domingo, 18 de outubro de 2020

O prêt-à-porter .

 

 

 

 Este novo conceito do prêt-à-porter foi responsável pela difusão da moda e da adequação aos consumidores. O prêt-à-porter revolucionou a produção industrial, pois passou a ser possível criar roupas em grandes escalas industriais, de melhor qualidade, oferecer uma grande praticidade, além da variedade não só de estilos, mas também de preço e lançar novas tendências. 

 

 

 

Sendo mais acessível ao público, possuindo a marca e a assinatura do estilista em peças, dando ar de sofisticação, mas sem o tom de exclusividade. Além da acessibilidade surgida com o advento do prêt-à-porter, a globalização tornou a informação mais veloz, e o que é novidade do outro lado do planeta pode chegar até nós em questão de minutos. Em pouco tempo, o que é o último lançamento da alta-costura ganha inúmeras clonagens ao redor do mundo. 

 

Com o surgimento do prêt-à-porter, a alta-costura deixou de lançar a moda, e as coleções prêt-à-porter passaram a ditar as tendências. Embora as peças industriais sejam produzidas em série, o prêt-à-porter tem a moda em si, ele uniu a indústria à moda, acrescenta estilo às ruas e dá um ar diferente e criativo às peças básicas. O prêt-à-porter se associou a muitos estilistas agregando valores estéticos aos produtos, compondo consultoria de estilo. 

 

Com o estilismo, o vestuário industrial muda tornando-se um produto da moda. Mais do que apenas uma mutação estética, o prêt-à-porter propiciou uma mutação simbólica. Criando um símbolo de alta classe. A partir disso, as marcas industriais se iniciaram no universo da publicidade.

 

 Marcas que deveriam ser intrinsecamente articuladas à assinatura de um estilista para atrair os investimentos publicitários, como algo personalizado com milhares de peças idênticas produzidas nas indústrias, que seriam desejadas por pessoas no mundo todo. 

 

 

 

 Manifestação Corporal Arquivado em 6 de abril de 2012, no Wayback Machine. revista da cultura. (Outubro, 2011).

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Nakba: Angústia e Terror sobre os palestinos










Autor : Rodrigo Souza






Um fazendeiro, pai de nove filhos. Era um homem que cruzou muitas fronteiras e muitas vidas. Nascido cidadão do império otomano, em 1923 passa a ser libanês quando França e Inglaterra brincaram com a vida e a morte, a sorte e o azar de pessoas e suas histórias, ao dividirem entre si as terras no Oriente Médio. Muitos contam que viemos da terra. Somos pó. A terra fora dividida e repartida, Inglaterra com a Palestina, França com o recém-criado Líbano, o fazendeiro se descobriu libanês, uma palavra nova. Paris cedeu a Londres uma porção libanesa e a Inglaterra deslocou a Palestina mais para o norte e, na política da “boa vizinhança”, a França cedeu esses mundos de vivências, essas terras, em troca de uma concessão para uma empresa francesa drenar pântanos na região. Inclui-se o povoado de Salha, onde Nimr Aoun vivia casado com uma jovem, cultivador de campos de trigo.


Se tornou cidadão palestino e súdito da corte inglesa. Atravessou muitas mortes. Em outubro de 1948 inundaram-nos com folhetos dizendo que se nos rendêssemos, não nos fariam nada. As mulheres e crianças já haviam fugido. De modo que acreditamos no que os folhetos diziam e nos rendemos. Mas os israelenses mentiram. Amaldiçoaram-nos e obrigaram setenta de nós a se manterem juntos. Renderem-se? Renderem-se por que? Mulheres e crianças fugiram do que? A operação de extermínio se chamava Operação Hiram. Deu o SENHOR sabedoria a Salomão, como lhe havia prometido. Havia paz entre Hiram [rei de Tiro] e Salomão; e fizeram ambos entre si aliança. (1º livro dos Reis de Israel, 5:12) Atravessou muitas vidas, muitas mortes. Quando estávamos todos juntos, abriram fogo contra nós. Havia treze tanques em volta. Não tivemos a menor possibilidade. O que me ajudou foi que depois que atiraram em minha perna, caí sob um monte de corpos. Sangrava tanto que eu não sentia nada.


Quando a noite chegou, saí rastejando, passei ao lado de um dos tanques, depois avancei pelo mato, até que encontrei um burro. Amir se tornava agora um refugiado palestino. No ano 2000, virada do século, vivia a 40 Km do povoado de Salha, vendo de perto o cerco de pomares de macieiras israelenses [1]. Essa é uma história das muitas vidas e mortes que circundam o tempo da Nakba.


 Por que dura a minha dor continuamente, e a minha ferida me dói, e já não admite cura? Serias tu para mim como um lago falso, como ribeiro de águas ilusórias? Livro do Profeta Jeremias 15:18 Os Caminhos da História “Nakba” – “A Catástrofe” – é o termo empregado para a tragédia humana do período, de dezembro de 1947 a janeiro de 1949, que abrange os eventos nos quais um imenso contingente de palestinos foram massacrados e expulsos; entre 400 e 600 de suas aldeias foram saqueadas e seus conglomerados urbanos ficaram quase inteiramente extinguidos. Um grande trauma e ferida aberta em nossa história recente, pouco conhecida do público no Brasil, ignorada por Hollywood.


Neste instante, ouça um silvo, um moinho na areia quando os olhos pesam na luz turva e alaranjada, seguindo o zéfiro e a poeira enovelada pelo deserto e por impérios e vilarejos, feiras e caravanas comerciais, navios e canhões, soldados e camponeses, danças e rezas. Percorramos um caminho histórico para chegarmos a um invólucro donde retornamos à nossa história. No ano de 131 do nosso calendário eclodiu a chamada Terceira Revolta Judaica, contra um programa de “romanização” cultural e socioinstitucional sobre a província da Judeia dirigida pelo imperador romano Adriano. A revolta foi esmagada no ano de 135.


O imperador reconstruiu a cidade de Jerusalém, destroçada, rebatizando-a como Aelia Captolina, efetuando expulsões em massa de judeus da cidade, mudando o nome da província da Judeia para “Síria Palestina”, agora greco-romanizada. Jerusalém foi palco de lutas internas pelo poder no império romano, com a província subdividida em unidades administrativas no ano de 390 d.C. A região foi experimentando decadência institucional e econômica. Porém, na Galileia, entre os séculos III e IV os rabinos constituíram uma relativa elite fundiária, outros foram patrocinados por ricos proprietários rurais [2].


No ano de 603 eclode a maior guerra até então entre Roma e a Pérsia. Os persas tomaram a Aelia Capitolina no ano de 614 e entregaram a liderança interna aos judeus, até que em 622 os romanos reconquistaram-na[3]. O califa muçulmano Omar, da tribo dos Coraixitas, a mesma de Maomé, inicia a conquista da região a partir de Gaza, em 634, e após conquistar a Síria em 635, conquista Jerusalém dos bizantinos no ano de 638. Reforma o templo judaico, em ruínas desde o ano de 70 e usado na época como aterro de lixo – batiza-lhe de “Haram-al-Sharif”, “O Mais Nobre Santuário”. Reabre a cidade para novamente ser livremente habitada por judeus, se convertendo num centro multicultural de convivência de cristãos bizantinos, nestorianos, arianos, monotelistas, judeus e muçulmanos[4].


Por 1300 anos a região siro-palestina foi predominantemente habitada por árabes. Em 1799, com as conquistas de Napoleão no extremo norte da África e Oriente Médio, cerca a Palestina como parte da campanha contra os exércitos do Império Otomano, que controlava a região. Ele lança um apelo através de uma carta circular aos judeus no mundo oferecendo um lar para os judeus na Palestina sob proteção francesa, em busca de aliados para solidificar o controle francês na região. Porém, posteriormente com a emergência e crescimento de movimentos dentre os judeus europeus que pregavam a necessidade de constituírem uma pátria em um Estado Nacional próprio, acompanhando os demais nacionalismos modernos, não havia consenso sobre onde seria tal Estado: Argentina, regiões africanas, Palestina…


O intelectual judeu Benjamin Disraeli, articulado no movimento sionista, foi designado pela rainha Victoria como primeiro-ministro britânico em 1868. Dez anos depois colocava a pauta da “restauração de Israel” na ordem do dia do internacional Congresso de Berlim, que discutia as partilhas e limites coloniais das principais potências. No começo do século XX a região palestina era dominada pelo império otomano, turco, que experimentava decadência e sofreu grandes derrotas por parte de potências europeias (que lhe conquistavam regiões desde o século XIX, como a tomada da Argélia pelos franceses em 1830.


Em 1912 o Tratado de Fez declarou o Marrocos protetorado francês, nesse tempo Síria e Líbano também se tornaram protetorados franceses e em 1916, o acordo Sikes-Picot desmembrou o Império Otomano e partilhou regiões entre as potências, Rússia (fragilizada, somente deu a anuência formal) França e Grã-Bretanha (as signatárias). Lideranças sionistas viram aí abertas grandes oportunidades para conquistarem um estado nacional judaico. Charles Weizmann, então uma das mais proeminentes lideranças do movimento sionista, com grande trânsito junto ao secretário de guerra e depois primeiro-ministro britânico Lloyd George (que disse sobre Weizmann que “estará na mesma altura que o de Neemias na fascinante e inspiradora história das crianças de Israel”[5]), escreveu em 1914: Se a Palestina ficar sob a esfera de influência britânica e, se a Inglaterra encorajar um assentamento judaico ali, como um protetorado britânico, nós poderíamos ter em vinte ou trinta anos mais de um milhão de judeus[6].


O Mandato Britânico na Palestina foi oficializado em 1920. Três anos antes, o secretario britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, remeteu ao banqueiro sionista Lord Rotschild um bilhete que viera ser conhecido como Declaração Balfour, afirmando o compromisso do governo em estabelecer um estado nacional judaico na Palestina. Arthur Balfour escreveu em um memorando de agosto de 1919: As Quatro Grandes Potências [ sendo estas Inglaterra, França, Itália e Estados Unidos] estão comprometidas com o Sionismo. E o sionismo, esteja certo ou errado, está enraizado em tradições antigas, em necessidades presentes e em esperanças futuras de muito maior importância do que os desejos e preconceitos dos 700.000 árabes que agora habitam esta terra antiga. (…)


Qualquer que seja o futuro da Palestina, não será o de uma ‘nação independente’. Apesar de qualquer consideração que possa ser prestada aos que vivem ali, as Potências, ao selecionar o mandatário, não pretendem consultá-los” [7]. Foi pouco depois de 1920, após essas terras e povos terem sido objeto de joguete das potências, o termo “Nakba” emergiu, tendo sido consagrado depois para o período pelo qual hoje é conhecido.


 Em 1922 o Instrumento Mandatário rezava: Artigo 6º: A Administração da Palestina, enquanto garante que os direitos e a posição de outros setores da população não sejam prejudicados, deve facilitar a imigração judaica sob condições desejáveis e deve encorajar, em cooperação com a Agência Judaica referida no Artigo 4, o assentamento de judeus na terra, incluindo terras do Estado e terras desocupadas não requisitadas para propósitos públicos. Com efeito, a partir do Acordo Sikes-Picot, incentivou-se a chegada em massa de judeus à Palestina.


Em 1914 estima-se que viviam na região 85.000 judeus, com 580.000 árabes (85% muçulmanos e 15% cristãos). De 1905 a 1914 emigraram cerca de 30.000 judeus para a Palestina. À medida que aumentava a imigração, aumentava também a identificação da comunidade judaica com o movimento sionista. (…) Os fatores não-sionistas e antissionistas transformaram-se em minoria insignificante, passando a ser necessária uma boa dose de sofisticação intelectual para continuar fazendo a antiga distinção. Não seria razoável esperar que o grosso da população árabe, assim como as multidões encolerizadas que dela faziam parte, continuassem a fazer essa distinção [8].


Em 19 de abril de 1936 desencadeou-se uma greve nacional dos palestinos em protesto ao programa de imigração e colonização judaica em mas os palestinos lançaram uma greve nacional para protestar contra a imigração judaica em massa, e os britânicos responderam com força. A greve foi dispersada em seis meses, com quase 200 mortes e mais de 800 de feridos entre palestinas. Estes, a partir daí, observaram que a despeito das campanhas terroristas sionistas contra o Mandato Britânico na região, ambos possuíam uma aliança estratégica. Aaahn? Terrorismo? Isso mesmo? Colonialismo: O Desastre Nascendo e Tomando Corpo Para mim, não sois vós como os filhos dos Kushitas, ó filhos de Israel? – palavra de Adonai. Acaso não tirei eu Israel da terra do Egito, os filisteus de Kaftor e Arâm, de Qir? Livro de Amós, 9:7 Os sionistas articularam forças terroristas, sendo as principais: Irgun (cujo líder terrorista, Menachen Begin, se tornou o sexto primeiro-ministro israelense em 1977), Lehi, Gang Stern – e paramilitares – Haganah – primeiramente como forças para atacar britânicos, pressionando-lhes a conceder mais rápido o controle da terra, e depois para aterrorizar e expulsar árabes. Irgun e Lehi recrudesceram sua estratégia de ataques indiscriminados de 1937 a 1939, plantando bombas e lançando granadas em lugares lotados, como paragens de veículos, centros comerciais e mercados[9].


A Haganah foi uma organização judaica que promovia ataques terroristas contra ingleses, incluindo civis, durante o Mandato Britânico na palestina. Chegara a ser protegida por palestinos do vilarejo de Huj, que lhes escondiam, na década de 20 contra a investida do exército inglês. Em 1946, junto com a Irgun chefiada por Menachem Begin, realizam a operação Malonchick, em um atentado ao hotel King David, matando cerca de 96 pessoas, a maioria inglesa. Após a independência de Israel, ela se torna a Etzel (Organização Militar Nacional na Terra de Israel), que passa a promover atos terroristas e chacinas contra árabes. A compilação de declarações que temos de lideranças judaicas daquele tempo nos permite compreender o pânico que se instalava na população árabe e que seu temor de que havia algo muito grande acontecendo com a política de imigração e ocupação judaica era justificada. Ben Gurion, o proeminente líder trabalhista judeu, afirmava no Congresso Sionista de 1937:


“Aquilo que é inconcebível em tempos normais torna-se possível em períodos revolucionários; e se neste momento a oportunidade é perdida e o que é possível nesses momentos de exaltação não vem a ser concretizado todo um mundo é perdido”. (…) “O Estado judeu terá um exército fora do comum – não tenho dúvidas de que estará entre os mais espetaculares do mundo – e assim estou certo de que não seremos impedidos de nos assentarmos no resto do país, mesmo que fora do acordo e entendimento mútuo com os vizinhos árabes”. “(…) crescente força judaica na Palestina aumentará nossas possibilidades de promover uma transferência em larga escala” [10]. A Comissão Shaw, encarregada de relatar conflitos promovidos pelos árabes, reportava em 1929: É óbvio que as relações entre as duas raças durante a década passada devem ter diferido das que prevaleciam antes. Disso encontramos muita evidência.


Os relatórios da Corte Militar e da Comissão local que, em 1920 e 1921, pesquisaram os distúrbios daqueles anos, chamaram atenção para a mudança na atitude da população árabe em relação aos judeus na Palestina. Isto também surgiu durante nosso inquérito, quando representantes de todas as partes nos disseram que antes da Guerra judeus e árabes viviam lado a lado – senão em amizade, pelo menos com tolerância, uma qualidade que hoje em dia é quase desconhecida na Palestina [11]. O processo migratório colonial só se intensificava. O “Estudo sobre a Palestina Anglo-Americano (1945-6)”, informe que o Mandato Britânico repassava à Liga das Nações, relatava “Embora considerações de ordem diferente se apliquem à imigração árabe, esta merece consideração especial, pois, de um total de 360.022 imigrantes que entraram na Palestina entre 1920 e 1942, apenas 27.981, ou 7,8% eram árabes.


Deste modo, o número de unidades residenciais destinadas a abrigar imigrantes árabes foi calculado sobre a mesma base utilizada no caso dos judeus”. Ou seja, naqueles vinte e dois anos, a população judaica a invadir a região fora de 92,2%. A Comissão Real Peel, formada para investigar distúrbios árabes na Palestina, chefiada pelo Lord britânico cujo nome serviu para batizá-la, apontou em 1937 em seu relatório: Estimular a imigração judaica na esperança que pudesse levar à criação de uma maioria judaica e ao estabelecimento de um Estado judeu com o comprometimento ou ao menos a aquiescência dos árabes era uma coisa.


O Comitê Especial das Nações Unidas para a Palestina – UNSCOP – expressava em um comunicado: O sr. Sommerfelt, da Comissão Permanente da Organização Internacional de Refugiados, admitiu que uma propaganda considerável vem sendo conduzida pela Agência Judaica, ou em seu nome, nos campos de deslocados de guerra, com o objetivo de induzir os judeus a emigrar para a Palestina, apesar deque ele notou que aqueles que estão nestes campos, como regra geral, concordam que, se lhes fossem dada a oportunidade, iriam para lugares que não a Palestina [12]. De fato, houve relatos de que após o término da Segunda Guerra, forças paramilitares judaicas coagiam judeus europeus a emigrarem para a Palestina, com casos de espancamento de judeus austríacos que haviam se recusado. Lideranças proeminentes como Aharon Zisling declaravam não haver nada de moralmente condenável na ideia da transferência populacional compulsória dos habitantes árabes palestinos: Não nego nosso direito moral de propor a transferência populacional.


Não existe problema moral numa proposta destinada a concentrar o desenvolvimento da vida nacional; o contrário que é verdadeiro – numa nova ordem mundial, esta pode e deve ser uma nobre visão humana. Registrado no dia 20 de dezembro de 1940, constava no diário do Chefe do Departamento de Colonização da Agência Judaica, Joseph Weitz: Deve ficar claro que não há lugar no país para ambos os povos. (…) Se os árabes o deixarem, o país será amplo e espaçoso para nós. (…) A única solução é uma Terra de Israel (…) sem árabes. Aqui não há lugar para compromissos.(…) A única solução é transferir os árabes daqui para os países vizinhos, e transferi-los a todos, exceto talvez os de Belém, Nazaré e a velha Jerusalém. Nem uma única aldeia deve ser deixada, nem uma única tribo beduína. A transferência deve estar voltada para o Iraque, a Síria e mesmo a Transjordânia. Para este objetivo serão encontrados fundos.(…) E somente depois dessa transferência o país será capaz de absorver milhões de nossos irmãos, e o problema judaico deixará de existir. Não há outra solução [13]. Em maio de 1942 foi promovido o Congresso Sionista em Nova Iorque, no Hotel Biltmore.


Foi decidido fortalecer a política de emigração em massa para o “lar nacional judaico” na Palestina. A Catástrofe Varrendo como Tempestade Já se consumiram os meus olhos com lágrimas, turbadas estão as minhas entranhas, o meu fígado se derramou pela terra por causa do quebrantamento da filha do meu povo; pois desfalecem o menino e a criança de peito pelas ruas da cidade. Ao desfalecerem, como feridos, pelas ruas da cidade, ao exalarem as suas almas no regaço de suas mães, perguntam a elas: Onde está o trigo e o vinho? Livro das Lamentações, 2:11-12 A Assembleia Geral das Nações Unidas lançou em 1947 a Resolução 181, versando sobre a criação de um Estado Judeu, um Estado Palestino e áreas sob regime especial internacional abrangendo as cidades histórico-religiosas emblemáticas de Jerusalém e Belém.


Ao estado judaico foi concedido 56% da terra; a cidade de Jaffa foi incluída como um enclave do estado árabe, e a área hoje conhecida como Faixa de Gaza foi separada das suas áreas agrícolas circundantes, que ficaram como zonas de armistício. Dos 57 países membros, apenas Tailândia não compareceu; foram 33 votos a favor, 13 votos contra e dez abstenções[14]. A sessão, de 29 de novembro, foi presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha. Este é considerado um “herói” pelo sionismo. Contudo, era uma peça importante em círculos antissemitas do governo brasileiro à época. Foi empossado como chefe do Itamaraty em março de 1938; em setembro emitira uma circular nº1249 restringindo a imigração judaica ao Brasil. Participou da promoção de mais leis de restrição imigratória judaica, assediando também funcionários de embaixadas que porventura facilitassem. Articulou o decreto nº 3.175 de janeiro de 1941 suspendendo as emissões de vistos que ficaram abertas apenas a portugueses e estadunidenses e suspendendo em 1942 a imigração de judeus, concomitante organizações judaicas faziam pedidos de socorro ante ao massacre que ocorria na Europa.


Os interesses de Oswaldo Aranha na Resolução eram dois: a) diplomacia com as forças aliadas vencedoras b) que judeus deixassem de emigrar para o Brasil, agora que passariam a contar com um Estado próprio. Aranha tinha pavor ao considerar que judeus participaram amplamente da Revolução Russa de 1917[15]. Menachem Begin, então agente terrorista da Irgun, afirmou pouco depois da aprovação da Resolução : Minha maior preocupação nesses meses era de que os árabes pudessem aceitar o plano das Nações Unidas. Então nós teríamos uma grande tragédia: um Estado judaico tão pequeno que não poderia absorver todos os judeus do mundo [16]. Início de 48, Jospeh Weitz proclama: É possível que tenha chegado o momento de aplicar nosso plano original: transferi-los para a Transjordânia. Agentes oficiais pretendiam que, dentro de suas fronteiras, o estado israelense tolerasse no máximo uma minoria árabe de 15%. [17] Desencadeia-se a Nakba. Elabora-se o Plano Dalet, conhecido também como “Plano D”, elaborado nos fins do terceiro trimestre de 1947, tendo como protagonista a Haganah [18].


Somente entre os dias 19 a 20 de fevereiro de 1948, em 130 ataques, várias comunidades foram expulsas pela Haganah e várias outras perseguidas pela Irgun [19] No final de março de 1948, trinta aldeias foram completamente despovoadas de sua população árabe palestina. Aproximadamente 100.000 árabes palestinos haviam fugido para partes árabes da Palestina, como Gaza, Beersheba, Haifa, Nazaré, Nablus, Jaffa e Belém [20]. Em 9 de abril, o mesmo dia lembrado como “O Dia do Holocausto”, cai as trevas do emblemático Massacre de Deir Yassin. Assim narra uma testemunha militar israelense: Sofremos um revés diferente em 09 de abril, quando unidades combinadas da Irgun e Gang Stern executaram um ataque deliberado e não provocado contra a vila árabe de Deir Yassin, no lado ocidental de Jerusalém.


Não havia razão para o ataque. Era uma vila tranquila, que havia negado a entrada às unidades de voluntários árabes de outros países, e que não tinha se envolvido em nenhum ataque às áreas judaicas. Foi um ato deliberado de terrorismo” [21]. A Comissão Britânica relatou dias depois que “muitas atrocidades sexuais foram cometidas pelos atacantes judeus. Muitas jovens mulheres foram estupradas e depois trucidadas. Mulheres idosas também foram molestadas [22]. Além de Deir Yassin, houve massacres próximos a Tabarié, de Safad, bombardeios em Haifa e Acre, propaganda alarmista em árabe, queima de colheitas… “a política habitual da Haganah e da FDI consistia em reunir e expulsar os habitantes remanescentes, geralmente idosos, viúvas, aleijados de áreas já evacuadas pela maioria dos habitantes” [23].


Em Lyida tombaram cerca de 450 palestinos mortos em massacre e 350 em marcha forçada. Choro e ranger de dentes. Adiante, um foto consumindo; por detrás, uma chama abrasava. O sol se convertia em trevas, e a lua em escuridão. Mensagens radiofônicas, de equipamentos espalhados nas comunidades e estradas, semeavam sinais de pavor. Gemidos, gritos por socorro, grunhidos de desespero, ameaças, narrações de mutilações e mortes, palavras de ordem, constituíam a tática de aterrorização psicológica para acelerar as evacuações.


A Haganah produzia emissões em língua árabe em auto-falantes instalados em vans anunciando que “chegou o dia do julgamento”. Intimava a população a “evacuar imediatamente as mulheres, as crianças e os velhos, e enviá-los para um porto seguro”. O objetivo primordial era a desmoralização. Entidades sionistas, durante um tempo, alegavam que lideranças árabes conclamavam às fugas. Mas várias evidências encerraram a questão. Dentre elas, dois estudos independentes que analisaram interceptações de emissões de rádios na região pela CIA e pela BBC, concluíram que nenhuma ordem ou instruções foram dadas pelo Comitê Superior Árabe [24].


O Massacre de Deir Yassin e os rumores que se seguiram espalharam o terror entre os palestinos. A Irgun, sob o comando de Menachen Begin, disparou morteiros sobre a infraestrutura da importante cidade de Jaffa. Ações pulverizadas desencadearam evacuações às pressas de multidões palestinas em pânico. Já em 01 de maio, duas semanas antes da Declaração de Independência de Israel, aproximadamente 175.000 palestinos tinham fugido desnorteados [25]. “(…) na primeira quinzena de abril, Ben-Gurion e o estado-maior da Haganah aprovaram uma série de ofensivas para a execução das linhas mestras do Plano D” . (…) “Nenhuma cidade foi abandonada pelo grosso da população antes de um ataque judaico” [26]. 21 de abril, maior ofensiva da Haganah contra Haifa pelo Plano D. Registro pungente de um observador britânico no dia seguinte respeito das ações da organização: estava abatendo continuamente todos os árabes que se mexiam em Wadi Nisnas e na Cidade Velha.


Havia inclusive rajadas de metralhadoras e ação de atiradores emboscados, de maneira totalmente indiscriminada e revoltante contra mulheres e crianças (…) que tentavam sair de Haifa pelos portões do porto. (…) Havia fora do Portão Leste [do porto] um enorme congestionamento de mulheres, crianças e velhos árabes histéricos e aterrorizados sobre os quais judeus abriam fogo impiedosamente [27].


Em meio a este inferno disparatado, em 14 de maior de 1948, em poucos momentos antes de se declarar extinto o Mandato Britânico, as organizações sionistas em Israel promovem a declaração de independência do país. Na noite de 22 a 23 de maio de 1948, oito dias após a declaração da Independência do Estado de Israel, a aldeia costeira de Tantura foi atacada e ocupada pelo 33º Batalhão da Brigada Alexandroni, ligado à Haganah. À aldeia de Tantura não foi dada a opção de se render e o relatório inicial falou de dezenas de aldeões mortos, com 300 prisioneiros adultos e 200 mulheres e crianças.


Os documentos chamados “Arquivos Contemporâneos de Keesing” em Londres, apontam o número total de refugiados antes da independência de Israel em 300.000 [28]. Dentre abril a junho, durante a implementação do “Plano D”, uma onda de êxodo árabe dentre 250 a 300000. O Divisor de águas após o qual ocorrera a maior explosão fora com a Declaração de Independência. Os principais episódios foram em Lydda e Haifa. No fim de maio 1948, numa reunião do comitê político do partido de esquerda Mapam, Eliezer Prai, editor diário do partido, apontou que figuras do Yishuv promoviam “uma política de transferência (…) a sangue e fogo”. O líder do Mapam, Ya’acov Hazan, alertava que “o roubo, o assassinato, a expulsão e o estupro dos árabes podem assumir tais proporções que não teríamos condições de fazer parte de uma coalizão com Ben-Gurion”.


No mesmo mês, o diplomata sueco Conde Folke Bernadotte foi nomeado mediador da ONU na Palestina. Havia participado do resgate conduzido pela Cruz Vermelha de mais 30.000 prisioneiros de guerra dos campos de concentração nazistas. Em um relatório datado de 16 de setembro de 1948, ele escrevera: Seria uma ofensa aos princípios elementares da justiça elementar se a essas vítimas inocentes fossem negadas o direito de voltar para suas casas, enquanto os imigrantes judeus fluem para a Palestina e, de fato, pelo menos oferecem a ameaça de substituição permanente dos refugiados árabes que estão enraizados na terra por séculos [29].


No dia seguinte ao seu relatório enviado a ONU, a comitiva do Conde Bernadotte foi emboscada em Jerusalém. Ele foi baleado à queima-roupa por membros da Gang Stern, por ordem do futuro primeiro-ministro (em 1983) pelo partido conservador Likud, Yitzhak Shamir, então estrategista do Lehi. Observe-se que dois assassinos terroristas sanguinários mencionados aqui posteriormente foram eleitos primeiros-ministros. Massacre de Ad Dawayima, outubro de 1948. Um soldado testemunhou que as forças armadas judaicas capturaram esse povoado “sem resistência” e mataram “80 a 100 árabes homens, mulheres e crianças.


As crianças eram mortas quebrando suas cabeças com paus.” (…) “Um comandante ordenou que um solapador pusesse duas mulheres idosas em determinada casa (…) e explodisse a casa com elas dentro. O solapador recusou-se. (…) O comandante então ordenou que seus homens pusessem as mulheres lá dentro, e o horror foi cometido.” (…) “oficiais preparados (…) se haviam transformado em assassinos primitivos, isto não acontecia no calor da batalha (…) mas em consequência de um sistema de expulsão e destruição.


Quanto menos árabes permanecessem, melhor.”[30] _ O que deve ser conviver com estas memórias? O 22º Batalhão, de Carmeli, tinha ordens para “matar todos os árabes adultos” e incendiar com bombas incendiárias “todos os objetivos que possam ser incendiados” [31]. Aldeia de Safsaf – 52 homens amarrados com uma corda, jogados num poço e alvejados; dez foram mortos. As mulheres imploravam misericórdia, uma menina de 14 anos estuprada. Povoado de Jish – doze mulheres mortas, uma com seu bebê. Saliha – “94 foram explodidos dentro de uma casa” [32].


Isto não lembra o modus operandi do DAESH, ou ISIS? Adicionalmente, saques generalizados e vários casos de estupros [33]. “Em uma questão de sete meses, foram destruídas quinhentas e trinta e uma aldeias e onze bairros urbanos foram esvaziados. (…) A expulsão em massa foi acompanhada por massacres, estupros, prisões de homens em campos de trabalho forçado por períodos de mais de um ano” [34]. Israel anexou as cidades destinadas aos palestinos pelo Plano de Partilha: Acre, Nazaré, Lydda, Ramle, Beersheba e Haifa;e as de população de maioria absoluta árabe de Shef Aram e Jaifa. O sucessor do mediador da ONU, Ralph Bunche, laureado com o Nobel da Paz em 1950, testemunhou em outubro de 1948 que “as forças israelenses agora ocupam posições dentro do canto sudeste do Líbano, envolvendo cerca de quinze aldeias libanesas que são ocupadas por pequenos destacamentos” [35].


Na Nakba, além dos mortos, um tsunami humano de palestinos foram desterrados. Beny Morris, na obra aqui muito citada “The Birth of the Palestinian Refugee Problem”, compila muitos números, dados e depoimentos, mas tenta atenuar a questão das forças judaicas terem sido responsáveis pelas expulsões “in toto”. Ele trabalha com cinco fontes de estimativas para os árabes exilados até 1949. A de menor monta, do Foreign Office britânico, 711.000; a maior, a do governo britânico, 810.000 [36]. Em dezembro de 1948 as Nações Unidas estimaram em um estudo um contingente total de 726.000 palestinos desterrados [37].


Com isso a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução 194, que além de reafirmar os princípios da Resolução 181, proclamou o direito inalienável dos palestinos a voltar para suas casas e a serem indenizados pelos prejuízos que acabavam de sofrer [38]. Foi ignorada. Em 1950 já se somavam 957,000 refugiados, de acordo com o Report of the Director of the United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees in the Near East [39].


Espalharam-se em regiões precárias de países como Síria, Líbano, Jordânia, Egito, países pauperizados pela exploração colonial, fragilizados pelo período de luta pela independência, sobrecarregados por pesados fardos de “compensações” impostas pelas potências coloniais. A resolução da ONU de 1947 havia explicitamente fixado que as minorias restantes teriam direitos civis em cada um dos dois Estados, o judeu e o árabe, condição da aceitação destes pela organização internacional. Israel teve então de conceder a cidadania aos habitantes palestinos que permaneceram no interior de suas fronteiras. Conclusão? Este terror não foi concluído.


E esta reflexão não é um mero exercício intelectual, não é para satisfazer um apetite intelectual. Hoje os territórios palestinos se confinam à Jerusalém Oriental, à faixa de Gaza – bloqueada-, e na Cisjordânia, 61% está sob controle civil e militar israelense, com mais 21% sob controle conjunto. Israel embarga o acesso de 25 mil palestinos que moram em 9 comunidades até Belém, aos principais centros comerciais, principais mercados e centros de saúde. Bloqueia 35% das terras agricultáveis de Gaza e igualmente às áreas de pesca; retém os produtos de Ramallah no posto de controle por dias e os perecíveis se perdem. Israel retém dinheiro das ajudas humanitárias e o converte em shekels, retendo-os no Banco de Israel, que ganha dinheiro com a rentabilidade em juros.


O consumo de água dos pouco mais de cinco mil colonos do Vale do Jordão equivale a mais de 75% do consumo de mais de dois milhões de palestinos da Cisjordânia – Israel não reconhece aos palestinos a propriedade da água, apenas concessão de uso, reivindicando a propriedade para si com base em “uso histórico”. Israel desenvolve agricultura usando, por família, três vezes mais água do que uma família palestina da Cisjordânia por dia, sujeitando-lhes a comprar água, pelo preço total, na limitação do volume lhes imposto bem como para o desenvolvimento e manutenção de infraestrutura para abastecimento.


A gestão hídrica de Gaza, para o abastecimento e para a economia, foi condenada a ser auto-suficiente e unicamente na dependência do aquífero dentro de suas fronteiras. Israel explora as duas grandes reservas de gás em Gaza, a Gaza-Marine-1 e 2, sendo que 60% da zona costeira de onde está a licença de exploração está na área palestina. Israel é livre de qualquer responsabilidade de indenização financeira, mas a autoridade palestina está incumbida de ressarcir imediatamente Israel por qualquer corte ou tribunal internacional que a condenasse.


Não bastasse tudo isso, dia 06/01/2017 foi aprovada no parlamento israelense e sancionada uma legislação legalizando casas e assentamentos realizados em terras registradas de Palestinos na área sob controle militar israelense na Cisjordânia, reagindo à Resolução do Conselho de Segurança da ONU de 2016 que condenou os assentamentos israelenses em territórios palestino, com votos de países diversos em orientação política. Está em jogo todas as bases morais que se pode almejar em imprimir no empreendimento civilizatório. Legitimar, ou mesmo se conformar indiferente a isso é um cinismo que dá de ombros a todas as convenções éticas de convivência entre povos, inclusive quanto a crimes de guerra. Não nos esqueçamos também dos refugiados.


Pense nos refugiados. Nunca receberam indenizações. Nunca foram recompensados. Oficialmente o governo de Israel lhes enquadra em uma categoria inferior de humanidade. Vigora em Israel uma lei que concede automaticamente cidadania e direitos de propriedade a judeus imigrantes (embora judeus etíopes sofram racismo institucional e até castração química). O Estado judeu registra meticulosamente seus proprietários legítimos — em outros termos, os judeus —, em suas carteiras de identidade e/ou nos registros de estado civil, com restrições quanto a casamentos civis, enterros públicos e direitos de herança para palestinos cidadãos em seu território.


Nega-se a permitir o retorno dos refugiados [40]. Devemos cicatrizar essa ferida. Algo deve ser feito. Não dá mais para esperar por um solução justa, compensatória e reparatória para os refugiados da Nakba. Por uma Palestina Livre.




Notas/Referências [1] FISK, Robert. A grande guerra pela civilização: a conquista do Oriente Médio. São Paulo: Planeta do Brasil, 2007, pgs 515-517. [2] HORSLEY, Richard A. Arqueologia, História e Sociedade na Galileia: O Contexto Social de Jesus e dos Rabis. São Paulo: Paulos, 2000. p 164 [3] PETIT, Paul. A paz romana. São Paulo: Edusp, 1989 [4] https://web.archive.org/web/20080310053428/http://www.usd.edu/erp/Palestine/history.htm [5] GIL, Moshe. A history of Palestine, 634-1099. Cambridge and New York: Cambridge University Press. [6] http://www.on-island.net/History/LLoyd-George/v1.pdf p.1902 [7] Weizmann, Chaim (1949). Trial and Error: The Autobiography of Chaim Weizmann. Jewish Publication Society of America. pg 177-8 [8] https://unispal.un.org/DPA/DPR/unispal.nsf/0/57C45A3DD0D46B09802564740045CC0A parte I, cap VIII [9] PORATH, Yehoshua. The Emergence of the Palestinian-Arab Movement, 1918-1929; London: Frank Cass 1974 p. 147 [10] Gelber, Yoav (2006). “Palestine 1948. War, Escape and the Emergence of the Palestinian Refugee Problem.” Sussex Academic Press. [11] PORAT, Yeshua, op.cit., p. 170. [12] British Government. Report of the Comission on the Palestine Disturbances of August, 1929. Cmd. 3530, p. 150.. Citado em United Nations. The Origins and Evolution of the Palestine Problem 19171988, Parte I, Capítulo III [ 13] United Nations. The Origins and Evolution of the Palestine Problem 1917-1988, Parte I, Capítulo II [14] MORRIS, Beny, “The Birth of the Palestinian Refugee Problem”, 1947–1949, Cambridge University Press, 1988, p.27 [15] Résolution 181 de l’Assemblée générale de l’Onu [Resolução 181 da Assembleia Geral da Onu], Réseau Voltaire, 29 novembro 1947. [16] CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. Cidadão do mundo: o Brasil diante do Holocausto e dos judeus refugiados do nazifascismo. São Paulo: Fapesp, 2010. [17] PALUMBO, Michael. The Palestinian Catastrophe: the 1948 expulsion of a people of their homeland. Longres: Faber & Faber, 1987, p.34 [18] FLAPAN, Simha. The Birth of Israel: Myths And Realities, Pantheon Books, New York; 1987. p. 104 [19] MORRIS, Benny. The Birth of the Palestinian Refugee Problem Revisited, Cambridge University Press, 2004. [20] PAPPÉ, Ilan. The Ethnic Cleansing of Palestine. London and New York: Oneworld, 2006. [21] Pappé Ilan (1992) “The Making of the Arab Israeli Conflict 1947–1951” London and New York: I.B. Tauris, 1992, [22] UN parte II, Cap. V [23] Palumbo, p. 54. [24] MORRIS, op..cit., pg. 148 [25] Erskine Childers, Walid Khalidi, and Jon Kimche1961 Correspondence in “The Spectator” on “Why the Refugees Left” Originally Appendix E of Khalidi, Walid, “Plan Dalet Revisited: Master Plan for the Conquest of Palestine” in 18 no. 1, (Aut. 88): 51–70. [26] Sachar, Howard M. “A History of Israel from the Rise of Zionism to Our Time,” New York: Knopf, 1976. p. 332. [27] MORRIS, Birth, pg 129 – 130 [28] ibid, p. 131 [29] Mark Tessler’s “A History of the Arab–Israeli Conflict”: “Keesing’s Contemporary Archives” (London: Keesing’s Publications, 1948–1973). p. 10101 [30] Masalha, Nur (1992). “Expulsion of the Palestinians.” Institute for Palestine Studies, this edition 2001, p. 175 [31] MORRIS, “The Birth”, pg. 222-223. [32] MORRIS, “The Birth”, p. 191-192 [33] Ari Shavit—Survival Of The Fittest? An Interview With Benny Morris”, Logos, Winter 2004. [34] Pappe, Ilan (Spring 2006). “Calling a Spade a Spade: The 1948 Ethnic Cleansing of Palestine”. Retrieved 3 May 2007. [35]http://domino.un.org/unispal.nsf/9a798adbf322aff38525617b006d88d7/a1c20f7009def4fe85256a70006891fd [36] Notório é que Benny Morris é um apologeta sionista, não fazendo parte do corpo de intelectuais judeus críticos. Morris justifica a limpeza étnica como, segundo ele, a única alternativa para com o risco de genocídio de judeus no mundo http://www.logosjournal.com/morris.htm e também em Ari Shavit (2004)“Survival of the Fittest: Interview with Benny Morris”, Haaretz, 9 de janeiro de 2004. Dissera numa entrevista para o Le Monde em 30 de maio de 2002 que os palestinos são “um povo doente e psicótico” e “Era necessária a remoção de uma população. Sem a expulsão de uma população, não teria sido criado um Estado judaico”. [37] Final Report of the United Nations Economic Survey Mission for the Middle East, 28 de dezembro, publicado por United Nations Conciliation Commission, 1949 http://unispal.un.org/UNISPAL.NSF/0/C2A078FC4065D30285256DF30068D278 [38] «Résolution 194 de l’Assemblée générale de l’Onu» Réseau Voltaire, 11 décembre 1948. [39] Publicado por United Nations Relief and Works Agency, 28 de setembro de 1951. http://unispal.un.org/UNISPAL.NSF/0/8D26108AF518CE7E052565A6006E8948 [40] Yiftachel, Oren. Ethnocracy: Land and Identity Politics in Israel/Palestine. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2006

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

François Hollande "guerra total".




Ab Dull‎

>>> O Ocidente quer banir o Federação Russa do Swift, um sistema que integra mundialmente os bancos . Isso ser ruim para os bancos do Federação Russa.
Com os fracassos das sanções econômicas impostas a Moscou., após anexação da Península da Crimeia , com os Patriótas pró-Rússia mostrando vigor , sim , conquistaram em menos de tres meses cerca de 600 quilômetros quadrados de território, 

Ocidente agora cogita soluções radicais para vencer o conflito.
Sabe-se, porém, que presidente francês, François Hollande, fala no possibilidade de uma "guerra total". François Hollande fala quando se preparava para uma reunião com Vladimir Putin em Moscou na sexta-feira.


Este frase "guerra total"., foi utilizado por traste Reichsminister für Volksaufklärung und Propaganda Joseph Goebbels no Palácio dos Esportes, em Berlim.


Este foi o auge do discurso do traste Reichsminister für Volksaufklärung und Propaganda Joseph Goebbels ...


"Eu lhes pergunto: Vocês querem a guerra total?" Interrompido por aplausos e gritos de "sim", traste Reichsminister für Volksaufklärung und Propaganda insiste pergunta.


"Vocês a querem, se necessário, mais total e radical do que a podemos imaginar hoje?".
E novamente ovação e um "sim" da plateia.


Bem o resultado final foi a a bandeira da União Soviética tremulando sobre o Reichstag. Colocada lá por Camarada comissario oficial político Oleksi Prokopovich Berest , Camarada Mikhail Alekseevich Yegorov e Camarada Meliton Varlamis dze Kantaria que a desfraldaram, triunfantes.


Presidente francês, François Hollande, e seu assecla , o Megatherium, Laurent Fabius , ministro dos Negócios Estrangeiros , diria no minimo xaropes viu , mas não apenas este , são eles pedras no tabuleiro , um tabuleiro que ter jogadas como derrubada de preço do petróleo por sauditas , para ferrar o Iran , para ferrar os russos , dentre outras jogadas temerarias praticadas pelo Ocidente que se acha acima de tudo , com poder para impor suas vontades.

Soma-se que Barack Obama , disse terá mais "custos e consequências" para Moscou. Barack Obama querer armar os Ucranianos ,


Sim , banir o Federação Russa do Swift . , Barack Obama armar seus esqualidos aliados, Petro Oleksiyovych Porkoshenko e nazistóides Banderovets, Putin , que agora ser refem de seus altos indices de popularidade ira acovardar-se ??? . Este vai acabar mal .


Angela Dorothea Merkel diz não apoiar armar os Ucranianos , acho que ela não quer a bandeira da Russia tremulando sobre o Reichstag.


Com tanta ignorancia e maledicencia espalhada , acredito que em breve os vivos irão invejar os mortos .

domingo, 25 de janeiro de 2015

The algorithm







In central London this spring, eight of the world’s greatest minds performed on a dimly lit stage in a wood-panelled theatre. An audience of hundreds watched in hushed reverence. This was the closing stretch of the 14-round Candidates’ Tournament, to decide who would take on the current chess world champion, Viswanathan Anand, later this year.

Each round took a day: one game could last seven or eight hours. Sometimes both players would be hunched over their board together, elbows on table, splayed fingers propping up heads as though to support their craniums against tremendous internal pressure. At times, one player would lean forward while his rival slumped back in an executive leather chair like a bored office worker, staring into space.

Then the opponent would make his move, stop his clock, and stand up, wandering around to cast an expert glance over the positions in the other games before stalking upstage to pour himself more coffee. On a raised dais, inscrutable, sat the white-haired arbiter, the tournament’s presiding official. Behind him was a giant screen showing the four current chess positions. So proceeded the fantastically complex slow-motion violence of the games, and the silently intense emotional theatre of their players.

When Garry Kasparov lost his second match against the IBM supercomputer Deep Blue in 1997, people predicted that computers would eventually destroy chess, both as a contest and as a spectator sport. Chess might be very complicated but it is still mathematically finite. Computers that are fed the right rules can, in principle, calculate ideal chess variations perfectly, whereas humans make mistakes. Today, anyone with a laptop can run commercial chess software that will reliably defeat all but a few hundred humans on the planet. Isn’t the spectacle of puny humans playing error-strewn chess games just a nostalgic throwback?

Such a dismissive attitude would be in tune with the spirit of the times. Our age elevates the precision-tooled power of the algorithm over flawed human judgment. From web search to marketing and stock-trading, and even education and policing, the power of computers that crunch data according to complex sets of if-then rules is promised to make our lives better in every way.

Automated retailers will tell you which book you want to read next; dating websites will compute your perfect life-partner; self-driving cars will reduce accidents; crime will be predicted and prevented algorithmically. If only we minimise the input of messy human minds, we can all have better decisions made for us. So runs the hard sell of our current algorithm fetish.

    If we let cars do the driving, we are outsourcing not only our motor control but also our moral judgment

But in chess, at least, the algorithm has not displaced human judgment. The imperfectly human players who contested the last round of the Candidates’ Tournament — in a thrilling finish that, thanks to unusual tiebreak rules, confirmed the 22-year-old Norwegian Magnus Carlsen as the winner, ahead of former world champion Vladimir Kramnik — were watched by an online audience of 100,000 people. In fact, the host of the streamed coverage, the chatty and personable international master Lawrence Trent, pointedly refused to use a computer engine (which he called ‘the beast’) for his own analyses and predictions.

The idea, he explained, is to try to figure things out for yourself. During a break in the commentary room on the day I was there, Trent was eating crisps and still eagerly discussing variations with his plummily amusing co-presenter, Nigel Short (who himself had contested the World Championship against Kasparov in 1993). ‘He’ll find Qf4; it’s not difficult to find,’ Short assured Trent. ‘Ng8, then it’s…’ ‘It’s game over.’ ‘Game over!’

Chess is an Olympian battle of wits. As with any sport, the interest lies in watching profoundly talented humans operating at the limits of their capability. There does exist a cyborg version of the game, dubbed ‘advanced chess’, in which humans are allowed to use computers while playing. But it is profoundly boring to watch, like a contest over who can use spreadsheet software more effectively, and hasn’t caught on. The ‘beast’ can be a useful helpmeet — Veselin Topalov, a previous challenger for Anand’s world title, used a 10,000-CPU monster in his preparation for that match, which he still lost — but it’s never going to be the main event.

This is a lesson that the algorithm-boosters in the wider culture have yet to learn. And outside the Platonically pure cosmos of chess, when we seek to hand over our decision-making to automatic routines in areas that have concrete social and political consequences, the results might be troubling indeed.

At first thought, it seems like a pure futuristic boon — the idea of a car that drives itself, currently under development by Google. Already legal in Nevada, Florida and California, computerised cars will be able to drive faster and closer together, reducing congestion while also being safer. They’ll drop you at your office then go and park themselves.

What’s not to like? Well, for a start, as the mordant critic of computer-aided ‘solutionism’ Evgeny Morozov points out, the consequences for urban planning might be undesirable to some. ‘Would self-driving cars result in inferior public transportation as more people took up driving?’ he wonders in his new book, To Save Everything, Click Here (2013).

More recently, Gary Marcus, professor of psychology at New York University, offered a vivid thought experiment in The New Yorker. Suppose you are in a self-driving car going across a narrow bridge, and a school bus full of children hurtles out of control towards you. There is no room for the vehicles to pass each other. Should the self-driving car take the decision to drive off the bridge and kill you in order to save the children?

What Marcus’s example demonstrates is the fact that driving a car is not simply a technical operation, of the sort that machines can do more efficiently. It is also a moral operation. (His example is effectively a kind of ‘trolley problem’, of the sort that has lately been fashionable in moral philosophy.) If we let cars do the driving, we are outsourcing not only our motor control but also our moral judgment.

Meanwhile, as Morozov relates, a single Californian company called Impermium provides software to tens of thousands of websites to automatically flag online comments for ‘not only spam and malicious links, but all kinds of harmful content — such as violence, racism, flagrant profanity, and hate speech’. How do Impermium’s algorithms decide exactly what should count as ‘hate speech’ or obscenity? No one knows, because the company, quite understandably, isn’t going to give away its secrets. Yet rather than pursuing mere lexicographical analysis, such a system of automated pre-censorship is, again, making moral judgments.

If self-driving cars and speech-policing systems are going to make hard moral decisions for us, we have a serious stake in knowing exactly how they are programmed to do it. We are unlikely to be content simply to trust Google, or any other company, not to code any evil into its algorithms. For this reason, Morozov and other thinkers say that we need to create a class of ‘algorithmic auditors’ — trusted representatives of the public who can peer into the code to see what kinds of implicit political and ethical judgments are buried there, and report their findings back to us. This is a good idea, though it poses practical problems about how companies can retain the commercial edge provided by their computerised secret sauce if they have to open up their algorithms to quasi-official scrutiny.

If we answer yes, we are giving our blessing to something even more nebulous than thoughtcrime. Call it ‘unconscious brain-state crime’

A further problem is that some algorithms positively must be kept under wraps in order to work properly. It is already possible, for example, for malicious operators to ‘game’ Google’s autocomplete results — sending abusive or libellous descriptions to the top of Google’s suggestions when you type a person’s name — and lawsuits from people affected in this way have already forced the company to delve into the system and change such examples manually. If it were made public exactly how Google’s PageRank algorithm computes the authority of web pages, or how Twitter’s ‘trending’ algorithm determines the popularity of subjects, then unscrupulous self-marketers or vengeful exes would soon be gaming those algorithms for their own purposes too. The vast majority of users would lose out, because the systems would become less reliable.

And it doesn’t necessarily require a malicious individual gaming a system for algorithms to get uncomfortably personal. Automatic analysis of our smartphone geolocation, internet-browsing and social-media data-trails grows ever more sophisticated, and so we can thin-slice demographic categories ever more precisely.

From such information it is possible to infer personal details (such as sexual orientation or use of illegal drugs) that have not been explicitly supplied, and sometimes to identify unique individuals. Even when such information is simply used to target adverts more accurately, the consequences can be uncomfortable. Last year, the journalist Charles Duhigg related a telling anecdote in an article for The New York Times called ‘How Companies Learn Your Secrets’.

A decade ago, the American retailer Target sent promotional baby-care vouchers to a teenage girl in Minneapolis. Her father was so outraged, he went to the shop to complain. The manager was equally taken aback and apologised; a few days later, he called the family to apologise again. This time, it was the father who offered an apology: his daughter really was pregnant, and Target’s ‘predictive analytics’ system knew it before he did.

Such automated augury might be considered relatively harmless if its use is confined to figuring out what products we might like to buy. But it is not going to stop there. One day in the near future — perhaps this has already happened — an innocent crime novelist researching bloody techniques for his latest fictional serial killer will find armed men banging on his door in the middle of the night, because he left a data trail that caused lights to flash red in some preventive-policing algorithm.

Perhaps a few distressed writers is a price we are willing to pay to prevent more murders. But predictive crime prevention is an area that leads rapidly to a dystopian sci-fi vision like that of the film Minority Report (2002).

In Baltimore and Philadelphia, software is already being used to predict which prisoners will reoffend if released. The software works on a crime database, and variables including geographic location, type of crime previously committed, and age of prisoner at previous offence. In so doing, according to a report in Wired in January this year, ‘The software aims to replace the judgments parole officers already make based on a parolee’s criminal record.’ Outsourcing this kind of moral judgment, where a person’s liberty is at stake, understandably makes some people uncomfortable.

First, we don’t yet know whether the system is more accurate than humans. Secondly, even if it is more accurate but less than completely accurate, it will inevitably produce false positives — resulting in the continuing incarceration of people who wouldn’t have reoffended. Such false positives undoubtedly occur, too, in the present system of human judgment, but at least we might feel that we can hold those making the decisions responsible. How do you hold an algorithm responsible?

Still more science-fictional are recent reports claiming that brain scans might be able to predict recidivism by themselves. According to a press release for the research, conducted by the American non-profit organisation the Mind Research Network, ‘inmates with relatively low anterior cingulate activity were twice as likely to reoffend than inmates with high-brain activity in this region’.

Twice as likely, of course, is not certain. But imagine, for the sake of argument, that eventually a 100 per cent correlation could be determined between certain brain states and future recidivism. Would it then be acceptable to deny people their freedom on such an algorithmic basis? If we answer yes, we are giving our blessing to something even more nebulous than thoughtcrime. Call it ‘unconscious brain-state crime’.

 In a different context, such algorithm-driven diagnosis could be used positively: according to one recent study at Duke University in North Carolina, there might be a neural signature for psychopathy, which the researchers at the laboratory of neurogenetics suggest could be used to devise better treatments. But to rely on such an algorithm for predicting recidivism is to accept that people should be locked up simply on the basis of facts about their physiology.


If we erect algorithms as our ultimate judges and arbiters, we face the threat of difficulties not only in law-enforcement but also in culture. In the latter realm, the potential unintended consequences are not as serious as depriving an innocent person of liberty, but they still might be regrettable. For if they become very popular, algorithmic systems could end up destroying what they feed on.

In the early days of Amazon, the company employed a panel of book critics, whose job was to recommend books to customers. When Amazon developed its algorithmic recommendation engine — an automated system based on data about what others had bought — sales shot up. So Amazon sacked the humans.

Not many people are likely to weep hot tears over a few unemployed literary critics, but there still seems room to ask whether there is a difference between recommendations that lead to more sales, and recommendations that are better according to some other criterion — expanding readers’ horizons, for example, by introducing them to things they would never otherwise have tried. It goes without saying that, from Amazon’s point of view, ‘better’ is defined as ‘drives more sales’, but we might not all agree.

Algorithmic recommendation engines now exist not only for books, films and music but also for articles on the internet. There is so much out there that even the most popular human ‘curators’ cannot possibly keep on top of all of it. So what’s wrong with letting the bots have a go? Viktor Mayer-Schönberger is professor of internet governance and regulation at Oxford University; Kenneth Cukier is the data editor of The Economist. In their book Big Data (2013) — which also calls for algorithmic auditors — they sing the praises of one Californian company, Prismatic, that, in their description, ‘aggregates and ranks content from across the Web on the basis of text analysis, user preferences, social-network-related popularity, and big-data analytics’.

 In this way, the authors claim, the company is able to ‘tell the world what it ought to pay attention to better than the editors of The New York Times’. We might happily agree — so long as we concur with the implied judgment that what is most popular on the internet at any given time is what is most worth reading. Aficionados of listicles, spats between technology theorists, and cat-based modes of pageview trolling do not perhaps constitute the entire global reading audience.

So-called ‘aggregators’ — websites, such as the Huffington Post, that reproduce portions of articles from other media organisations — also deploy algorithms alongside human judgment to determine what to push under the reader’s nose. ‘The data,’ Mayer-Schönberger and Cukier explain admiringly, ‘can reveal what people want to read about better than the instincts of seasoned journalists’. This is true, of course, only if you believe that the job of a journalist is just to give the public what it already thinks it wants to read. Some, such as Cass Sunstein, the political theorist and Harvard professor of law, have long worried about the online ‘echo chamber’ phenomenon, in which people read only that which reinforces their currently held views. Improved algorithms seem destined to amplify such effects.

Some aggregator sites have also been criticised for paraphrasing too much of the original article and obscuring source links, making it difficult for most readers to read the whole thing at the original site. Still more remote from the source is news packaged by companies such as Summly — the iPhone app created by the British teenager Nick D’Aloisio — which used another company’s licensed algorithms to summarise news stories for reading on mobile phones. Yahoo recently bought Summly for $USD30 million.

However, the companies that produce news often depend on pageviews to sell the advertising that funds the production of their ‘content’ in the first place. So, to use algorithm-aided aggregators or summarisers in daily life might help to render the very creation of content less likely in the future. In To Save Everything, Click Here, Evgeny Morozov draws a provocative analogy with energy use:

Our information habits are not very different from our energy habits: spend too much time getting all your information from various news aggregators and content farms who merely repackage expensive content produced by someone else, and you might be killing the news industry in a way not dissimilar from how leaving gadgets in the standby mode might be quietly and unnecessarily killing someone’s carbon offsets.

Meanwhile in education, ‘massive open online courses’ known as MOOCs promise (or threaten) to replace traditional university teaching with video ‘lectures’ online. The Silicon Valley hype surrounding these MOOCs has been stoked by the release of new software that automatically marks students’ essays. Computerised scoring of multiple-choice tests has been around for a long time, but can prose essays really be assessed algorithmically? Currently, more than 3,500 academics in the US have signed an online petition that says no, pointing out:

Computers cannot ‘read’. They cannot measure the essentials of effective written communication: accuracy, reasoning, adequacy of evidence, good sense, ethical stance, convincing argument, meaningful organisation, clarity, and veracity, among others.

It would not be surprising if these educators felt threatened by the claim that software can do an important part of their job. The overarching theme of all MOOC publicity is the prospect of teaching more people (students) using fewer people (professors). Will what is left really be ‘teaching’ worth the name?

    One day, the makers of an algorithm-driven psychotherapy app could be sued by the survivors of someone to whom it gave the worst possible advice.

If you are feeling gloomy about the automation of higher education, the death of newspapers, and global warming, you might want to talk to someone — and there’s an algorithm for that, too. A new wave of smartphone apps with eccentric titular orthography (iStress, myinstantCOACH, MoodKit, BreakkUp) promise a psychotherapist in your pocket. Thus far they are not very intelligent, and require the user to do most of the work — though this second drawback could be said of many human counsellors too.

Such apps hark back to one of the legendary milestones of ‘artificial intelligence’, the 1960s computer program called ELIZA. That system featured a mode in which it emulated Rogerian psychotherapy, responding to the user’s typed conversation with requests for amplification (‘Why do you say that?’) and picking up — with its ‘natural-language processing’ skills — on certain key words from the input. Rudimentary as it is, ELIZA can still seem spookily human. Its modern smartphone successors might be diverting, but this field presents an interesting challenge in the sense that, the more sophisticated it gets, the more potential for harm there will be. One day, the makers of an algorithm-driven psychotherapy app could be sued by the survivors of someone to whom it gave the worst possible advice.

What lies behind our current rush to automate everything we can imagine? Perhaps it is an idea that has leaked out into the general culture from cognitive science and psychology over the past half-century — that our brains are imperfect computers. If so, surely replacing them with actual computers can have nothing but benefits. Yet even in fields where the algorithm’s job is a relatively pure exercise in number- crunching, things can go alarmingly wrong.

Indeed, a backlash to algorithmic fetishism is already under way — at least in those areas where a dysfunctional algorithm’s effect is not some gradual and hard-to-measure social or cultural deterioration but an immediate difference to the bottom line of powerful financial organisations. High-frequency trading, where automated computer systems buy and sell shares very rapidly, can lead to the price of a security fluctuating wildly.

 Such systems were found to have contributed to the ‘flash crash’ of 2010, in which the Dow Jones index lost 9 per cent of its value in minutes. Last year, the New York Stock Exchange cancelled trades in six stocks whose prices had exhibited bizarre behaviour thanks to a rogue ‘algo’ — as the automated systems are known in the business — run by Knight Capital; as a result of this glitch, the company lost $440 million in 45 minutes. Regulatory authorities in Europe, Hong Kong and Australia are now proposing rules that would require such trading algorithms to be tested regularly; in India, an algo cannot even be deployed unless the National Stock Exchange is allowed to see it first and decides it is happy with how it works.

Here, then, are the first ‘algorithmic auditors’. Perhaps their example will prompt similar developments in other fields — culture, education, and crime — that are considerably more difficult to quantify, even when there is no immediate cash peril.

A casual kind of post-facto algorithmic auditing was already in evidence in London, at the Candidates’ Tournament. All the chess players gave press conferences after their games, analysing critical positions and showing what they were thinking. This often became a second contest in itself: players were reluctant to admit that they had missed anything (‘Of course, I saw that’), and vied to show they had calculated more deeply than their adversaries.

 On the day I attended, the amiable Anglophile Russian player (and cricket fanatic) Peter Svidler was discussing his colourful but peacefully concluded game with Israel’s Boris Gelfand, last year’s World Championship challenger. Juggling pieces on a laptop screen with a mouse, Svidler showed a complicated line that had been suggested by someone using a computer program. ‘This, apparently, is a draw,’ Svidler said, ‘but there’s absolutely no way anyone can work this out at the board’. The computer’s suggestion, in other words, was completely irrelevant to the game as a sporting exercise.

Now, as the rumpled Gelfand looked on with friendly interest, Svidler jumped to an earlier possible variation that he had considered pursuing during their game, ending up with a baffling position that might have led either to spectacular victory or chaotic defeat. ‘For me,’ he announced, ‘this will be either too funny … or not funny enough’. Everyone laughed. As yet, there is no algorithm for wry comedy.

domingo, 28 de dezembro de 2014

A morte de Hammarskjöld

Dag Hjalmar Agne Carl Hammarskjöld   Secretário-geral da  (ONU)  





Eram nove da noite de 17 de setembro de 1961 e o americano Charles Southall, então jovem piloto da Marinha, descansava em sua casa em Nicósia, Chipre. Na ilha do Mediterrâneo, ele servia numa base naval da NSA, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, que monitorava comunicações de rádio no Oriente Médio. Era responsável por selecionar, entre as mensagens interceptadas, o que deveria ser repassado a autoridades em Washington. Southall trabalhava no turno do dia. Aquela noite, porém, àquela hora, recebeu um telefonema do supervisor de escuta da base – a NSA e a CIA dividiam um prédio de dois andares de concreto, cercado por grades de ferro.

“Acho que vai te interessar vir aqui por volta da meia-noite”, disse o supervisor a Southall, segundo ele lembrou, mais uma vez, numa conversa por telefone com piauí. “Vai acontecer uma coisa interessante.”

Southall rumou para a base, num lugar descampado fora da capital cipriota. Lá, por volta dos dez minutos do dia 18 de setembro, ele ouviu a transmissão de uma gravação feita pouco antes – provavelmente, acredita, por agentes da CIA que estavam nas proximidades da província de Katanga, no Congo, a cerca de 5 mil quilômetros de distância. Em meio aos ruídos de um motor de avião, uma voz masculina “segura e profissional” narrava: “Vejo um avião de transporte vindo em baixa altitude. Todas as luzes estão acesas. Vou chegar perto dele. Sim, é o DC-6 da Transair. É o avião.” Seguia-se o som do disparo de um canhão aéreo, e a voz continuava: “Eu o atingi. Está pegando fogo. Está descendo. Está caindo.”

Southall afirma que as operações da NSA eram totalmente desvinculadas das da CIA e que ele não sabia quem era o alvo dos tiros efetuados pelo personagem da gravação. Deu-se conta no dia seguinte, quando veio a notícia da morte aos 56 anos do sueco Dag Hammarskjöld (pronuncia-se Dóg Hammar-rold), secretário-geral das Nações Unidas, na queda de um Douglas DC-6 cedido à ONU pela companhia sueca Transair. O avião com dezesseis passageiros espatifou-se na floresta quando se preparava para aterrissar no aeroporto de Ndola, na então colônia britânica da Rodésia do Norte, hoje Zâmbia, vizinha ao Congo.

Hammarskjöld – um economista elegante, humanista, filho da aristocracia política sueca – dirigiu a ONU num período tenso da descolonização. Quando assumiu o cargo, em 1953, a entidade tinha sessenta países-membros. Quando morreu, tinha 104, incluindo o Congo, que se tornara independente da Bélgica em 1960. Hammarskjöld criou as primeiras forças de paz das Nações Unidas e institucionalizou o conceito de “diplomacia preventiva”. No momento de sua morte, ele se dirigia a Ndola para negociações com o separatista congolês Moïse Tshombe, que havia declarado a secessão de Katanga com o apoio mais ou menos velado de colonialistas nostálgicos, mas claramente explícito da Union Minière – companhia de capitais belgas, britânicos e sul-africanos que explorava as reservas de cobre, cobalto e urânio da província.

A hipótese de que tenha sido assassinado, recorrente desde sua morte, foi defendida por metade dos seus assessores na época; a outra metade a descartou como teoria conspiratória. Houve quatro investigações oficiais: duas, incluindo a do governo colonial da Rodésia do Norte, atribuíram a queda do DC-6 a um possível erro do piloto; duas, entre elas a realizada pela ONU, deixaram o veredicto em aberto. Agora, a Assembleia Geral das Nações Unidas está prestes a aprovar uma quinta investigação. Segundo uma proposta apresentada pela Suécia em 15 de dezembro, uma comissão de especialistas independentes vai examinar a validade de novos indícios de que a queda do avião de Hammarskjöld foi provocada por um ataque.

Os indícios surgiram a partir de reportagens que o jornal britânico The Guardian fez na Zâmbia em 2011, e do livro Who Killed Hammarskjöld?, de Susan Williams, publicado no mesmo ano. Williams, pesquisadora do Instituto de Estudos da Comunidade Britânica da Universidade de Londres, foi quem localizou o ex-agente da NSA Charles Southall, depois de ver seu nome mencionado num relatório esquecido na Biblioteca Real em Estocolmo. Ela, assim como o Guardian, entrevistou testemunhas africanas que afirmam ter visto explosões no céu e um segundo avião, menor, próximo ao de Hammarskjöld. Além disso, Susan apontou falhas e incoerências na investigação promovida pelas autoridades coloniais britânicas.

O livro e as reportagens do Guardian levaram à criação da Comissão Hammarskjöld, composta por personalidades africanas, suecas e britânicas, que convidaram quatro juristas para investigar os novos indícios. Eles concluíram, em 2013, que havia elementos suficientes para justificar a reabertura do inquérito da ONU. Diante dos achados, o atual secretário-geral, Ban Ki-moon, pediu à Assembleia Geral que tomasse uma decisão. A resolução sueca inclui um apelo para que os países liberem “toda documentação relevante” e informem o secretário acerca de qualquer dado importante de que disponham sobre a morte de Hammarskjöld.

A Comissão Hammarskjöld, que se desfez depois de encerrada sua missão, já tentara obter acesso a documentos da NSA relativos à gravação relatada por Southall, mas fora informada de que dois de três papéis pertinentes não poderiam ser divulgados por razões de segurança nacional.

Apesar da negativa, Susan Williams acredita que é chegado o momento de retirar os véus que ainda encobrem a história do colonialismo. “Quando as investigações anteriores ocorreram, o balanço histórico e a memória histórica ainda eram muito dominados pela visão britânica. Ninguém mais teve a chance de expor seu ponto de vista e, se teve, ele foi desconsiderado. Hoje a Guerra Fria acabou, o colonialismo acabou, o apartheid acabou, e as pessoas podem ver mais claramente”, disse por telefone, de Londres.



Além do caso do secretário-geral da ONU, outros mistérios rondam a história recente do Congo. Um dos integrantes da Comissão Hammarskjöld foi o lorde trabalhista britânico David Lea, o barão Lea de Crondall. Em abril de 2013, ele enviou uma carta à London Review of Books comentando a resenha de um livro sobre o Império Britânico. Na carta, revelava uma conversa que tivera com a colega Daphne Park, membro da bancada conservadora na Câmara dos Lordes. Entre 1959 e 1961, Daphne chefiara o serviço de espionagem exterior britânico, o MI6, na capital congolesa Leopoldville, hoje Kinshasa.

Segundo Lea, os dois compartilhavam um prosaico chá das cinco quando ele mencionou rumores de que, além da CIA e dos belgas, também o MI6 participara da conspiração para assassinar o carismático Patrice Lumumba, o primeiro premiê eleito do Congo independente – uma figura tão simbólica para os anticolonialistas na África quanto Salvador Allende é para a esquerda latino-americana. A baronesa Daphne – já falecida quando Lea escreveu à LRB – teria então confirmado: “Fomos nós. Fui eu quem organizei.”

David Lea depois reafirmaria o que escreveu, embora dissesse não ter mais nada a acrescentar. Segundo ele, a baronesa havia argumentado que, se deixado vivo, Lumumba – apeado do poder apenas três meses depois de empossado – entregaria as reservas minerais do país aos soviéticos, a quem pedira ajuda contra os separatistas de Katanga. Lumumba foi assassinado em janeiro de 1961, nove meses antes da morte de Hammarskjöld. Seu corpo foi desmembrado, a carne dissolvida em ácido sulfúrico, os ossos enterrados em diferentes lugares.



A história do colonialismo é um rol de barbaridades. No Congo, porém, ela deixou um rastro especialmente trágico. O navegador português Diogo Cão foi o primeiro europeu a aportar, em 1482, na foz do rio Congo, que corta o coração do continente por 4 700 quilômetros. Nove anos depois – como conta o jornalista americano Adam Hochschild no livro King Leopold’s Ghost –, uma expedição portuguesa estabeleceu uma representação no Reino do Congo, obtendo permissão para abrir igrejas e escolas. Ao comércio de marfim seguiu-se o de pessoas. Embora a escravidão fosse disseminada na maior parte da África – geralmente atingindo prisioneiros de guerra –, nada se comparava ao volume do tráfico para a América recém-descoberta.

Um rei congolês da época, Nzinga Mbemba, foi convertido ao catolicismo pelos padres portugueses, e governou sob o nome de Afonso I. Em 1526, ele dirigiu um apelo ao colega de Portugal João III. “A cada dia os comerciantes estão sequestrando nossa gente – filhos dessa terra, filhos de nossos nobres e vassalos, até pessoas de nossa própria família. É nossa vontade que esse reino não seja um lugar para o comércio ou o transporte de escravos”, escreveu numa carta. João III – denominado O Pio – não se apiedou nem da coroa nem da fé cristã do africano. “Você [...] me diz que não quer o comércio de escravos em seus domínios, porque o comércio está despovoando seu país. [...] Os portugueses lá, ao contrário, me contam o quão vasto é o Congo, e como é tão densamente povoado que parece que nenhum escravo saiu daí”, respondeu.

No final do século XIX, com a escravidão transatlântica formalmente encerrada, começou a corrida europeia pela partilha da África. Sob o nome de Estado Livre do Congo, o território teve a particularidade de virar propriedade de um homem só, o rei belga Leopoldo II, que se associou ao escocês Henry Morton Stanley, jornalista e explorador típico da era vitoriana. Calcula-se que, entre 1885 e 1908, durante a administração de Leopoldo II, 10 milhões de congoleses tenham sido mortos em trabalhos forçados para a extração de borracha e do marfim.

Foi nessa época que o marinheiro mercante Joseph Conrad, nascido na Polônia e naturalizado britânico, capitaneou um vapor belga que trafegava pelo rio Congo. A experiência inspirou seu livro No Coração das Trevas, sobre as buscas a um comerciante de marfim, Kurtz, que enlouquece na selva africana. No filme Apocalypse Now, Francis Ford Coppola transpôs a história para o Sudeste Asiático durante a Guerra do Vietnã, com Marlon Brando como um Kurtz coronel das Forças Especiais. “A conquista da terra [...] nunca é uma coisa bonita quando a examinamos bem de perto,” escreveu Conrad.

No início do século XX, o jornalista e ativista socialista britânico Edmund Dene Morel liderou uma campanha contra o trabalho escravo no Congo. Com a repercussão do caso, Leopoldo II cedeu a colônia ao Estado, que a renomeou Congo Belga. Nos anos 40, foi das minas da província de Katanga que os Estados Unidos retiraram o urânio – uma jazida com extremo grau de pureza – para a confecção da bomba lançada sobre Hiroshima.



Quando Hammarskjöld morreu, as reservas minerais congolesas continuavam a alimentar uma posição dúbia dos Estados Unidos e do Reino Unido em relação ao país africano. Washington apoiava a descolonização, mas não queria perder o acesso ao urânio. Sob John F. Kennedy, a diplomacia adotava posições mais brandas, mas falcões continuavam no comando da CIA. Os britânicos temiam que a independência do Congo acelerasse o fim do regime da minoria branca – em nada diferente do apartheid sul-africano – que vigorava na Federação da Rodésia e da Niassalândia, formada pelos atuais Zâmbia, Malauí e Zimbábue. Já os soviéticos pressionavam o secretário-geral sueco a atuar com mais rigor contra os separatistas de Katanga e os mercenários europeus que os serviam. Embora o Conselho de Segurança tivesse determinado a retirada dos paramilitares estrangeiros do Congo, americanos e britânicos (além de belgas e franceses) protestaram quando as forças de paz da ONU no país lançaram operações para prender e deportar esses combatentes a soldo.

“A ONU era vista como uma ameaça pelo governo britânico, especialmente pelo lobby de Katanga e pelas minorias brancas no poder na Federação da Rodésia e Niassalândia. Não seria incorreto dizer que muitos rodesianos, como muitos belgas no Congo, detestavam a ONU e Hammarskjöld. Quando aquele avião foi para Ndola, estava literalmente voando para o coração dessa guerra racial”, disse Susan Williams.

A pesquisadora deparou-se com as incógnitas que cercam a morte do secretário-geral quando começava a escrever um livro sobre a memória britânica da descolonização. Antes cética a respeito do suposto assassinato do sueco, ela mudou de ideia – e de objeto – diante das fotos do corpo de Hammarskjöld. Pesquisava no arquivo de Roy Welensky, que em 1961 era primeiro-ministro da Federação da Rodésia e da Niassalândia, quando descobriu, entre os documentos (hoje na Universidade de Oxford), seis fotografias. Em três delas, o secretário-geral estava vestido, sobre uma maca, antes de ser levado ao necrotério. Apesar de o avião ter se incinerado (ou sido incendiado, segundo algumas teorias), o corpo estava intacto, “nem chamuscado nem coberto de pó”, conforme descreve Susan. Em todas as imagens, a área do olho direito ou aparecia encoberta ou parecia ter sido retocada (peritos divergem), o que alimentou a suspeita de que Hammarskjöld, ainda vivo, tenha sido abatido com um tiro. No colarinho da camisa, alguém enfiou uma carta de baralho – que rumores nunca confirmados disseram ser um ás de aspadas, a carta da morte.

O general norueguês Bjorn Egge, que trabalhava para a ONU no Congo, foi enviado a Ndola para recolher os pertences de Hammarskjöld. Ele viu o corpo do secretário-geral e notou um buraco na testa que considerou compatível com um ferimento a bala. Projeteis foram encontrados nos corpos de outras vítimas da queda; na época isso foi atribuído à explosão da munição transportada pelo avião.

Dos dezesseis passageiros do DC-6, catorze tiveram os corpos total ou parcialmente carbonizados. O único sobrevivente foi o sargento americano Harold Julien, um veterano da Guerra da Coreia que era chefe da segurança do secretário-geral. Com o corpo muito queimado, o militar morreu seis dias depois. No hospital de Ndola, contou a um policial, a enfermeiras e médicos que vislumbrou faíscas no céu e escutou uma explosão antes da queda. Disse também ter ouvido Hammarskjöld gritar para o piloto: “Volte, volte.” Os relatos de Julien foram descartados no inquérito comandado pelas autoridades brancas da Rodésia do Norte, sob a alegação de que ele estava delirando.

A equipe oficial de socorro chegou aos destroços quinze horas depois da queda – apesar de esta ter ocorrido a apenas 13 quilômetros do aeroporto. A mais alta autoridade a esperar ali o secretário-geral era Cuthbert Alport, alto comissário britânico para a Federação da Rodésia e da Niassalândia. Diante do atraso na aterrissagem – O DC-6 já tinha iniciado o procedimento de descida quando sumiu–, Alport não ordenou buscas imediatas. Disse que Hammarskjöld possivelmente tinha decidido “ir para outro lugar” e mandou fechar o aeroporto. Nesse meio tempo, existem abundantes relatos de que outras pessoas passaram pelo local dos destroços – de africanos moradores de aldeias próximas a colonos brancos e homens uniformizados. “Há claras evidências de que os governos britânico e da Rodésia tentaram encobrir as circunstâncias da queda”, acusou Susan Williams.

Desde que a Comissão Hammarskjöld divulgou seu relatório, os Estados Unidos liberaram apenas um dentre os documentos secretos sobre o caso. Trata-se de um telegrama enviado pelo embaixador no Congo, Ed Gullion, na manhã de 18 de setembro de 1961, no qual ele atribui a queda do DC-6 à possível ação de um piloto mercenário belga de Katanga que andava ameaçando as operações da ONU na região. Dois dias depois, o ex-presidente Harry Truman, tido como confidente de John Kennedy, deu declarações enigmáticas. “Dag Hammarskjöld estava prestes a conseguir alguma coisa quando o mataram. Reparem que eu falei ‘quando o mataram’”, disse Truman a jornalistas, segundo registrou The New York Times.



Ainda ativo e com a voz firme, Charles Southall tem hoje 80 anos e é comandante aposentado da reserva da Marinha. Logo depois da queda do avião do secretário-geral, ele foi transferido para a embaixada americana no Marrocos, como espião da Agência de Inteligência da Defesa. No final dos anos 60, recebeu uma “proposta irresistível” para trabalhar na petrolífera Mobil. Há quarenta anos montou sua própria empresa de inteligência comercial, a Omnifact. “Temos meios altamente tecnológicos de encontrar as informações que as pessoas querem”, disse. Vive entre Portland, no estado americano do Oregon, e Londres.

Southall disse que em 1994 foi entrevistado em Casablanca por um enviado do Ministério do Exterior sueco. O documento que Susan Williams encontrou na Biblioteca Real em Estocolmo é o relato dessa conversa. Também afirmou que ofereceu seus préstimos ao governo americano para esclarecer o contexto da gravação que ouviu naquela noite, há 53 anos. Ele entregou a Susan Williams mensagens que trocou nos anos 90 com analistas do Escritório de Inteligência e Pesquisa do Departamento de Estado, que o procuraram para saber o que sabia sobre a queda do avião de Hammarskjöld. Ofereceu-se então para procurar documentos que comprovassem a gravação, mas a conversa não prosperou. “Pela minha experiência, posso prever que os americanos ou vão negar que tenham essa gravação ou vão dizer que ela continua secreta e se negarão a divulgá-la”, disse ele, convicto de que a CIA teve alguma participação na trama contra o secretário-geral.

Ao apresentar à Assembleia Geral sua proposta de resolução, o embaixador sueco na ONU, Per Thöresson, disse esperar que a nova comissão da entidade que se debruçará sobre o caso “ajude a jogar novas luzes sobre as circunstâncias da morte de Dag Hammarskjöld e das outras pessoas a bordo daquele voo, não apenas dando publicidade a documentos que existam, mas também ouvindo as testemunhas que nunca receberam a devida atenção”.

Quanto ao Congo, sua danação continua. Depois do assassinato de Lumumba, o país foi governado por mais de 30 anos pelo ditador Mobuto Sese Seko. Há duas décadas vive um conflito esquecido que já matou 6 milhões de pessoas, o maior em número de vítimas desde a Segunda Guerra. Ruanda, Uganda e mais sete países vizinhos já intervieram no território congolês em apoio a diferentes grupos beligerantes, que se comportam como bandidos violentos – estupros em massa, queima de aldeias, sequestros de crianças para engrossar suas fileiras. Apesar da presença de uma força de intervenção da ONU, o conflito continua. As facções vivem da exploração das minas. Na atualidade, o mineral mais cobiçado do Congo é o coltan, de onde se extrai o nióbio e o tântalo, usados na fabricação de produtos eletrônicos.

“Nunca é uma coisa bonita quando a examinamos bem de perto.”

 por CLAUDIA ANTUNES

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Existiu na Terra uma civilização superdesenvolvida antes do aparecimento do homem na Terra.

Os cientistas russos fizeram uma declaração sensacional: existiu na Terra uma civilização superdesenvolvida antes do aparecimento do homem na Terra.

Os investigadores das regiões de Rostov e de Krasnodar chegaram a essa conclusão depois de uma descoberta única feita por um habitante da cidade de Labinsk. Quando pescava, Viktor Morozov descobriu uma pedra desconhecida, no interior da qual se encontrava um microchip, informa o jornal Mir Novostei.

Depois de analisar o “artefato” encontrado, os especialistas concluíram que ele pertenceu a uma civilização mais desenvolvida do que a humana, que viveu na Terra antes de nós.

A descoberta única conservou-se desde tempos antigos por ter estado “mergulhada” na pedra, explicam os cientistas.

Na véspera, no laboratório do Instituto Politécnico de Novocherkassk, região de Rostov, foi realizado, com os esforços da cadeira de geologia, um estudo para determinar a idade da descoberta.

 Constatou-se que a pedra anormal tem cerca de 250 milhões de anos. Este fato é uma prova da existência na Terra de uma civilização ultradesenvolvida muito antes do aparecimento do homem antigo. Provavelmente, nós só num futuro longínquo possamos atingir o nível de tecnologia por ele alcançado.