestidade, é ainda mais importante que nós estejamos nele”.
Esta ideia de um Estado bem fortificado que elimina os seus inimigos pela força sempre que possível ainda é apoiada pela grande maioria dos israelenses. Tais ações incluem assassinatos executados pelas forças armadas de Israel e pelo Mossad, o serviço de inteligência externa do país. De fato, organizações de direitos humanos estimam que as forças armadas israelenses mataram mais de cem pessoa nos territórios palestinos nos chamados “assassinatos seletivos”.
O incidente mais recente no qual o Mossad está metido revela que a maioria dos israelenses continua acreditando que tais assassinatos são justificados. Em janeiro, o Mossad teria matado um comprador de armas do Hamas em Dubai. No início desta semana, autoridades de Dubai divulgaram publicamente uma série de fotografias de vigilância mostrando os membros do suposto esquadrão de assassinos. Fontes de inteligência alemãs afirmam que só uma agência de inteligência é capaz de executar uma operação tão profissional. No Reino Unido, as autoridades do governo foram mais explícitas: elas dizem estar convencidas de que o Mossad é o responsável pelo assassinato de Mahmoud al-Mabhouh.
Mas, em Israel, o debate gira basicamente em torno de duas questões. Primeiro, a operação apresentou o típico grau de “profissionalismo” do Mossad? E, segundo, a operação deveria ser considerada um fracasso porque as fotos de 11 suspeitos de serem agentes tornaram-se públicas e o mundo acredita agora que o Mossad não tem escrúpulo em falsificar passaportes de países amigos, como Alemanha ou Reino Unido, ou em “tomar emprestadas” as identidades dos seus cidadãos?
Uma história de operações de sucessos
O medo que o Mossad inspira entre as agências de inteligência deve-se principalmente à sua história de operações ambiciosas. Ele libertou reféns em situações em que não havia esperança, encontrou uma maneira de trazer um caça russo Mig-21 para Israel a pedido dos seus líderes políticos e, durante a guerra fria, o serviço era conhecido por fornecer à CIA documentos sigilosos roubados dos soviéticos.
Mas os esquadrões da morte do serviço de inteligência possuem a sua própria mística. Se o Mossad realmente estiver por trás do recente assassinato em Dubai, este terá sido apenas um de uma série de ataques sangrentos – embora as operações do Mossad também tenham tido a sua parcela de fracassos.
Nem sempre ficou claro se o Mossad foi o responsável por todo ataque letal – ou se o executor foi uma outra unidade israelense. A operação legendária para caçar e matar os terroristas do “Setembro Negro” que atacaram atletas israelenses nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972, por exemplo, foi executada por uma unidade criada especificamente com aquele objetivo. Eles acabaram eliminando a maioria dos militantes – embora tenham também assassinado um garçom marroquino inocente na Noruega, após confundi-lo com um dos terroristas. E, pelo menos uma vez, em Beirute, em 1973, os agentes disfarçaram-se de turistas – assim como os “Onze de Dubai”.
Acredita-se que, durante meados da década de setenta, a então primeira-ministra Golda Meir tenha criado o chamado “Comitê X” que era – e que talvez ainda seja – responsável por organizar e manter uma lista de pessoas a serem assassinadas. No Mossad, uma unidade conhecida como “Cesária” teria recebido a missão de executar assassinatos seletivos.
É muito raro que Israel dê indicações do seu envolvimento em uma operação de assassinato. Como regra, o Mossad jamais reconhece a sua participação. Devido a este secretismo, é provável que o número de mortes atribuídas a esse serviço de inteligência seja maior do que o de assassinatos que ele realmente perpetrou. Mesmo assim, a lista de incidentes que pode ser atribuída com certeza ao Mossad é longa – e teve início há mais de 40 anos.
Na década de sessenta, por exemplo, o Mossad teria enviado cartas-bombas a cientistas alemães que estavam ajudando o Egito a construir um avançado programa de mísseis. Vários deles morreram.
Setenta balas
Um dos assassinatos mais espetaculares atribuídos ao Mossad ocorreu em 1987, em Túnis, onde o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Khalil Al Wazir – também conhecido como Abu Jihad – estava morando. A operação teria envolvido cerca de 30 agentes, que chegaram à costa tunisiana em embarcações pequenas. Alguns deles fingiram ser turistas enquanto seguiam para a casa do auxiliar mais importante de Iasser Arafat. Outros se posicionaram, usando uniformes do exército tunisiano. Durante a operação um avião israelense Boeing 707 sobrevoava a região com o objetivo de interferir com todas as comunicações no local. O esquadrão de assassinato entrou a força na casa e matou alguns criados antes de disparar as suas armas – e 70 balas – contra Al Wazir, na presença da mulher e dos filhos do militante.
Em outubro de 1995, Fathi Shikaki, um membro do grupo terrorista palestino Jihad Islâmica, foi assassinado em Malta. O assassino aproximou-se em uma motocicleta e atirou três vezes na cabeça da vítima. Mais tarde descobriu-se que a operação fora meticulosamente planejada com antecedência. De fato, a motocicleta foi roubada dois meses antes. Especialistas acreditam que doze agentes estiveram envolvidos. Após a operação, todos eles desapareceram sem deixar nenhuma pista.
Em 1996, Yehiyeh Ayyash, o notório fabricante de bombas do Hamas, conhecido como “O Engenheiro”, foi assassinado na Faixa de Gaza quando o seu telefone celular recheado com uma bomba explodiu. Este novo método de ataque chocou os militantes palestinos. A maioria dos analistas acredita que o Mossad foi o responsável por este ataque.
Em setembro de 2004, um outro membro do Hamas – que acredita-se ter sido Izz Eldine Subhi Sheik Khalil – morreu em Damasco quando um explosivo foi detonado debaixo do seu carro. Ele era o responsável pela coordenação de operações do braço militar do Hamas. Embora Israel não tenha assumido oficialmente responsabilidade pelo ataque, este foi entendido como um recado aos líderes da Síria de que nem mesmo a sua capital está fora do raio de ação dos agentes israelenses.
Alguns fracassos notáveis
Damasco foi também o cenário de uma outra morte, em fevereiro de 2008, quando uma bomba destruiu o Mitsubishi Pajero pertencente ao líder do Hezbollah, Imad Mughniyeh, a quem foram atribuídas centenas de mortes. Embora Israel tenha negado oficialmente qualquer participação no assassinato, a maioria dos especialistas acredita que o Mossad esteve pelo menos parcialmente envolvido – possivelmente em colaboração com outros serviços de inteligência da região.
Até o momento, o fracasso mais espetacular do Mossad foi uma missão executada em Amã, na Jordânia, em setembro de 1997. Dois agentes do Mossad disfarçados de turistas canadenses tentaram assassinar o líder do Hamas, Khaled Mashal, com uma toxina letal que ataca o sistema nervoso, e que penetra no organismo através da pele. O ataque fracassou, e os guarda-costas de Mashal conseguiram capturar os agentes e entregá-los à polícia jordaniana. As autoridades jordanianas cercaram rapidamente a Embaixada de Israel, onde quatro outros agentes do Mossad, revelando a sua verdadeira identidade, buscaram refúgio.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu foi então obrigado a assumir a operação para conseguir trazer os seus agentes de volta com segurança. Ele voou para Amã para pedir desculpas ao irmão do rei Hussein – o rei não quis encontrar-se com ele pessoalmente. Após negociações difíceis, Israel entregou aos jordanianos o antídoto para o veneno do sistema nervoso que fora usado em Mashal, bem como a composição química do opiato, que teria sido usado em operações anteriores. Além disso, Israel foi obrigado a libertar o fundador do Hamas, Sheik Ahmed Yassin, e dezenas de outros palestinos e jordanianos.
No fim das contas, uma investigação oficial concluiu que o Mossad havia “se fixado em operações de alto risco”. O ataque frustrado foi uma nódoa na reputação do Mossad. Depois disso, durante vários anos, o serviço deixou de executar assassinatos seletivos – ou pelo menos foi muito mais cuidadoso ao perpetrar esses assassinatos.
Irã: o verdadeiro alvo
Se o assassinato em Dubai foi realmente perpetrado pelo Mossad, a operação terá sido mais um golpe para a reputação da agência. De fato, nunca antes uma operação de assassinato do Mossad havia sido filmada por terceiros e muito menos as fotografias dos membros do esquadrão de assassinos tinham sido reveladas publicamente.
De fato, há alguns anos o Mossad vem perdendo muito do brilho da sua reputação. Outros serviços de inteligência têm ganhado estima dentro de Israel. E, nos últimos anos, o serviço de inteligência da Jordânia tornou-se tão importante para os Estados Unidos na região quanto o Mossad.
Mas isto é válido principalmente na área de contra-terrorismo. No entanto, o atual foco do Mossad é o programa nuclear iraniano. Em relação a esta questão, os israelenses dizem que o Mossad tem se saído muito bem – distante dos olhos do público.
Yassin Mushabarsh
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
| Saladino |
Saladino (em árabe: صلاح الدين يوسف بن أيوب, transl. Ṣalāḥ ad-Dīn Yūsuf ibn Ayyūb; em curdo: سهلاحهدین ئهیوبی, transl. Selah'edînê Eyubî; c. 1138 — 4 de março de 1193)
No século XII, o curdo saiu do anonimato ao reconquistar os territórios sagrados tomados pelos cristãos durante as cruzadas. Em uma carreira meteórica, ele se tornou sultão de um império que se estendeu da Síria ao Egito, passando pela disputada Jerusalém
"Glória a Deus que gratificou o Islã com esta vitória e que reconduziu esta cidade ao bom caminho após um século de perdição! Honra a este exército que Ele escolheu para consumar a conquista! E saudação a ti, Saladino Yussef, filho de Ayyub, que restituiu a esta nação sua dignidade injuriada!". Foi com essas palavras, na sexta-feira de 9 de outubro de 1187, uma semana depois da reconquista de Jerusalém, que o cádi de Damasco, Mohiedin Ibn al-Zaki, abriu o seu sermão na mesquita de Al-Aqsa, dentro da Cidade Santa. Seu discurso era um agradecimento a Salah al-Din Yusuf bin Aiub, conhecido no Ocidente como Saladino, responsável por tomar a cidade dos cruzados. Finalmente, depois de quase 90 anos de dominação ocidental e longos e sangrentos combates, os muçulmanos voltavam a ocupar um dos lugares mais sagrados do Islã, de onde o profeta Mohammad (AS) teria ascendido ao céu, cinco séculos antes.
Feitos como esse fizeram de Saladino um verdadeiro herói do mundo islâmico. O Ocidente o conheceu, em parte, recentemente, por intermédio do filme Cruzada (2005), de Ridley Scott. No entanto, a figura do sultão e estrategista curdo, nascido no ano de 1138 em Tikrit (atual Iraque), é muito mais ampla que uma aparição coadjuvante em um longa-metragem hollywoodiano. Até hoje ele é lembrado como um dos principais chefes militares muçulmanos, um símbolo da luta e da resistência contra a ocupação ocidental. Muitos são seus atributos, como bem descrevem vários historiadores árabes e europeus. Foi retratado como um bravo guerreiro no campo de batalha, um negociador astuto no campo da diplomacia, uma pessoa generosa com os vencidos e também um homem de muita sorte, atributo que o acompanharia por toda a sua vida, cercada de mitos e lendas.
Foi em meio a intrigas, traições, avanços e batidas em retiradas que surge a figura de Saladino. Ele era filho de Ayyub (Jô, em português), daí o nome da dinastia aiúbida, da qual seria o fundador. Convidado por seu tio Chirkuh a conquistar terras egípcias e chegar ao Cairo (sede do califado xiita e da dinastia fatímida), ele entrou, aos 25 anos, como mais um anônimo e saiu, seis anos depois, como vizir do reino mais rico do mundo árabe. Saladino e seu tio serviram a Nuradin, filho de Zinke (comandante turco que reconquistou Edessa dos francos, no ano de 1144) e senhor da Síria, um dos mais fortes reinos do mundo muçulmano daquele momento.
Para Nuradin, a presença européia na região era considerada uma invasão e o xiismo, uma heresia. Por isso, ele conclamou um jihad contra os francos e os inimigos do sunismo, no caso, os xiitas fatímidas do Egito. Vale ressaltar que o termo jihad refere-se a um substantivo masculino e é erroneamente empregado no Ocidente como guerra santa. De forma simplificada, a palavra significa uma reação a uma ação, uma luta ou combate contra o mal, uma invasão, uma ofensa, a mentira, as injustiças, a opressão, um crime ou uma violência.
Foi com este pensamento que Saladino e Chirkuh partiram rumo ao Egito, onde o poder se alternava de mãos em mãos devido a disputas internas. O lugar era também objeto de extrema cobiça dos franj. Essa terminologia era usada, inicialmente, apenas para denominar os francos, mas acabou se tornando usual para se referir a todo indivíduo do Ocidente.
Após anos de batalha e três campanhas, as forças sírias saíram vencedoras. Chirkuh era a pessoa mais apropriada para governar as novas possessões de Nuradin, mas morreu vítima de um suposto mal-estar. Para ocupar a posição de vizir (governador) da extensão egípcia do império sírio, foi escolhido, intencionalmente, aquele que parecia o menos capaz para a empreitada: Saladino. "Era o mais jovem e parecia ser o mais inexperiente e o mais fraco dos emires do exército". Essa era a opinião dos conselheiros, de acordo com os relatos do historiador árabe Ibn al-Athir. Mas o curdo se mostrou justamente o contrário. E, em pouco tempo, consolidou sua autoridade.
O sucesso de Saladino no Egito era fonte de preocupação para Nuradin. O clima de tensão cresceu entre pupilo e mestre, a ponto de o segundo recusar, por diversos momentos, um encontro direto com o senhor da Síria. Em Damasco, o filho de Ayyub foi acusado de insubmissão e traição. Não é para menos. Por anos, recusou-se a colocar fim ao califado xiita, que havia dois séculos reinava ali. No lugar disso, preferiu "apenas" eliminar funcionários fatímidas que não lhe foram confiáveis. Quanto ao califa Al-Adid, preferiu não tocar nele temendo uma reação da população local, o que colocaria em risco sua posição.
O vizir Saladino preferiu esperar. Além de desenvolver uma sincera amizade com Al-Adid, que tinha apenas 18 anos, sabe que, apesar de sua jovialidade, é uma pessoa frágil e doente. Portanto, para que mexer em um vespeiro se supunha que a natureza lhe faria o trabalho que deveria ser dele? De fato, o califa morreu dois anos depois da entrada do curdo no Cairo, pondo fim à dinastia fatímida.
Nesse meio tempo, teve de ter habilidade e diplomacia para não entrar em um confronto direto com o seu mestre de Damasco. Em pelo menos um momento, Nuradin se dispôs a invadir o Egito. Saladino tinha homens dispostos e força suficiente para suplantar tal investida. A decisão que tomaria poderia justificar a pecha de ambicioso, já há muito empregada pelos funcionários de Damasco, ou servo fiel e leal, como seu pai fora a vida inteira. Foi justamente Ayyub quem alertou o filho de que o tempo estava ao seu favor, sendo equivocado medir forças com quem devia submissão.
Em vez da espada, o então vizir do Egito preferiu empunhar uma pena e escrever para Damasco. Na carta, ressaltou que o Egito pertencia a Nuradin e que bastaria que o seu senhor lhe enviasse um camelo ou um cavalo para que ele, Saladino, fosse até a Síria como homem humilde e submisso. A medida foi suficiente para aplacar a desconfiança de Nuradin, mas despertou em Saladino a desconfiança de que uma investida viria de fato a acontecer. Antecipando-se a esse momento, pediu para que seu irmão, Turanshah, conquistasse o Iêmen, ordem que foi cumprida. Doravante, esse país, localizado na extremidade da Península da Arábia, seria um porto seguro caso ele e sua família precisassem de abrigo. Jamais precisaram.
A "sorte" que levou Saladino ao posto de vizir do Egito, com direito ao título de al-malik al-nasser (o rei vitorioso), foi a mesma que o conduziu, mais tarde, ao posto do seu mestre intelectual. Com a morte de Nuradin, em 1174, o curdo se tornou sultão de um reino que já se estendia do Egito até a região central da atual Turquia. E, sem se fazer de rogado, levantou a mesma bandeira defendida por seu antigo senhor: unificação do mundo árabe, mobilização dos muçulmanos para a reconquista das terras ocupadas, sobretudo Jerusalém.
Aparentemente, tudo conspirou a favor de Saladino. Depois de Chirkuh e Nuradin, foi a vez de Amaury, rei de Jerusalém, morrer e passar o trono para Balduíno IV, um jovem de 13 anos que morreu de lepra aos 24 e passou o comando a Guy de Lusignan. O único soberano capaz de rivalizar com as forças de Saladino, por possuir um poderoso exército, era Manuel de Constantinopla. Mas os homens de Manuel acabaram sendo esmagados pelos soldados de Kilij Arslan II, neto de Nuradin, e o rei bizantino morreu pouco tempo depois, fato que deixou a região fragilizada e incapaz de se reorganizar. Com todas essas brechas do destino, Saladino só teria de esperar a hora ideal para tomar Jerusalém dos franj.
O momento certo para Saladino surgiu em 4 de julho de 1187, após a conquista da Mesopotâmia. Estrategicamente, o exército de Saladino ficou à espera dos soldados franj, posicionado em um ponto elevado da região, tendo às suas costas o lago de Tiberíades. Para não morrer de sede, os soldados de Jerusalém teriam de lutar, e muito, para vazar aquele bloqueio. Esse era o cenário da Batalha de Hattin, nome herdado da pequena vila localizada ali próximo. Naquele dia, totalmente sedentos, cansados e desnorteados, os 12 mil soldados do rei Guy de Lusignan foram cercados e esmagados.
Como prêmio, Saladino se apoderou de uma cruz trazida como amuleto pelos franj, que acreditavam ser a mesma na qual Cristo teria sido crucificado. A partir dessa vitória, o caminho foi aberto para Jerusalém. Mas nada foi tão fácil quanto parecia, e a entrada na cidade só se deu mais de dois meses depois. Antes de bater às portas da Cidade Santa, o sultão foi tomando todas as posições dos cruzados, como Tiberíades, a cidade de Acre, Galiléia, Samaria, Naplusa, Haifa, Nazaré, Jafa, Saida (depois de 77 anos de ocupação), Beirute, Jibail, Ascalon, Gaza e, finalmente, Jerusalém, que na época era liderada por Balian d'Ibelin.
Em 2 de outubro de 1187 (ou 27 rajab do ano 583 da hégira), Saladino assinou um acordo de salvo-conduto a todos os moradores da Cidade Santa, e Balian entregou a jóia da coroa ao filho de Ayyub. Finalmente, os muçulmanos puderam orar nos lugares sagrados da cidade como senhores e não mais como incômodos inquilinos. Naquele mesmo dia, uma cruz instalada na cúpula do Rochedo foi retirada, e a bela mesquita de Al-Aqsa, que havia sido transformada em igreja, voltou a ser lugar de culto muçulmano. Seria ali, depois de aspergida com águas de rosa, que o cádi de Damasco, Mohiedin Ibn al-Zaki, saudaria Saladino pela mais nobre de suas conquistas. "Allahou akbar" (Deus é grande) era a frase mais ouvida na Cidade Santa, nos dias que sucederam à sua retomada.
A conquista de Jerusalém pelos muçulmanos foi um duro golpe para a moral cristã. Não é à toa que pouco mais de um ano depois, o papa Gregório VIII convocou a Terceira Cruzada para a reconquista da Terra Santa. Foi a maior força cruzada já reunida desde 1095, mas não conseguiu o seu fim, apesar de algumas reconquistas.
Ciente de que em uma guerra nem sempre os acordos são respeitados e que entre os perdedores havia o medo iminente de um massacre, coube mais uma vez a Saladino dar mostras de sua sensatez, permitindo a peregrinação aos fiéis não-muçulmanos, aumentando a guarda dos lugares de culto dos cristãos, como a Igreja do Santo Sepulcro, e dando ordens rigorosas a seus homens para que não perseguissem quaisquer cristãos.
O sultão de modos afáveis, pequeno e de aparência frágil, apesar de sua reconhecida generosidade, em pelo menos dois momentos negou a misericórdia aos seus vencidos. Um deles foi em 1179, na tomada do castelo de Bait al- Ahazon. Ali teria ordenado a execução de 700 prisioneiros. Cerca de oito anos depois, pós-Batalha de Hattin, foi ele próprio o algoz de Renaud de Chatillon, a quem jurara matar com as próprias mãos. Nesse mesmo dia, os cavaleiros templários e hospitalários, inimigos mortais de Saladino, foram vítimas da mesma sorte. É um claro exemplo que a misericórdia do filho da Ayyub tinha limite e que não poderia faltar com a sua palavra ou demonstrar fraqueza diante dos seus comandados.
Com a morte de Saladino, seus domínios, que iam da Síria ao Egito, fragmentam-se em governos enfraquecidos, controlados por membros de sua família, os aiúbidas. Saladino deixou 18 filhos, sendo apenas um deles mulher, e dois irmãos. O reino do Egito foi o mais bem-sucedido, tendo um período de crescimento econômico e prosperidade graças à presença de mercadores italianos, franceses e catalães, que operaram com os portos sob controle aiúbida. Além disso, o Egito se tornou um centro de erudição e literatura árabe, e dividiu com a Síria a primazia cultural naquela região, conservando-a até o período moderno.
Para quem não queria a glória militar e por longos anos tinha se dedicado ao estudo da teologia islâmica, Saladino chegou ao fim da vida como modelo do salvador muçulmano.
Saladino manteve-se soberano de Jerusalém e, já na sua velhice, seguiu para Damasco, sua cidade preferida, onde morreu em 4 de março de 1193, aos 55 anos. Para os padrões da Idade Média, em que devido a guerras, doenças e fome e a expectativa de vida girava em torno de 30 anos, pode-se dizer que, conforme o termo bíblico, foi farto em dias.
Saladino morreu pouco depois da partida de Ricardo. Quando o tesouro de Saladino foi aberto não havia dinheiro suficiente para pagar por seu funeral; ele havia dado a maior parte de seu dinheiro para caridade.
Sua tumba fica em Damasco, na Mesquita de Umayyad, e é uma atração popular.
Considerado o campeão da guerra santa, Saladino se tornou o herói de um ciclo de lendas, que percorreram todo o Oriente médio e a Europa, e seus feitos são lembrados e admirados até os dias de hoje pelos povos muçulmanos.
Forte protetor da cultura islâmica, não era apenas um líder militar, mas também um excelente administrador dos seus domínios. Mandou reconstruir a mesquita de Al-Aksa na cidade de Jerusalém, e ordenou também a construção da cidadela do Cairo e outros monumentos de interesse.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Palestina ilegalmente ocupada.
Em 1993 o então presidente da OLP, Yasser Arafat, reconheceu o Estado de Israel numa carta oficial ao primeiro-ministro daquele país, Yitzhak Rabin.
Em resposta à iniciativa de Arafat, Israel reconheceu a OLP como a representante legítima do povo palestino. Arafat foi presidente do Comitê Executivo da OLP de 1969 até a sua morte, em 2004. Foi sucedido no cargo por Mahmoud Abbas (também conhecido como Irmão Abu Mazen) , que tenta até hoje sem sucesso terminar este processo.
Embora seja eu , defensor da tese de UM ESTADO para ambos os povos , assim como boa parte dos movimentos de Resistencia , esta tese foi praticamente encerrada , quando fizeram publicar o texto abaixo , que tornou-se uma guia para o comportamento da politica ianque e seus lacaios para a Palestina ilegalmente ocupada.
Los Angeles Times
Em 10 de outubro de 2004, o Los Angeles Times publicou um editorial no qual se opõe a "Solução de Um Estado" por acreditar que esse seria um artifício para conseguir um objetivo ilegítimo, no caso a destruição do Estado judaico, por meios decorosos, no caso a instituição de um Estado Único na Palestina no qual judeus e árabes-palestinos viveriam em harmonia democrática, com base nos seguintes argumentos:
a Segunda Intifada resultou em três mortos árabes-palestinos para cada israelense morto; em milhares de feridos; em inúmeras casas de árabes-palestinos destruídas, pois o Estado de Israel destruia as casas dos parentes de homens-bomba; em enormes prejuízos para a economia na Cisjordânia, que era totalmente dependente de salários recebidos por árabes-palestinos que tinham empregos dentro do território do Estado de Israel, mas teria resultado na aceitação, por parte do Estado de Israel, da instituição de um Estado Palestino, tendo até mesmo o primeiro-ministro Ariel Sharon, o mais anti-árabe de todos os políticos israelenses, aceitado tal instituição, mas com as fronteiras determinadas por uma muralha que começou a construir;
o problema fundamental da "Solução de Um Estado" na Palestina é que tal Estado não teria caráter judaico, e isso negaria um objetivo fundamental do sionismo que era que os judeus precisam e merecem seu ter próprio Estado, e isso somente seria possível se a população judaica fosse majoritária no território correspondente a esse Estado;
no caso do Estado de Israel, a maioria judaica foi resultado do fato de que na época da Declaração de Independência do Estado de Israel, em 1948, muitos árabes-palestinos fugiram ou foram expulsos do território daquele Estado;
a instituição de um Único Estado abrangendo o Estado de Israel e os Territórios Ocupados resultaria na instituição de um Estado nos qual os judeus fossem minoritários tendo em vista a maior taxa de natalidade entre os árabes-palestinos e a perspectiva de retorno dos refugiados árabes-palestinos e de seus descendentes;
ainda que muitos norte-americanos possam simpatizar com a ideia, com base no próprio paradigma dos EUA que se orgulham de ser um caldeirão de diferentes raças, etnias e religiões, o contexto cultural da Palestina seria muito diferente, pois seria um contexto no qual "boas cercas fazem bons vizinhos";
a decisão do Império Britânico em conceder a independência às porções do subcontinente indiano por ele dominadas por meio da instituição de dois Estados distintos (a Índia para os hindus e o Paquistão para os muçulmanos) teria sido uma decisão acertada;
deve-se aceitar o fato de que para que o Estado de Israel preserve ser caráter judaico e continue a ser uma democracia, teria também que continuar ser um Estado no qual a maioria da população é judaica, e isso limitaria algumas ambições territoriais de alguns líderes políticos israelenses;
foram necessárias décadas para que os israelenses aceitassem a instituição de um Estado Palestino ao seu lado, razão pela qual os líderes árabes-palestinos não deveriam alterar sua estratégia.
sábado, 5 de outubro de 2013
Fraude, manipulação no câmbio que chegam a US$ 5,3 trilhões por dia .
Por dia, os grandes bancos vendem e compram trilhões no mercado de câmbio. A suspeita agora, porém, é de que os valores desses contratos e dessas moedas não flutuam livremente, mas seriam fixados pelos bancos em pelo menos dois momentos do dia.
Segundo as autoridades financeiras da Suíça, país que concentra um dos maiores polos de bancos do mundo, "múltiplas instituições pelo mundo" estariam implicadas no novo escândalo. Há um ano, os bancos já foram pegos manipulando a Libor - taxa do mercado financeiro de Londres e uma das principais referências de juros no mundo -, o que resultou em condenações afetando Barclays, UBS e vários outros bancos.
Por causa dessa fraude, o banco suíço UBS recebeu uma multa de US$ 1,5 bilhão e o britânico Barclays foi multado em US$ 450 milhões.
Os suíços indicaram que a investigação não está ocorrendo apenas no país e que governos de várias partes do mundo estão colaborando. Por enquanto, os investigadores não revelam nem os nomes do bancos afetados nem os países. Bancos como o UBS e o Credit Suisse se recusaram a comentar o caso e se fazem parte da investigação.
Em junho, autoridades britânicas já haviam indicado que estavam preocupadas diante de suspeitas de que funcionários de bancos estariam trocando informações entre eles e usando até mesmo ordens de clientes de compra e venda de moedas estrangeiras para manipular a taxa base do mercado de câmbio.
Oficialmente, as taxas de câmbio são estipuladas a cada dia por meio de uma análise em momentos predeterminados do dia dos volumes de negócios envolvendo os maiores bancos do mundo.
A suspeita recebida pelas autoridades é de que operadores (traders) de bancos estariam se coordenando não apenas para trocar informação, mas para atuar justamente nesses momentos de avaliação, comprando ou vendendo moedas e, assim, influenciando em seu valor. Em Londres, por exemplo, os horários mais importantes para fixar a taxa são às 11 horas e às 16 horas.
Guerra. Nos últimos anos, moedas passaram a estar no centro das atenções internacionais. Primeiro por causa da cruzada que o governo brasileiro lançou, acusando países ricos de promoverem uma "guerra de moedas". Nesse caso, o Palácio do Planalto não apontava o dedo para bancos, mas sim para governos que, inundando os mercados de liquidez, acabaram fortalecendo o real e prejudicando a competitividade das exportações nacionais.
Mas o mercado de câmbio ganhou uma nova dimensão nos últimos anos diante da crise e da fuga de investidores do setor imobiliário e outros ativos para moedas. Segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), organização internacional responsável pela supervisão bancária, o volume diário de contratos de câmbio pelo mundo chega hoje a US$ 5,3 trilhões. Em 2010, esse volume era de US$ 4 trilhões.
Londres é ainda o centro do comércio de moedas, com 41% do mercado. Mas centros importantes como Suíça, Hong Kong e Cingapura estariam ganhando espaço.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Plano funerário “Corinthians para Sempre”.
Para os corinthianos , há algo personalizado. O Sport Club Corinthians Paulista, em parceria com o Grupo Memorial, lançou mês passado o plano funerário “Corinthians para Sempre”. Segundo a empresa, até agora mais de 40 torcedores já adquiriram o seguro do timão.
O plano oferece painel de parede do Corinthians, uma urna com adorno personalizado e com bandeira por cima, além de uma coroa de flores “Eternamente Corinthians”, obviamente sem folhas verdes, apenas preto e branco.
A bandeira é entregue no encerramento da homenagem aos familiares. O carro funerário também é personalizado com logo do Timão.
O plano custa R$ 27 mensais no plano individual e também é oferecido na versão familiar, por R$ 35. Neste caso, inclui cônjuge e filhos até 21 anos, independente do número de filhos.
Vamos Caríssimos Irmãos Corinthianos e Irmãs dar a ultima sacaneada na oposição , ao inferno em grande estilo .
terça-feira, 1 de outubro de 2013
"um lobo em pele de cordeiro"
Segundo discurso do primeiro-ministro sionista Binyamin Netanyahu na Assembleia-Geral da ONU, transmitido ao vivo pela televisão iraniana. , nesta terça-feira , afirmou que o presidente do Iran, Hasan Rowhani, é
"um lobo em pele de cordeiro".
Para o chefe de governo sionista, Hasan Rowhani usa os gestos de moderação para tentar diminuir as sanções econômicas ao país persa.
Em discurso na Assembleia-Geral da ONU, o sionista afirmou que Rowhani é o mentor da estratégia do Iran para avançar o programa nuclear e insistiu na acusação de que a intenção do país é desenvolver uma bomba atômica.
No ano passado, Netanyahu chegou a levar um desenho de uma bomba em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU para explicar que o Iran estava a 90% do processo para obter uma bomba atômica. Este ano com o COYOTE na cabeça citou "um lobo em pele de cordeiro".
Há 22 anos o regime sionista mente, repetindo continuamente que o Iran terá a bomba atômica em seis meses.
O mundo deve compreender depois de todos estes anos a realidade destas mentiras e evitar que sejam repetidas .
A única coisa que temos visto da parte de Netanyahu são mentiras e ações para enganar e assustar a opinião pública internacional. Mas essas mentiras não ficarão sem resposta .
O Iran nega a intenção de buscar a bomba atômica e sustenta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades pacíficas, como a geração de energia elétrica e o desenvolvimento de isótopos medicinais, estando de acordo com as normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, do qual é signatário.
Pelo que informou e falou , parece-me que pretendem atacar sozinhos a Republica Islâmica do Iran , vamos aguardar.
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