sábado, 17 de maio de 2014

CÓDIGO DE HAMURÁBI


CÓDIGO DE HAMURÁBI



Khammu-rabi, rei da Babilônia no 18º século A.C., estendeu grandemente o seu império e governou uma confederação de cidades-estado.. Erigiu, no final do seu reinado, uma enorme "estela" em diorito, na qual ele é retratado recebendo a insígnia do reinado e da justiça do rei Marduk.

Adicionar legenda
Abaixo mandou escreverem 21 colunas, 282 cláusulas que ficaram conhecidas como Código de Hamurábi (embora abrangesse também antigas leis).
A estela com o código de Hamurabi – O mais antigo registro de leis escritas

Muitas das provisões do código referen-se às três classes sociais: a do "awelum" (filho do homem" , ou seja, a classe mais alta, dos homens livres, que era merecedora de maiores compensações por injúrias - retaliações - mas que por outro lado arcava com as multas mais pesadas por ofensas); no estágio imediatamente inferior, a classe do "mushkenum", cidadão livre mas de menor ststus e obrigações mais leves; por último, a classe do "wardum", escravo marcado que no entanto, podia ter propriedade. O código referia-se também ao comércio (no qual o caixeiro viajante ocupava lugar importante), à família (inclusive o divórcio, o pátrio poder, a adoção, o adultério, o incesto), ao trabalho (precursor do salário mínimo, das categorias profissionais, das leis trabalhistas), à propriedade.

Quanto às leis criminais, vigorava a "lex talionis" : a pena de morte era largamente aplicada, seja na fogueira, na forca, seja por afogamento ou empalação. A mutilação era infligida de acordo com a natureza da ofensa.

A noção de "uma vida por uma vida" atingia aos filhos dos causadores de danos aos filhos dos ofendidos. As penalidades infligidas sob o Código de Hamurabi, ficavam entre os brutais excessos das punições corporais das leismesopotâmica Assírias e das mais suaves, dos hititas.

A codificação propunha-se a implantação da justiça na terra, a destruição do mal, a prevenção da  opressão do fraco pelo forte, a propiciar o bem estar do povo e iluminar o mundo. Essa legislação estendeu-se pela Assíria, pela judéia e pela Grécia.

PRÓLOGO _ "Quando o alto Anu, Rei de Anunaki e Bel, Senhor da Terra d dos Céus, determinador dos destinos do mundo, entregou o governo de toda humanidade a Marduk... quando foi pronunciado o alto nome da Babilônia; quando ele a fez famosa no mundo e nela estabeleceu um duradouro reino cujos alicerces tinham a firmeza do céu e da terra - por esse tempo de Anu e Bel me chamaram, a mim, Hamurabi, o excelso príncipe, o adorador dos deuses, para implantar a justiça na terra, para destruir os maus e o mal, para prevenir a opressão do fraco pelo forte... para iluminar o mundo e propiciar o bem-estar do povo. Hamurabi, governador escolhido por Bel, sou eu, eu o que trouxe a abundância à terra; o que fez obra completa para Nippur e Durilu; o que deu vida à cidade de Uruk; o que supriu água com abundância aos seus habitantes;... o que tornou bela a cidade de Borsippa;... o que enceleirou grãos para a poderosa Urash;... o que ajudou o povo em tempo de necessidade; o que estabeleceu a segurança na Babilônia; o governador do povo, o servo cujos feitos são agradáveis a Anunit".


I - SORTILÉGIOS, JUÍZO DE DEUS, FALSO TESTEMUNHO, PREVARICAÇÃO DE JUÍZES

1º - Se alguém acusa um outro, lhe imputa um sortilégio, mas não pode dar a prova disso, aquele que acusou, deverá ser morto.

2º - Se alguém avança uma imputação de sortilégio contra um outro e não a pode provar e aquele contra o qual a imputação de sortilégio foi feita, vai ao rio, salta no rio, se o rio o traga, aquele que acusou deverá receber em posse à sua casa. Mas, se o rio o demonstra inocente e ele fica ileso, aquele que avançou a imputação deverá ser morto, aquele que saltou no rio deverá receber em posse a casa do seu acusador.

3º - Se alguém em um processo se apresenta como testemunha de acusação e, não prova o que disse, se o processo importa perda de vida, ele deverá ser morto.

4º - Se alguém se apresenta como testemunha por grão e dinheiro, deverá suportar a pena cominada no processo.

5º - Se um juiz dirige um processo e profere uma decisão e redige por escrito a sentença, se mais tarde o seu processo se demonstra errado e aquele juiz, no processo que dirigiu, é convencido de ser causa do erro, ele deverá então pagar doze vezes a pena que era estabelecida naquele processo, e se deverá publicamente expulsá-lo de sua cadeira de juiz. Nem deverá ele voltar a funcionar de novo como juiz em um processo.


II - CRIMES DE FURTO E DE ROUBO, REIVINDICAÇÃO DE MÓVEIS

6º - Se alguém furta bens do Deus ou da Corte deverá ser morto; e mais quem recebeu dele a coisa furtada também deverá ser morto.

7º - Se alguém, sem testemunhas ou contrato, compra ou recebe em depósito ouro ou prata ou um escravo ou uma escrava, ou um boi ou uma ovelha, ou um asno, ou outra coisa de um filho alheio ou de um escravo, é considerado como um ladrão e morto.

8º - Se alguém rouba um boi ou uma ovelha ou um asno ou um porco ou um barco, se a coisa pertence ao Deus ou a Corte, ele deverá dar trinta vezes tanto; se pertence a um liberto, deverá dar dez vezes tanto; se o ladrão não tem nada para dar, deverá ser morto.

9º - Se alguém, a quem foi perdido um objeto, o acha com um outro, se aquele com o qual o objeto perdido é achado, diz: - "um vendedor mo vendeu diante de testemunhas, eu o paguei" - e o proprietário do objeto perdido diz: "eu trarei testemunhas que conhecem a minha coisa perdida" - o comprador deverá trazer o vendedor que lhe transferiu o objeto com as testemunhas perante às quais o comprou e o proprietário do objeto perdido deverá trazer testemunhas que conhecem o objeto perdido. O juiz deverá examinar os seus depoimentos, as testemunhas perante as quais o preço foi pago e aquelas que conhecem o objeto perdido devem atestar diante de Deus reconhecê-lo. O vendedor é então um ladrão e morrerá; o proprietário do objeto perdido o recobrará, o comprador recebe da casa do vendedor o dinheiro que pagou.

10º - Se o comprador não apresenta o vendedor e as testemunhas perante as quais ele comprou, mas, o proprietário do objeto perdido apresenta um testemunho que reconhece o objeto, então o comprador é o ladrão e morrerá. O proprietário retoma o objeto perdido.

11º - Se o proprietário do objeto perdido não apresenta um testemunho que o reconheça, ele é um malvado e caluniou; ele morrerá.

12º - Se o vendedor é morto, o comprador deverá receber da casa do vendedor o quíntuplo.

13º - Se as testemunhas do vendedor não estão presentes, o juiz deverá fixar-lhes um termo de seis meses; se, em seis meses, as suas testemunhas não comparecerem, ele é um malvado e suporta a pena desse processo.

14º - Se alguém rouba o filho impúbere de outro, ele é morto.

15º - Se alguém furta pela porta da cidade um escravo ou uma escrava da Corte ou um escravo ou escrava de um liberto, deverá ser morto.

16º - Se alguém acolhe na sua casa, um escravo ou escrava fugidos da Corte ou de um liberto e depois da proclamação pública do mordomo, não o apresenta, o dono da casa deverá ser morto.

17º - Se alguém apreende em campo aberto um escravo ou uma escrava fugidos e os reconduz ao dono, o dono do escravo deverá dar-lhe dois siclos.

18º - Se esse escravo não nomeia seu senhor, deverá ser levado a palácio; feitas todas as indagações, deverá ser reconduzido ao seu senhor.

19º - Se ele retém esse escravo em sua casa e em seguida se descobre o escravo com ele, deverá ser morto.

20º - Se o escravo foge àquele que o apreendeu, este deve jurar em nome de Deus ao dono do escravo e ir livre.

21º - Se alguém faz um buraco em uma casa, deverá diante daquele buraco ser morto e sepultado.

22º - Se alguém comete roubo e é preso, ele é morto.

23º - Se p salteador não é preso, o roubado deverá diante de Deus reclamar tudo que lhe foi roubado; então a aldeia e o governador, em cuja terra e circunscrição o roubo teve lugar, devem indenizar-lhe os bens roubados por quanto foi perdido.

24º - Se eram pessoas, a aldeia e o governador deverão pagar uma mina aos parentes.

25º - Se na casa de alguém aparecer um incêndio e aquele que vem apagar, lança os olhos sobre a propriedade do dono da casa, e toma a propriedade do dono da casa, ele deverá ser lançado no mesmo fogo.

III - DIREITOS E DEVERES DOS OFICIAIS, DOS GREGÁRIOS E DOS VASSALOS EM GERAL, ORGANIZAÇÃO DO BENEFÍCIO

26º - Se um oficial ou um gregário que foi chamado às armas para ir no serviço do rei, não vai e assolda um mercenário e o seu substituto parte, o oficial ou o gregário deverá ser morto, aquele que o tiver substituído deverá tomar posse da sua casa.

27º - Se um oficial ou um gregário foi feito prisioneiro na derrota do rei, e em seguida o seu campo e o seu horto foram dados a um outro e este deles se apossa, se volta a alcançar a sua aldeia, se lhe deverá restituir o campo e o horto e ele deverá retomá-los.

28º - Se um oficial ou um gregário foi feito prisioneiro na derrota do rei, se depois o seu filho pode ser investido disso, se lhe deverá dar o campo e horto e ele deverá assumir o benefício de seu pai.

29º - Se o filho é ainda criança e não pode ser dele investido, um terço do campo e do horto deverá ser dado à progenitora e esta deverá sustentá-lo.

30º - Se um oficial um ou gregário descura e abandona seu campo, o horto e a casa em vez de gozá-los, e um outro toma posse do seu campo, do horto e da casa; se ele volta e pretende seu campo, horto e casa, não lhe deverão ser dados, aquele que deles tomou posse e os gozou, deverá continuar a gozá-los.

31º - Se ele abandona por um ano e volta, o campo, o horto e a casa lhe deverão ser restituídos e ele deverá assumi-los de novo.

32º - Se um negociante resgata um oficial, ou um soldado que foi feito prisioneiro no serviço do rei, e o conduz à sua aldeia, se na sua casa há com que resgatá-lo, ele deverá resgatar-se; se na sua casa não há com que resgatá-lo, ele deverá ser libertado pelo templo de sua aldeia; se no templo de sua aldeia não há com que resgatá-lo, deverá resgatá-lo a Corte. O seu campo, horto e casa não deverão ser dados pelo seu resgate.

33º - Se um oficial superior foge ao serviço e coloca um mercenário em seu lugar no serviço do rei e ele parte, aquele oficial deverá ser morto.

34º - Se um oficial superior furta a propriedade de um oficial inferior, prejudica o oficial, dá o oficial a trabalhar por soldada, entrega o oficial em um processo a um poderoso, furta o presente que o rei deu ao oficial, aquele deverá ser morto.

35º - Se alguém compra ao oficial bois ou ovelhas, que o rei deu a este, perde o seu dinheiro.

36º - O campo, o horto e a casa de um oficial, gregário ou vassalo não podem ser vendidos.

37º - Se alguém compra o campo, o horto e a casa de um oficial, de um gregário, de um vassalo, a sua tábua do contrato de venda é quebrada e ele perde o seu dinheiro; o campo, o horto e a casa voltam ao dono.

38º - Um oficial, gregário, ou vassalo não podem obrigar por escrito nem dar em pagamento de obrigação à própria mulher ou à filha o campo, o horto e a casa do seu benefício.

39º - O campo, o horto e a casa, que eles compraram e possuem (como sua propriedade) podem ser obrigados por escrito e dadas em pagamento de obrigação à própria mulher e à filha.

40º - Eles podem vender a um negociante ou outro funcionário do Estado, seu campo, horto e casa. O comprador recebe em gozo e campo, o horto e a casa que comprou.

41º - Se alguém cercou de sebes o campo, o horto e a casa de um oficial, de um gregário ou de um vassalo e forneceu as estacas necessárias, se o oficial, o gregário ou o vassalo voltam ao campo, horto ou casa, deverão ter como sua propriedade as estacas que lhes foram dadas.


IV - LOCAÇÕES E REGIMEN GERAL DOS FUNDOS RÚSTICOS, MÚTUO, LOCAÇÃO DE CASAS, DAÇÃO EM PAGAMENTO

42º - Se alguém tomou um campo para cultivar e no campo não fez crescer trigo, ele deverá ser convencido que fez trabalhos no campo e deverá fornecer ao proprietário do campo quanto trigo exista no do vizinho.

43º - Se ele não cultiva o campo e o deixa em abandono, deverá dar ao proprietário do campo quanto trigo haja no campo vizinho e deverá cavar e destorroar o campo, que ele deixou ficar inculto e restituí-lo ao proprietário.

44º - Se alguém se obriga a por em cultura, dentro de três anos, um campo que jaz inculto, mas é preguiçoso e não cultiva o campo, deverá no quarto ano cavar, destorroar e cultivar o campo inculto e restituí-lo ao proprietário e por cada dez gan pagar dez gur de trigo.

45º - Se alguém dá seu campo a cultivar mediante uma renda e recebe a renda do seu campo, mas sobrevem uma tempestade e destrói a safra, o dano recai sobre o cultivador.

46º - Se ele não recebe a renda do seu campo, mas o dá pela terça ou quarta parte, o trigo que está no campo deverá ser dividido segundo as partes entre o cultivador e o proprietário.

47º - Se o cultivador, porque no primeiro ano não plantou a sua estância, deu a cultivar o campo, o proprietário não deverá culpá-lo; o seu campo foi cultivado e, pela colheita, ele receberá o trigo segundo o seu contrato.

48º - Se alguém tem um débito a juros, e uma tempestade devasta o seu campo ou destrói a colheita, ou por falta d'água não cresce o trigo no campo, ele não deverá nesse ano dar trigo ao credor, deverá modificar sua tábua de contrato e não pagar juros por esse ano.

49º - Se alguém toma dinheiro a um negociante e lhe concede um terreno cultivável de trigo ou de sésamo, incumbindo-o de cultivar o campo, colher o trigo ou o sésamo que aí crescerem e tomá-los para si, se em seguida o cultivador semeia no campo trigo ou sésamo, por ocasião da colheita o proprietário do campo deverá receber o trigo ou o sésamo que estão no campo e dar ao negociante trigo pelo dinheiro que do negociante recebeu, pelos juros e moradia do cultivador.

50º - Se ele dá um campo cultivável (de trigo) ou um campo cultivável de sésamo, o proprietário do campo deverá receber o trigo ou o sésamo que estão no campo e restituir ao negociante o dinheiro com os juros.

51º - Se não tem dinheiro para entregar, deverá dar ao negociante trigo ou sésamo pela importância do dinheiro, que recebeu do negociante e os juros conforme a taxa real.

52º - Se o cultivador não semeou no campo trigo ou sésamo, o seu contrato não fica invalidado.

53º - Se alguém é preguiçoso no ter em boa ordem o próprio dique e não o tem em conseqüência se produz uma fenda no mesmo dique e os campos da aldeia são inundados d'água, aquele, em cujo dique se produziu a fenda, deverá ressarcir o trigo que ele fez perder.

54º - Se ele não pode ressarcir o trigo, deverá ser vendido por dinheiro juntamente com os seus bens e os agricultores de quem o trigo foi destruído, dividirão entre si.

55º - Se alguém abre o seu reservatório d'água para irrigar, mas é negligente e a água inunda o campo de seu vizinho, ele deverá restituir o trigo conforme o produzido pelo vizinho.

56º - Se alguém deixa passar a água e a água inunda as culturas do vizinho, ele deverá pagar-lhe por cada dez gan dez gur de trigo.

57º - Se um pastor não pede licença ao proprietário do campo para fazer pastar a erva às ovelhas e sem o consentimento dele faz pastarem as ovelhas no campo, o proprietário deverá ceifar os seus campos e o pastor que sem licença do proprietário fez pastarem as ovelhas no campo, deverá pagar por junto ao proprietário vinte gur de trigo por cada dez gan.

58º - Se depois que as ovelhas tiverem deixado o campo da aldeia e ocupado o recinto geral à porta da cidade, um pastor deixa ainda as ovelhas no campo e as faz pastarem no campo, este pastor deverá conservar o campo em que faz pastar e por ocasião da colheita deverá responder ao proprietário do campo, por cada dez gan sessenta gur.

59º - Se alguém, sem ciência do proprietário do horto, corta lenha no horto alheio, deverá pagar uma meia mina.

60º - Se alguém entrega a um hortelão um campo para plantá-lo em horto e este o planta e o cultiva por quatro anos, no quinto, proprietário e hortelão deverão dividir entre si e o proprietário do horto tomará a sua parte.

61º - Se o hortelão não leva a termo a plantação do campo e deixa uma parte inculta, dever-se-á consignar esta no seu quinhão.

62º - Se ele não reduz a horto o campo que lhe foi confiado, se é campo de espigas, o hortelão deverá pagar ao proprietário o produto do campo pelos anos em que ele fica inculto na medida da herdade do vizinho, plantar o campo cultivável e restituí-lo ao proprietário.

63º - Se ele transforma uma terra inculta num campo cultivado e o restitui ao proprietário, ele deverá pagar em cada ano dez gur de trigo por cada dez gan.

64º - Se alguém dá o horto a lavrar a um hortelão pelo tempo que tem em aluguel o horto, deverá dar ao proprietário duas partes do produto do horto e conservar para si a terça parte.

65º - Se o hortelão não lavra o horto e o produto diminui, o hortelão deverá calcular o produto pela parte do fundo vizinho.

* * *

LACUNAS DE CINCO COLUNAS; CALCULAM EM 35 PARÁGRAFOS

Pertencem à lacuna os seguintes parágrafos deduzidos da biblioteca de Assurbanipal:

1 - Se alguém toma dinheiro a um negociante e lhe dá um horto de tâmaras e lhe diz: - "as tâmaras que estão no meu horto tomei-as por dinheiro": e o negociante não aceita, então o proprietário deverá tomar as tâmaras que estão no horto, entregar ao negociante o dinheiro e juros, segundo o teor de sua obrigação; as tâmaras excedentes que estão no jardim deverá tomá-las o proprietário.

2 - Se um inquilino paga ao dono da casa a inteira soma do seu aluguel por um ano e o proprietário, antes de decorrido o termo do aluguel, ordena ao inquilino de mudar-se de sua casa antes de passado o prazo, deverá restituir uma quota proporcional à soma que o inquilino lhe deu.

3 - Se alguém deve trigo ou dinheiro e não tem trigo ou dinheiro com que pagar, mas, possui outros bens, deverá levar diante dos anciãos o que está à sua disposição e dá-lo ao negociante. Este deve aceitar sem exceção.


V - RELAÇÕES ENTRE COMERCIANTES E COMISSIONÁRIOS

100º - Com os juros do dinheiro na medida da soma recebida, deverá entregar uma obrigação por escrito e pagar o negociante no dia do vencimento.

101º - Se no lugar onde foi não fechou negócio o comissionário, deverá deixar intato o dinheiro que recebeu e restituí-lo ao negociante.

102º - Se um negociante emprestou dinheiro a um comissionário para suas empresas e ele, no lugar para onde se conduz, sofre um dano, deverá indenizar o capital ao negociante.

103º - Se, durante a viagem, o inimigo lhe leva alguma coisa do que ele conduz consigo, o comissionário deverá jurar em nome de Deus e ir livre.

104º - Se um negociante confia a um comissionário, para venda, trigo, lã, azeite, ou outras mercadorias, o comissionário deverá fazer uma escritura da importância e reembolsar o negociante. Ele deverá então receber a quitação do dinheiro que dá ao mercador.

105º - Se o comissionário é negligente e não retira a quitação da soma que ele deu ao negociante, não poderá receber a soma que não é quitada.

106º - Se o comissionário toma dinheiro ao negociante e tem questão com o seu negociante, este deverá perante Deus e os anciãos convencer o comissionário do dinheiro levado e este deverá dar três vezes o dinheiro que recebeu.

107º - Se o negociante engana o comissionário pois que este restituiu tudo que o negociante lhe dera, mas, o negociante contesta o que o comissionário lhe restituiu, o comissionário diante de Deus e dos anciãos deverá convencer o negociante e este, por ter negado ao comissionário o que recebeu, deverá dar seis vezes tanto.


VI - REGULAMENTO DAS TABERNAS (TABERNEIROS PREPOSTOS, POLÍCIA, PENAS E TARIFAS)

108º - Se uma taberneira não aceita trigo por preço das bebidas a peso, mas toma dinheiro e o preço da bebida é menor do que o do trigo, deverá ser convencida disto e lançada nágua.

109º - Se na casa de uma taberneira se reúnem conjurados e esses conjurados não são detidos e levados à Corte, a taberneira deverá ser morta.

110º - Se uma irmã de Deus, que não habita com as crianças (mulher consagrada que não se pode casar) abre uma taberna ou entra em uma taberna para beber, esta mulher deverá ser queimada.

111º - Se uma taberneira fornece sessenta já de bebida usakami deverá receber ao tempo da colheita cinqüenta ka de trigo.


VII - OBRIGAÇÕES (CONTRATOS DE TRANSPORTE, MÚTUO)

PROCESSO EXECUTIVO E SERVIDÃO POR DÍVIDAS

112º - Se alguém está em viagem e confia a um outro prata, ouro, pedras preciosas ou outros bens móveis e os faz transportar por ele e este não conduz ao lugar do destino tudo que deve transportar, mas se apropria deles, dever-se-á convencer esse homem que ele não entregou o que devia transportar e ele deverá dar ao proprietário da expedição cinco vezes o que recebeu.

113º - Se alguém tem para com um outro um crédito de grãos ou dinheiro e, sem ciência do proprietário, tira grãos do armazém ou do celeiro, ele deverá ser convencido em juízo de ter tirado sem ciência do proprietário grãos do armazém ou do celeiro e deverá restituir os grãos que tiver tirado e tudo que ele de qualquer modo deu, é perdido para ele.

114º - Se alguém não tem que exigir grãos e dinheiro de um outro e fez a execução, deverá pagar-lhe um terço de mina por cada execução.

115º - Se alguém tem para com outro um crédito de grãos ou dinheiro e faz a execução, e o detido na casa de detenção morre de morte natural, não há lugar a pena.

116º - Se o detido na casa de detenção morre de pancadas ou maus tratamentos, o protetor do prisioneiro deverá convencer o seu negociante perante o tribunal; se ele era um nascido livre, se deverá matar o filho do negociante, se era um escravo, deverá pagar o negociante um terço de mina e perder tudo que deu.

117º - Se alguém tem um débito vencido e vende por dinheiro a mulher, o filho e a filha, ou lhe concedem descontar com trabalho o débito, aqueles deverão trabalhar três anos na casa do comprador ou do senhor, no quarto ano este deverá libertá-los.

118º - Se ele concede um escravo ou escrava para trabalhar pelo débito e o negociante os concede por sua vez, os vende por dinheiro, não há lugar para oposição.

119º - Se alguém tem um débito vencido, e vende por dinheiro a sua escrava que lhe tem dado filhos, o senhor da escrava deverá restituir o dinheiro que o negociante pagou e resgatar a sua escrava.


VIII - CONTRATOS DE DEPÓSITO

120º - Se alguém deposita o seu trigo na casa de outro e no monte de trigo se produz um dano ou o proprietário da casa abre o celeiro e subtrai o trigo ou nega, enfim, que na sua casa tenha sido depositado o trigo, o dono do trigo deverá perante Deus reclamar o seu trigo e o proprietário da casa deverá restituir o trigo que tomou, sem diminuição, ao seu dono.

121º - Se alguém deposita o trigo na casa de outro, deverá dar-lhe, como aluguel do armazém, cinco ka de trigo por cada gur de trigo ao ano.

122º - Se alguém dá em depósito a outro prata, ouro ou outros objetos, deverá mostrar a uma testemunha tudo o que dá, fechar o seu contrato e em seguida consignar em depósito.

123º - Se alguém dá em depósito sem testemunhas ou contrato e no lugar em que se fez a consignação se nega, não há ação.

124º - Se alguém entrega a outro em depósito prata, ouro ou outros objetos perante testemunhas e aquele o nega, ele deverá ser convencido em juízo e restituir sem diminuição tudo o que negou.

125º - Se alguém dá em depósito os seus bens e aí por infração ou roubo os seus bens se perdem com os do proprietário da casa, o dono desta, que suporta o peso da negligência, deverá indenizar tudo que lhe foi consignado em depósito e que ele deixou perder. Mas, o dono da casa poderá procurar os seus bens perdidos e retomá-los do ladrão.

126º - Se alguém, que não perdeu seus bens, diz tê-los perdido e sustenta falsamente seu dano, se ele intenta ação pelos seus bens, ainda que não tenham sido perdidos e pelo dano sofrido perante Deus, deverá ser indenizado de tudo que pretende pelo seu dano.


IX - INJÚRIA E DIFAMAÇÃO

127º - Se alguém difama uma mulher consagrada ou a mulher de um homem livre e não pode provar se deverá arrastar esse homem perante o juiz e tosquiar-lhe a fronte.


X - MATRIMÔNIO E FAMÍLIA, DELITOS CONTRA A ORDEM DA FAMÍLIA. CONTRIBUIÇÕES E DOAÇÕES NUPCIAIS

SUCESSÃO

128º - Se alguém toma uma mulher, mas não conclui um contrato com ela, esta mulher não é esposa.

129º - Se a esposa de alguém é encontrada em contato sexual com um outro, se deverá amarrá-los e lança-los nágua, salvo se o marido perdoar à sua mulher e o rei a seu escravo.

130º - Se alguém viola a mulher que ainda não conheceu homem e vive na casa paterna e tem contato com ela e é surpreendido, este homem deverá ser morto, a mulher irá livre.

131º - Se a mulher de um homem livre é acusada pelo próprio marido, mas não surpreendida em contato com outro, ela deverá jurar em nome de Deus e voltar à sua casa.

132º - Se contra a mulher de um homem livre é proferida difamação por causa de um outro homem, mas não é ela encontrada em contato com outro, ela deverá saltar no rio por seu marido.

133º - Se alguém é feito prisioneiro e na sua casa há com que sustentar-se, mas a mulher abandona sua casa e vai a outra casa; porque esta mulher não guardou sua casa e foi a outra, deverá ser judicialmente convencida e lançada nágua.

134º - Se alguém é feito prisioneiro de guerra e na sua casa não há com que sustenta-se e sua mulher vai a outra casa, essa mulher deverá ser absolvida.

135º - Se alguém é feito prisioneiro de guerra e na sua casa não há de que sustenta-se e sua mulher vai a outra casa e tem filhos, se mais tarde o marido volta e entra na pátria, esta mulher deverá voltar ao marido, mas os filhos deverão seguir o pai deles.

136º - Se alguém abandona a pátria e foge e depois a mulher vai a outra casa, se aquele regressa e quer retomar a mulher, porque ele se separou da pátria e fugiu, a mulher do fugitivo não deverá voltar ao marido.

137º - Se alguém se propõe a repudiar uma concubina que lhe deu filhos ou uma mulher que lhe deu filhos, ele deverá restituir àquela mulher o seu donativo e dar-lhe uma quota em usufruto no campo, horto e seus bens, para que ela crie os filhos. Se ela criou os seus filhos, lhe deverá ser dado, sobre todos os bens que seus filhos recebam, uma quota igual a de um dos filhos. Ela pode esposar o homem do seu coração.

138º - Se alguém repudia a mulher que não lhe deu filhos, deverá dar-lhe a importância do presente nupcial e restituir-lhe o donativo que ela trouxe consigo da casa de seu pai e assim mandá-la embora.

139º - Se não houve presente nupcial, ele deverá dar-lhe uma mina, como donativo de repúdio.

140º - Se ele é um liberto, deverá dar-lhe um terço de mina.

141º - Se a mulher de alguém, que habita na casa do marido, se propõe a abandoná-la e se conduz com leviandade, dissipa sua casa, descura do marido e é convencida em juízo, se o marido pronuncia o seu repúdio, ele a mandará embora, nem deverá dar-lhe nada como donativo de repúdio. Se o marido não quer repudiá-la e toma outra mulher, aquela deverá ficar como serva na casa de seu marido.

142º - Se uma mulher discute com o marido e declara: "tu não tens comércio comigo", deverão ser produzidas as provas do seu prejuízo, se ela é inocente e não há defeito de sua parte e o marido se ausenta e a descura muito, essa mulher não está em culpa, ela deverá tomar o seu donativo e voltar à casa de seu pai.

143º - Se ela não é inocente, se ausenta, dissipa sua casa, descura seu marido, dever-se-á lançar essa mulher nágua.

144º - Se alguém toma uma mulher e esta dá ao marido uma serva e tem filhos, mas o marido pensa em tomar uma concubina, não se lhe deverá conceder e ele não deverá tomar uma concubina.

145º - Se alguém toma uma mulher e essa não lhe dá filhos e ele pensa em tomar uma concubina, se ele toma uma concubina e a leva para sua casa, esta concubina não deverá ser igual à esposa.

146º - Se alguém toma uma esposa e essa esposa dá ao marido uma serva por mulher e essa lhe dá filhos, mas, depois, essa serva rivaliza com a sua senhora, porque ela produziu filhos, não deverá sua senhora vendê-la por dinheiro, ela deverá reduzi-la à escravidão e enumerá-la ente as servas.

147º - Se ela não produziu filhos, sua senhora poderá vendê-la por dinheiro.

148º - Se alguém toma uma mulher e esta é colhida pela moléstia, se ele então pensa em tomar uma segunda, não deverá repudiar a mulher que foi presa da moléstia, mas deverá conservá-la na casa que ele construiu e sustentá-la enquanto viver.

149º - Se esta mulher não quer continuar a habitar na casa de seu marido, ele deverá entregar-lhe o donativo que ela trouxe da casa paterna e deixá-la ir se embora.

150º - Se alguém dá à mulher campo, horto, casa e bens e lhe deixa um ato escrito, depois da morte do marido, seus filhos não deverão levantar contestação: a mãe pode legar o que lhe foi deixado a um de seus filhos que ela prefira, nem deverá dar coisa alguma aos irmãos.

151º - Se uma mulher que vive na casa de um homem, empenhou seu marido a não permitir a execução de um credor contra ela, e se fez lavrar um ato; se aquele homem antes de tomar mulher tinha um débito, o credor não se pode dirigir contra a mulher. Mas, se a mulher, antes de entrar na casa do marido, tinha um débito, o credor não pode fazer atos executivos contra o marido.

152º - Se depois que a mulher entra na casa do marido, ambos têm um débito, deverão ambos pagar ao negociante.

153º - Se a mulher de um homem livre tem feito matar seu marido por coisa de um outro, se deverá cravá-la em uma estaca.

154º - Se alguém conhece a própria filha, deverá ser expulso da terra.

155º - Se alguém promete uma menina a seu filho e seu filho tem comércio com ela, mas aquele depois tem contato com ela e é colhido, deverá ser amarrado e lançado na água.

156º - Se alguém promete uma menina a seu filho e seu filho não a conhece, se depois ele tem contato com ela, deverá pagar-lhe uma meia mina e indenizar-lhe tudo que ela trouxe da casa paterna. Ela poderá desposar o homem de seu coração.

157º - Se alguém, na ausência de seu pai, tem contato com sua progenitora, dever-se-á queimá-la ambos.

158º - Se alguém, na ausência de seu pai, é surpreendido com a sua mulher principal, a qual produziu filhos, deverá ser expulso da casa de seu pai.

159º - Se alguém, que mandou levar bens móveis à casa de seu sogro e deu o presente nupcial, volve o olhar para outra mulher e diz ao sogro: "eu não quero mais tomar tua filha", o pai da rapariga poderá reter tudo quanto ele mandou levar.

160º - Se alguém mandou levar bens móveis à casa de seu sogro e pagou o donativo nupcial, se depois o pai da rapariga diz: "eu não quero mais dar-te minha filha", ele deverá restituir sem diminuição tudo que lhe foi entregue.

161º - Se alguém mandou levar bens móveis à casa de seu sogro e pagou o donativo nupcial, se depois o seu amigo o calunia e o sogro diz ao jovem esposo: "tu não desposarás minha filha". ele deverá restituir sem diminuição tudo que lhe foi entregue e o amigo não deverá desposar a sua noiva.

162º - Se alguém toma uma mulher e ela lhe dá filhos, se depois essa mulher morre, seu pai não deverá intentar ação sobre seu donativo; este pertence aos filhos.

163º - Se alguém toma uma mulher e essa não lhe dá filhos, se depois essa mulher morre, e o sogro lhe restitui o presente nupcial que ele pagou à casa do sogro, o marido não deverá levantar ação sobre o donativo daquela mulher, este pertence à casa paterna.

164º - Se o sogro não lhe restitui o presente nupcial, ele deverá deduzir do donativo a importância do presente nupcial e restituir em seguida o donativo à casa paterna dela.

165º - Se alguém doa ao filho predileto campo, horto e casa e lavra sobre isso um ato, se mais tarde o pai morre e os irmãos dividem, eles deverão entregar-lhe a doação do pai e ele poderá tomá-la; fora disso se deverão dividir entre si os bens paternos.

166º - Se alguém procura mulher para os filhos que tem, mas não procura mulher ao filho impúbere e depois o pai morre, se os irmãos dividem, deverão destinar ao seu irmão impúbere, que ainda não teve mulher, além da sua quota o dinheiro para a doação nupcial e procurar-lhe uma mulher.

167º - Se alguém toma uma mulher e esta lhe dá filhos, se esta mulher morre e ele depois dela toma uma segunda mulher e esta dá filhos, se depois o pai morre, os filhos não deverão dividir segundo as mães; eles deverão tomar o donativo de suas mães mas dividir os bens paternos ente si.

168º - Se alguém quer renegar seu filho e declara ao juiz: "eu quero renegar meu filho", o juiz deverá examinar as suas razões e se o filho não tem uma culpa grave pela qual se justifique que lhe seja renegado o estado de filho, o pai não deverá renegá-lo.

169º - Se ele cometeu uma falta grave, pela qual se justifique que lhe seja renegada a qualidade de filho, ele deverá na primeira vez ser perdoado, e, se comete falta grave segunda vez, o pai poderá renegar-lhe o estado de filho.

170º - Se a alguém sua mulher ou sua serva deu filhos e o pai, enquanto vive diz aos filhos que a serva lhe deu: "filhos meus", e os conta entre os filhos de sua esposa; se depois o pai morre, os filhos da serva e da esposa deverão dividir conjuntamente a propriedade paterna. O filho da esposa tem a faculdade de fazer os quinhões e de escolher.

171º - Se, porém, o pai não disse em vida aos filhos que a serva lhe deu: "filhos meus", e o pai morre, então os filhos da serva não deverão dividir com os da esposa, mas se deverá conceder a liberdade à serva e aos filhos, os filhos da esposa não deverão fazer valer nenhuma ação de escravidão contra os da serva; a esposa poderá tomar o seu donativo e a doação que o marido lhe fez e lavrou por escrito em um ato e ficar na habitação de seu marido; enquanto ela vive, deverá gozá-la, mas deverá vendê-la por dinheiro. A sua herança pertence aos seus filhos.

172º - Se o marido não lhe fez uma doação, se deverá entregar-lhe o seu donativo e, da propriedade de seu marido, ela deverá receber uma quota como um filho. Se seus filhos a oprimem para expulsá-la da casa, o juiz deverá examinar a sua posição e se os filhos estão em culpa, a mulher não deverá deixar a casa de seu marido.

172º - Se a mulher quer deixá-la, ela deverá abandonar aos seus filhos a doação que o marido lhe fez, mas tomar o donativo de sua casa paterna. Ela pode desposar em seguida o homem de seu coração.

173º - Se esta mulher lá para onde se transporta, tem filhos do segundo marido e em seguida morre, o seu donativo deverá ser dividido entre os filhos anteriores e sucessivos.

174º - Se ela não pare de segundo marido, deverão receber o seu donativo os filhos do seu primeiro esposo.

175º - Se um escravo da Corte ou o escravo de um liberto desposa a mulher de um homem livre e gera filhos, o senhor do escravo não pode propor ação de escravidão contra os filhos da mulher livre.

176º - Mas, se um escravo da Corte ou o escravo de um liberto desposa a filha de um homem livre e depois de tê-la desposado, esta, com um donativo da casa paterna, se transporta para a casa dele, se ele tem posto sua casa, adquirido bens e em seguida aquele escravo morre, a mulher nascida livre poderá tomar o seu donativo e tudo que o marido e ela, desde a data do casamento, adquiriram deverá ser dividido em duas partes: uma metade deverá tomá-la o senhor do escravo, a outra metade a mulher livre para os seus filhos. Se a mulher livre não tinha um donativo, deverá dividir tudo que o marido e ela desde a data do casamento adquiriram em duas partes: metade deverá tomá-la e senhor do escravo, a outra a mulher livre para os seus filhos.

177º - Se uma viúva, cujos filhos são ainda crianças, quer entrar em uma outra casa, ela deverá entrar sem ciência do juiz. Se ela entra em uma outra casa, o juiz deverá verificar a herança da casa do seu precedente marido. Depois se deverá confiar a casa do seu precedente marido ao segundo marido e à mulher mesma, em administração, e fazer lavrar um ato sobre isto. Eles deverão ter a casa em ordem e criar os filhos e não vender os utensílios domésticos. O comprador que compra os utensílios domésticos dos filhos da viúva perde seu dinheiro e os bens voltam de novo ao seu proprietário.

178º - Se uma mulher consagrada ou uma meretriz, às quais seu pai fez um donativo e lavrou um ato sobre isso, mas no ato não ajuntou que elas poderiam legar o patrimônio a quem quisessem e não lhe deixou livre disposição, se depois o pai morre, os seus irmãos deverão receber o seu campo e horto e na medida da sua quota dar-lhe o trigo, azeite e leite e de modo a contentá-las. Se seus irmãos não lhes dão trigo, azeite e leite na medida de sua quota e a seu contento, dever-se-á confiar o campo e horto a um feitor que lhes agrade e esse feitor deverá mantê-las. O campo, o horto e tudo que deriva de seu pai deverá ser conservado por elas em usufruto enquanto viverem, mas não deverão vender e ceder a nenhum outro. As suas quotas de filhas pertencem a seus irmãos.

179º - Se uma mulher consagrada ou uma meretriz, às quais seu pai fez um donativo e lavrou um ato e acrescentou que elas poderiam alienar a quem lhes aprouvesse o seu patrimônio e lhes deixou livre disposição; se depois o pai morre, então elas podem legar sua sucessão a quem lhe aprouver. Os seus irmãos não podem levantar nenhuma ação.

180º - Se um pai não faz um donativo a sua filha núbil ou meretriz e depois morre, ela deverá tomar dos bens paternos uma quota como filha e gozar dela enquanto viver. A sua herança pertence a seus irmãos.

181º - Se um pai consagra a Deus uma serva do templo ou uma virgem e não lhes faz donativo, morto o pai, aquelas receberão da herança paterna um terço de sua quota de filha e fruirão enquanto viverem. A herança pertence aos irmãos.

182º - Se um pai não faz um donativo e não lavra um ato para sua filha, mulher consagrada a Marduk de Babilônia, se depois o pai morre, ela deverá ter designada por seus irmãos sobre a herança de sua casa paterna um terço da sua quota de filha, mas não poderá ter a administração. A mulher de Marduk pode legar sua sucessão a quem quiser.

183º - Se alguém faz um donativo à sua filha nascida de uma concubina e a casa, e lavra um ato, se depois o pai morre, ela não deverá receber parte nenhuma da herança paterna.

184º - Se alguém não faz um donativo a sua filha nascida de uma concubina, e não lhe dá marido, se depois o pai morre, os seus irmãos deverão, segundo a importância do patrimônio paterno, fazer um presente e dar-lhe marido.


XI - ADOÇÃO, OFENSAS AOS PAIS, SUBSTITUIÇÃO DE CRIANÇA

185º - Se alguém dá seu nome a uma criança e a cria como filho, este adotado não poderá mais ser reclamado.

186º - Se alguém adota como filho um menino e depois que o adotou ele se revolta contra seu pai adotivo e sua mãe, este adotado deverá voltar à sua casa paterna.

187º - O filho de um dissoluto a serviço da Corte ou de uma meretriz não pode ser reclamado.

188º - Se o membro de uma corporação operária, (operário) toma para criar um menino e lhe ensina o seu ofício, este não pode mais ser reclamado.

189º - Se ele não lhe ensinou o seu ofício, o adotado pode voltar à sua casa paterna.

190º - Se alguém não considera entre seus filhos aquele que tomou e criou como filho, o adotado pode voltar à sua casa paterna.

191º - Se alguém que tomou e criou um menino como seu filho, põe sua casa e tem filhos e quer renegar o adotado, o filho adotivo não deverá ir-se embora. O pai adotivo lhe deverá dar do próximo patrimônio um terço da sua quota de filho e então ele deverá afasta-se. Do campo, do horto e da casa não deverá dar-lhe nada.

192º - Se o filho de um dissoluto ou de uma meretriz diz a seu pai adotivo ou a sua mãe adotiva: "tu não és meu pai ou minha mãe", dever-se-á cortar-lhe a língua.

193º - Se o filho de um dissoluto ou de uma meretriz aspira voltar à casa paterna, se afasta do pai adotivo e da mãe adotiva e volta à sua casa paterna, se lhe deverão arrancar os olhos.

194º - Se alguém dá seu filho a ama de leite e o filho morre nas mãos dela, mas a ama sem ciência do pai e da mãe aleita um outro menino, se lhe deverá convencê-la de que ela sem ciência do pai e da mãe aleitou um outro menino e cortar-lhe o seio.

195º - Se um filho espanca seu pai se lhe deverão decepar as mãos.


XII - DELITOS E PENAS (LESÕES CORPORAIS, TALIÃO, INDENIZAÇÃO E COMPOSIÇÃO)

196º - Se alguém arranca o olho a um outro, se lhe deverá arrancar o olho.

197º - Se ele quebra o osso a um outro, se lhe deverá quebrar o osso.

198º - Se ele arranca o olho de um liberto, deverá pagar uma mina.

199º - Se ele arranca um olho de um escravo alheio, ou quebra um osso ao escravo alheio, deverá pagar a metade de seu preço.

200º - Se alguém parte os dentes de um outro, de igual condição, deverá ter partidos os seus dentes.

201º - Se ele partiu os dentes de um liberto deverá pagar um terço de mina.

202º - Se alguém espanca um outro mais elevado que ele, deverá ser espancado em público sessenta vezes, com o chicote de couro de boi.

203º - Se um nascido livre espanca um nascido livre de igual condição, deverá pagar uma mina.

204º - Se um liberto espanca um liberto, deverá pagar dez siclos.

205º - Se o escravo de um homem livre espanca um homem livre, se lhe deverá cortar a orelha.

206º - Se alguém bate um outro em rixa e lhe faz uma ferida, ele deverá jurar : "eu não o bati de propósito", e pagar o médico.

207º - Se ele morre por suas pancadas, aquele deverá igualmente jurar e, se era um nascido livre, deverá pagar uma meia mina.

208º - Se era um liberto, deverá pagar um terço de mina.

209º - Se alguém bate numa mulher livre e a faz abortar, deverá pagar dez siclos pelo feto.

210º - Se essa mulher morre, se deverá matar o filho dele.

211º - Se a filha de um liberto aborta por pancada de alguém, este deverá pagar cinco siclos.

212º - Se essa mulher morre, ele deverá pagar meia mina.

213º - Se ele espanca a serva de alguém e esta aborta, ele deverá pagar dois siclos.

214º - Se esta serva morre, ele deverá pagar um terço de mina.


XIII - MÉDICOS E VETERINÁRIOS; ARQUITETOS E BATELEIROS

(SALÁRIOS, HONORÁRIOS E RESPONSABILIDADE)

CHOQUE DE EMBARCAÇÕES

215º - Se um médico trata alguém de uma grave ferida com a lanceta de bronze e o cura ou se ele abre a alguém uma incisão com a lanceta de bronze e o olho é salvo, deverá receber dez siclos.

216º - Se é um liberto, ele receberá cinco siclos.

217º - Se é o escravo de alguém, o seu proprietário deverá dar ao médico dois siclos.

218º - Se um médico trata alguém de uma grave ferida com a lanceta de bronze e o mata ou lhe abre uma incisão com a lanceta de bronze e o olho fica perdido, se lhe deverão cortar as mãos.

219º - Se o médico trata o escravo de um liberto de uma ferida grave com a lanceta de bronze e o mata, deverá dar escravo por escravo.

220º - Se ele abriu a sua incisão com a lanceta de bronze o olho fica perdido, deverá pagar metade de seu preço.

221º - Se um médico restabelece o osso quebrado de alguém ou as partes moles doentes, o doente deverá dar ao médico cinco siclos.

222º - Se é um liberto, deverá dar três siclos.

223º - Se é um escravo, o dono deverá dar ao médico dois siclos.

224º - Se o médico dos bois e dos burros trata um boi ou um burro de uma grave ferida e o animal se restabelece, o proprietário deverá dar ao médico, em pagamento, um sexto de siclo.

225º - Se ele trata um boi ou burro de uma grave ferida e o mata, deverá dar um quarto de seu preço ao proprietário.

226º - Se o tosquiador, sem ciência do senhor de um escravo, lhe imprime a marca de escravo inalienável, dever-se-á cortar as mãos desse tosquiador.

227º - Se alguém engana um tosquiador e o faz imprimir a marca de um escravo inalienável, se deverá matá-lo e sepultá-lo em sua casa. O tosquiador deverá jurar : "eu não o assinalei de propósito", e irá livre.

228º - Se um arquiteto constrói uma casa para alguém e a leva a execução, deverá receber em paga dois siclos, por cada sar de superfície edificada.

229º - Se um arquiteto constrói para alguém e não o faz solidamente e a casa que ele construiu cai e fere de morte o proprietário, esse arquiteto deverá ser morto.

230º - Se fere de morte o filho do proprietário, deverá ser morto o filho do arquiteto.

231º - Se mata um escravo do proprietário ele deverá dar ao proprietário da casa escravo por escravo.

232º - Se destrói bens, deverá indenizar tudo que destruiu e porque não executou solidamente a casa por ele construída, assim que essa é abatida, ele deverá refazer à sua custa a casa abatida.

233º - Se um arquiteto constrói para alguém uma casa e não a leva ao fim, se as paredes são viciosas, o arquiteto deverá à sua custa consolidar as paredes.

234º - Se um bateleiro constrói para alguém um barco de sessenta gur, se lhe deverá dar em paga dois siclos.

235º - Se um bateleiro constrói para alguém um barco e não o faz solidamente, se no mesmo ano o barco é expedido e sofre avaria, o bateleiro deverá desfazer o barco e refazê-lo solidamente à sua custa; o barco sólido ele deverá dá-lo ao proprietário.

236º - Se alguém freta o seu barco a um bateleiro e este e negligente, mete a pique ou faz que se perca o barco, o bateleiro deverá ao proprietário barco por barco.

237º - Se alguém freta um bateleiro e o barco e o prevê de trigo, lã, azeite, tâmaras e qualquer outra coisa que forma a sua carga, se o tabeleiro é negligente, mete a pique o barco e faz que se perca o carregamento, deverá indenizar o barco que fez ir a pique e tudo de que ele causou a perda.

238º - Se um bateleiro mete a pique o barco de alguém mas o salva, deverá pagar a metade do seu preço.

239º - Se alguém freta um bateleiro, deverá dar-lhe seis gur de trigo por ano.

240º - Se um barco a remos investe contra um barco de vela e o põe a pique, o patrão do barco que foi posto a pique deverá pedir justiça diante de Deus, o patrão do barco a remos, que meteu a fundo o barco a vela, deverá indenizar o seu barco e tudo quanto se perdeu.


XIV - SEQUESTRO, LOCAÇÕES DE ANIMAIS, LAVRADORES DE CAMPO, PASTORES, OPERÁRIOS. DANOS, FURTOS DE ARNEZES, DÁGUA, DE ESCRAVOS (AÇÃO REDIBITÓRIA, RESPONSABILIDADE POR EVICÇÃO, DISCIPLINA)

241º - Se alguém seqüestra e faz trabalhar um boi, deverá pagar um terço de mina.

242º - Se alguém aluga por um ano um boi para lavrar, deverá dar como paga, quatro gur de trigo.

243º - Como paga do boi de carga três gur de trigo ao proprietário.

244º - Se alguém aluga um boi e um burro e no campo um leão os mata, isto prejudica o seu proprietário.

245º - Se alguém aluga um boi e o faz morrer por maus tratamentos ou pancadas, deverá indenizar ao proprietário boi por boi.

246º - Se alguém aluga um boi e lhe quebra uma perna, lhe corta a pele cervical, deverá indenizar ao proprietário boi por boi.

247º - Se alguém aluga um boi e lhe arranca um olho, deverá dar ao proprietário uma metade do seu preço.

248º - Se alguém aluga um boi e lhe parte um chifre, lhe corta a cauda, e lhe danifica o focinho, deverá pagar um quarto de seu preço.

249º - Se alguém aluga um boi e Deus o fere e ele morre, o locatário deverá jurar em nome de Deus e ir livre.

250º - Se um boi, indo pela estrada, investe contra alguém e o mata, não há motivo para indenização.

251º - Se o boi de alguém dá chifradas e se tem denunciado seu vício de dar chifradas, e, não obstante, não se tem cortado os chifres e prendido o boi, e o boi investe contra um homem e o mata, seu dono deverá pagar uma meia mina.

252º - Se ele mata um escravo de alguém, dever-se-á pagar um terço de mina.

253º - Se alguém aluga um outro para cuidar do seu campo, lhe fornece a semente, lhe confia os bois, o obriga a cultivar o campo, se esse rouba e tira para si trigo ou plantas, se lhe deverão cortar aos mãos.

254º - Se ele tira para si a semente, não emprega os bois, deverá indenizar a soma do trigo e cultivar.

255º - Se ele deu em locação os bois do homem ou rouba os grãos da semente, não cultiva absolutamente o campo, deverá ser convencido e pagar por cento de gan, sessenta gur de trigo.

256º - Se a sua comunidade não paga por ele, dever-se-á deixá-lo naquele campo, ao pé dos animais.

257º - Se alguém aluga um lavrador de campo lhe deverá dar anualmente oito gur de trigo.

258º - Se alguém aluga um guarda de bois, seis gur de trigo por ano.

259º - Se alguém rouba do campo uma roda d'água, deverá dar ao proprietário cinco siclos.

260º - Se alguém rouba um balde para tirar água ou um arado deverá dar três siclos.

261º - Se alguém aluga um pastor para apascentar bois e ovelhas, lhe deverá dar oito gur de trigo por ano.

262º - Se alguém aluga um boi ou uma ovelha para ...

263º - Se ele é causa da perda de um boi ou de uma ovelha, que lhe foram dados, deverá indenizar o proprietário boi por boi, ovelha por ovelha.

264º - Se um pastor a quem são confiados bois e ovelhas para apascentar, o qual recebeu sua paga, segundo o pacto e fica satisfeito, reduz os bois e as ovelhas, diminui o acréscimo natural, deverá restituir as acessões e o produto segundo o teor de sua convenção.

265º - Se um pastor a quem foram confiados bois e ovelhas para apascentar, tece fraude, falseia o acréscimo natural do rebanho e o vende por dinheiro, deverá ser convencido e indenizar o proprietário dez vezes bois e ovelhas.

266º - Se no rebanho se verifica um golpe de Deus ou um leão os mata, o pastor deverá purgar-se diante de Deus e o acidente do rebanho deverá ser suportado pelo proprietário.

267º - Se o pastor foi negligente e se verifica um dano no rebanho, o pastor deverá indenizar o dano, que ele ocasionou no rebanho em bois ou ovelhas e dar ao proprietário.

268º - Se alguém aluga um boi para debulhar, a paga é vinte ka de trigo.

269º - Se alguém aluga um burro para debulhar, a paga e vinte ka de trigo.

270º - Se alguém aluga um animal jovem para debulhar, a paga é dez ka de trigo.

271º - Se alguém aluga bois, carros, e guardas, deverá dar cento e oitenta ka de trigo por dia.

272º - Se alguém aluga um carro apenas, deverá dar quarenta ka de trigo por dia.

273º - Se alguém aluga um lavrador mercenário, lhe deverá dar do novo ano ao quinto mês seis se por dia; do sexto mês até o fim do ano lhe deverá dar cinco se por dia.

274º - Se alguém aluga um operário, lhe deverá dar cada dia:

cinco se, de paga, pelo ...

cinco se, pelo tijoleiro.

cinco se, pelo alfaiate.

cinco se, pelo canteiro.

cinco se, pelo ...

cinco se, pelo ...

cinco se, pelo ...

quatro se, pelo carpinteiro.

quatro se, pelo cordoeiro.

quatro se, pelo ...

quatro se, pelo pedreiro.

275º - Se alguém aluga um barco a vela deverá dar seis se por dia como paga.

276º - Se ele aluga um barco a remos, dois se e meio por dia.

277º - Se alguém aluga um barco de sessenta gur, deverá dar um sexto de siclo, por dia em paga.

278º - Se alguém compra um escravo ou uma escrava e, antes que decorra um mês, eles são feridos do mal benu, ele deverá restituí-los ao vendedor e o comprador receberá em seguida o dinheiro que pagou.

279º - Se alguém compra um escravo ou uma escrava e outro propõe ação sobre eles, o vendedor é responsável pela ação.

280º - Se alguém em país estrangeiro compra um escravo ou uma escrava, se volta à terra e o proprietário reconhece o seu escravo ou a sua escrava, se o escravo ou escrava, são naturais do país, ele deverá restituí-los sem indenização.

281º - Se são nascidos em outro país, o comprador deverá declarar perante Deus o preço que ele pagou e o proprietário deverá dar ao negociante o dinheiro pago e receber o escravo ou a escrava.

282º - Se um escravo diz ao seu senhor : "tu não és meu senhor", será convencido disso e o senhor lhe cortará a orelha.

EPÍLOGO
"As justas leis que Hamurabi, o sábio rei, estabeleceu e (com as quais) deu base estável ao governo ... Eu sou o governador guardião ... Em meu seio trago o povo das terras de Sumer e Acad; ... em minha sabedoria eu os refreio, para que o forte não oprima o fraco e para que seja feita justiça à viúva e ao órfão ... Que cada homem oprimido compareça diante de mim, como rei que sou da justiça. Deixai-o ler a inscrição do meu monumento. Deixai-o atentar nas minhas ponderadas palavras. E possa o meu monumento iluminá-lo quanto à causa que traz, e possa ele compreender o seu caso. Possa ele folgar o coração (exclamando) "Hamurabi é na verdade como um pai para o seu povo; ... estabeleceu a prosperidade para sempre e deu um governo puro à terra. Quando Anu e Enlil (os deuses de Uruk e Nippur) deram-me a governar as terras de Sumer e Acad, e confiaram a mim este cetro, eu abri o canal. Hammurabi-nukhush-nish (Hamurabi-a-abundância-do-povo) que traz água copiosa para as terras de Sumer e Acad. Suas margens de ambos os lados eu as transformei em campos de cultura; amontoei montes de grãos, provi todas as terras de água que não falha ... O povo disperso se reuniu; dei-lhe pastagens em abundância e o estabeleci em pacíficas moradias".

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Reconciliação Palestina e o Hamas



" Reconciliação Palestina e  o Hamas são apenas mais desculpas em uma longa lista delas para suspender as negociações de   paz  ."

Durante nove meses de negociações, as autoridades israelenses constantemente questionaram a nossa capacidade de fazer a paz.
Os líderes mundiais que visitam Tel Aviv são confrontados com perguntas retóricas como : ...

 "Vamos fazer as pazes com Gaza ou  Cisjordânia?"  ...

Ou frases como  ...

"Mahmoud Abbas não representa todos os Palestinos."

Na semana passada, depois que nós anunciamos nosso acordo de reconciliação nacional, Israel contra disse seu próprio argumento : de repente a paz era impossível devido à unidade Palestina.

Durante o início da década de 1980, a desculpa de Israel foi a recusa da Organização de Libertação da Palestina em reconhecer Israel.

Em 1988, nós reconhecemos Israel em 78% da Palestina histórica, uma concessão profundamente difícil e histórica .
 Vinte e seis anos depois, o número de colonos israelenses dentro dos restantes 22% triplicou.

 Em seguida, a desculpa de Israel foi a falta de reconhecimento árabe. Em 2002, a Liga Árabe apresentou a Iniciativa Árabe de Paz, oferecendo reconhecimento de 57 países árabes e de maioria muçulmana em troca de respeito de Israel por resoluções da ONU.

A resposta de Israel?   : ...  Mais assentamentos. Mais recentemente, o governo israelense veio com mais uma desculpa de que devemos reconhecer Israel como um Estado  judaico, com a certeza de que isso não poderia ser aceito. Ao invés de ter medo de não ser reconhecido, parece Israel tem medo de reconhecimento.

Hoje, Netanyahu e os representantes dele, incluindo Lapid , Ya'alon, Lieberman, Bennett e Ariel, estão criando uma nova desculpa para evitar as decisões necessárias para a paz.

Este governo israelense, que continua suas atividades de assentamento em toda a Palestina, está tentando culpar reconciliação nacional para a sua própria incapacidade de escolher a paz ao invés   do apartheid.

Em primeiro lugar, a reconciliação é um assunto interno Palestino.
Nem um único partido no governo de Netanyahu reconheceu a Palestina.    Pois  não cabe  aos partidos políticos  reconhecerem estados. Os governos fazem.

Em segundo lugar, a reconciliação e as negociações não são mutuamente exclusivas. A reconciliação é um passo obrigatório, a fim de alcançar uma paz justa e duradoura.

O acordo ratifica a legitimidade da OLP para negociar com Israel, honra todos os compromissos Palestinos e obrigações para com o direito internacional e os acordos anteriores e apela à formação de um governo de consenso nacional composta por profissionais independentes.

Este governo não vai negociar com Israel: seu único mandato será preparar para as eleições, prestação de serviços e administração de instituições.

Reconciliação Palestina só pode ser rejeitada por aqueles que pretendem perpetuar o status quo. Isto é precisamente o que o governo de Israel tem vindo a fazer ao longo de nove meses de negociações:

Matando 61 Palestinos, avançando con mais de 13.000 unidades em assentamentos , a realização de quase 4.500 operações militares em terras Palestinas, demolindo 196 casas Palestinas e permitindo  mais de 660  ataques  de colonos terroristas  contra Palestinos.

Sendo coerente com as suas políticas , o governo de Netanyahu se recusou a reconhecer a fronteira de 1967 ou até mesmo colocar um mapa sobre a mesa propondo  as  suas  idéias de  fronteiras definitivas  .

Netanyahu mostrou que ele é incapaz de fazer isso, ao  cercar-se com a maioria dos setores extremistas de Israel, incluindo o movimento dos colonos, do qual ele escolheu seu ministro das Relações Exteriores, ministro da Habitação .

De fato, 28 dos 68 membros do seu governo rejeitar a solução de dois Estados completamente, enquanto outros "aceitá-la com reservas", o que significa algo muito diferente de dois estados, conforme estipulado pelo direito internacional. A alegação de Israel de que as negociações foram interrompidas devido a reconciliação Palestina é completamente falso.

Francamente, é difícil entender como alguém poderia esperar  negociar com esse governo. E ainda temos, de boa fé, oferecendo concessões atrás de concessões em prol da paz. Mais uma vez, temos mantido a nossa parte do acordo. Mais uma vez, o governo israelense não tem. A verdade é simples:

Israel se recusa a negociar com sinceridade, porque, desde que o status quo é tão benéfico para ele, Israel não tem interesse em uma solução.

Sem sinais firmes da comunidade internacional, são incentivadas as políticas  de ocupação e colonização  de Netanyahu .

Com o novo status internacional da Palestina, vamos continuar a moldar o nosso país como uma nação amante da paz que respeite os direitos humanos e do direito internacional, um compromisso que já assumimos durante o anúncio da reconciliação nacional.

Isto inclui o nosso direito de fazer uso de fóruns internacionais, a fim de acabar com as violações israelenses e alcançar o cumprimento de nossos direitos há muito tempo.

Enquanto isso, o governo de Israel deve parar de desperdiçar suas energias em desculpas e começar a perceber que o apartheid não é uma opção sustentável.

Rejeição da unidade nacional Palestina por Israel tem pouco a ver com o Hamas e muito a ver com a sua própria falta de vontade de fazer o que é necessário para uma paz justa e duradoura.


Israel tenta ancorar seu status como  lar nacional do povo judeu em lei,  Netanyahu, disse  em discurso em Tel Aviv, uma transcrição  foi fornecida pelo seu escritório, na quinta-feira  : ... 

"Uma das minhas principais missões como primeiro-ministro de Israel é  reforçar o status do  Estado de Israel como o Estado nacional do nosso povo ( Estado  judaico)", ...

"Para isso, é minha intenção de apresentar uma lei básica para o Knesset ( parlamento), que ira fornecer uma âncora  para o status de Israel como o Estado nacional do povo judeu  ( Estado  judaico) ".

Netanyahu fez do reconhecimento de Israel como um Estado judaico,  uma demanda chave nas conversações de paz com a OLP.

A OLP reconheceu o direito de Israel de existir em 1988 e dizem que aceitar Israel como um Estado judaico seria o mesmo que aceitar a Nakba, ou a "catástrofe", de 1948, em que cerca de 760 mil Palestinos foram deslocados à força pelas milícias sionista.

A presidente da coalizão de Netanyahu Yariv Levin felicitou Netanyahu por sua "decisão histórica, que trará Israel de volta para um curso sionista depois de anos de erosão legal permanente dos princípios fundamentais, sobre os quais o Estado foi fundado".

" As tentativas anteriores falharam, mas     "O primeiro-ministro tem instruindo-me para avançar com um projeto de lei básica , sem demora, como uma continuação do projeto de lei original que eu havia  iniciado ", disse Levin, um membro do linha-dura do partido Likud de Netanyahu.

Em 2011 Avi Dichter, um membro do partido Kadima, tentou passar tal projeto de lei , mas foi derrubado por então   Lider do Kadima, Tzipi Livni. Em 2013, Levin trouxe uma semelhante  versão suavizada de um projeto de lei , que também não avançou.

A  declaração de quinta-feira de Netanyahu foi recebida com forte oposição da ministra   da Justiça Tzipi Livni, que jurou não permitir tal lei.

"Livni vai continuar a defender a democracia, ela se opôs iniciativas anteriores por conta dos valores democráticos e irá fazê-lo novamente   mesmo se a   projeto de lei básica  ser do primeiro-ministro".A porta-voz Mia Bengel escreveu no Twitter.

 Menachem Hofnung, professor de ciências políticas na Universidade Hebraica de Jerusalem, disse que tal proposta provavelmente não teria apoio do maioria no gabinete atual. Ele também disse que tal lei "não era necessária"

 " já   há leis básicas que afirmam que Israel ser  Estado judaico e democrático ". "Então, eu não sei para  que  outra lei,   além de colocar um obstáculo ao processo de paz."

Autoridades Palestinas disseram repetidas vezes que reconhecer o conceito de Israel como um Estado judaico  é desnecessário e ameaça os direitos de quase 1,3 milhão de cidadãos Palestinos de Israel que permaneceram em suas casas durante o deslocamento da maioria da população palestina.
No início deste ano, o Membro da  Comitê Executivo da OLP , Hanan Ashrawi disse que Israel quer "criar uma narrativa que nega a presença Palestina, direitos e continuidade nas terras históricas  Palestinas" .

Um reconhecimento de "estado"   judaico isentaria Israel de suas responsabilidades para com os refugiados Palestinos que foram deslocados à força de suas casas, em 1948, o Nakba, ou a "catástrofe", de 1948, em que cerca de 760 mil Palestinos foram deslocados à força pelas milícias judaicas. .

 O direito dos refugiados Palestinos de retornarem as suas terras históricas  está consagrado na artigo 11 da resolução 194 da UN.

Israel oficialmente nunca   reconheceu o direito de existir um Estado Palestino  .

“Em 1988, nós reconhecemos Israel em 78% da Palestina histórica, uma concessão profundamente difícil e histórica . Vinte e seis anos depois, o número de colonos israelenses dentro dos restantes 22% triplicou.“

O que sobrou do tal “território Palestino” é inviavel para instalar um futuro estado , depois vem todos com ladainha que Àrabes culpados , que todos são radicais e este papo furado todo.

Como foi dito por representação de PFLP em ultima reunião de OLP , ” chega de negociar ” negocio é ir a UN e filiar-se a todos os orgãos convenções etc.

Este  texto  baseado  em  parte em  manifestação  de Dr. Saeb Erekat  que é  membro  do  Comitê Executivo  da OLP  Organização de Libertação da Palestina e Chefe da Equipe de negociações Palestina.
 





عبد ال
 

http://time.com/81277/with-status-quo-on-its-side-israel-happily-rejects-peace/  
http://pflp.ps/english/
http://pflp.ps/english/2014/04/pflp-withdraws-from-central-council-meeting-in-rejection-of-final-statement-on-negotiations/

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Estamos falando do Heartbleed...


Na última semana, o mundo ficou preocupado com uma falha de segurança que pode afetar milhões de servidores (aproximadamente, dois terços dos servidores podem conter essa brecha na segurança) e deixar os dados de uma infinidade de usuários expostos.

Estamos falando do Heartbleed (o nome significa Sangramento no Coração), um bug que existe em diversos sites que operam com o software OpenSSL, projeto que atua com os protocolos de segurança SSL e TLS.


Falando assim, você talvez não fique muito preocupado, mas, se citarmos que grandes páginas como Yahoo!, Facebook, Google, Amazon, Instagram e outras tantas ficaram vulneráveis, você possivelmente ficará com a pulga atrás da orelha e começará a ficar um bocado preocupado.
Com o intuito de alertá-lo e dar uma real dimensão do problema, hoje vamos explicar o que é essa falha, quais sites podem estar com problemas (e quais estão livres do bug), como você pode se proteger e como é possível verificar se o seu website não é vulnerável.

 

Afinal, o que realmente é o Heartbleed?


O bug do OpenSSL não nasceu agora. Ele não é algo proveniente de uma atualização recente. Conforme informação oficial da desenvolvedora do software, essa falha já existe há mais de dois anos, mas ninguém sabia que ela estava lá (nem mesmo os próprios desenvolvedores, afinal, se alguém soubesse, ela já teria sido corrigida muito antes).

Quem acabou descobrindo esse erro de programação foi Neel Mehta, pesquisador da Google que verificou que a brecha poderia garantir acesso a dados privados. Hackers que saibam como explorar a falha podem interceptar o tráfego de dados, fingindo ser o servidor e dificultando que qualquer um saiba que existe algum problema no meio do caminho.


O criminoso que consegue se aproveitar do bug pode puxar até 64 k de informações da memória do servidor. O hacker normalmente não tem como saber o que virá nesses dados, mas de vez em quando é possível coletar alguns dados privados. É importante ressaltar que é possível repetir esse processo inúmeras vezes.
Como funciona o Heartbleed, a maior ameaça atual da internet (Fonte da imagem: Tecmundo/Baixaki)

Parece perigoso, mas você deve estar se questionando como o hacker vai conseguir encontrar dados secretos, sendo que eles normalmente estão criptografados. Bom, o que acontece é que os servidores de autenticação precisam manter os dados de login (usuário e senha) sempre na memória para que a conexão seja mantida.

Assim, muitas vezes os dados dos usuários vêm nesse roubo de memória e o hacker só precisa usar a senha de criptografia para descobrir os dados verdadeiros (já que normalmente tudo é criptografado e impossível de ler normalmente).

 

É realmente fácil explorar esse bug?


Na verdade, é preciso ter muito conhecimento para conseguir explorar esse tipo de falha. Mesmo os hackers mais habilidosos demoram um bocado para conseguir entrar no servidor e roubar algum dado importante.

Até algum tempo atrás, algumas empresas (como a Cloudflare) estavam dizendo que era tão difícil que dava para dizer que era impossível, de modo que a falha não representava uma ameaça real.

Pois bem, não demorou nem 24 horas para que alguns hackers conseguissem adquirir chaves SSL em servidores. Em algumas máquinas que rodavam Apache, foi possível conseguir os dados já na primeira requisição. Isso apenas deixa claro que o bug é fácil de ser explorado e pode ser utilizado em quase todos os servidores que ainda não aplicaram as correções.


De acordo com a Bloomberg, a NSA já sabia dessa falha e vem explorando isso há muito tempo. A Agência, obviamente, negou qualquer envolvimento e conhecimento da questão. Diante de tantos problemas passados, não dá para confiar muito nas declarações da NSA.

 


A Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) está ciente da falha conhecida como “Heartbleed” há pelo menos dois anos, afirmam fontes não oficiais ao site Bloomberg. De acordo com “duas pessoas familiarizadas com o assunto”, a NSA, apesar de supostamente conhecer a vulnerabilidade que afetou 66% de toda a internet há algum tempo, não alertou entidade alguma ou sequer tomou providências para resolver o problema.

Em resposta ao portal responsável por veicular estas informações, a NSA é firme em declarar que tomou conhecimento sobre Heartbleed somente neste ano. “Relatórios que dizem que a NSA ou qualquer outra parte do governo estavam cientes da assim chamada ‘vulnerabilidade Heartbleed’ antes de abril de 2014 estão errados”, pode-se ler na página do escritório do diretor de Inteligência Nacional dos EUA. Ainda segundo o documento oficial, quando falhas assim são encontradas, a agência tem por dever revelá-las ao público.

Naturalmente, uma onda de ceticismo acabou por se instalar sobre todo o assunto. A NSA e o Serviço Secreto norte-americanos têm sido acusados de espionagem de dados em escala global. “Se você combinar dois órgãos em apenas uma agência, qual missão irá vencer?”, pergunta em tom provocador John Pescatore, diretor de segurança do Instituto SANS que trabalhou também durante anos junto à NSA e ao Serviço Secreto dos EUA. “Invariavelmente, quando isso acontece, a missão ofensiva é que sai vencedora”, diz o especialista.

 

Quais sites estão desprotegidos?

A essa altura do campeonato, a maioria dos grandes sites que tinham algum problema já corrigiram as falhas. Quando a bomba explodiu, e ficamos sabendo do caso, quase todos eles continham a falha no OpenSSL.

Pode incluir na lista grandes nomes como Twitter, Google (e seus respectivos sites), Facebook (e quaisquer sites desenvolvidos pela empresa), Yahoo!, Amazon, Dropbox, SoundCloud, Flickr, Foursquare e outros tantos.

Claro, assim que a correção foi liberada, todos os sites corrigiram o defeito imediatamente, evitando que seus usuários fossem prejudicados. A dúvida que fica é se algum hacker já não havia descoberto a brecha e explorado dados privados anteriormente.

É importante notar que há muitos sites menores que ainda não corrigiram o problema, sendo que você ainda pode estar correndo perigo. Normalmente, as empresas e servidores que efetuaram a atualização do OpenSSL estão enviando emails comunicando seus usuários, mas você mesmo pode verificar se aquele site que só você acessa já está seguro.
Como funciona o Heartbleed, a maior ameaça atual da internet (Fonte da imagem: Reprodução/Heartbleed Test)

Para saber se os seus sites favoritos estão vulneráveis, você pode jogar o endereço no site “Heartbleed Test”, o qual vai verificar se o bug existe ou se já foi corrigido. Basta clicar aqui, colar o endereço e pressionar o botão “Go!”. Em poucos segundos, é possível obter uma resposta.

Como posso me proteger?

Independente de qual site ou serviço você utiliza, é altamente recomendado que você modifique suas senhas para evitar que os hackers usem suas credenciais. Não há como saber se alguém conseguiu se apropriar de seus dados, portanto é bom tomar alguma atitude e evitar que eles sejam usados indevidamente.

O Heartbleed também pode ter afetado os aparelhos com sistema Android. Nesse caso, você pode seguir as instruções de um artigo que divulgamos ontem para conferir se o seu smartphone está vulnerável. É importante salientar que aparelhos com falhas no protocolo SSL só podem ter o erro corrigido ao receber uma atualização do sistema.

Enfim, toda essa história de Heartbleed apenas deixa evidente que a web não é um lugar tão seguro. Essa é apenas uma falha que aconteceu com um tipo de protocolo, mas quem sabe se não existem outros tantos bugs em outros tipos de servidores? Esperamos que esses erros não existam, para o nosso próprio bem.


sábado, 12 de abril de 2014

A arrogância autista dos neodemonizadores da Rússia no ocidente é espantosa.



A arrogância autista dos neodemonizadores da Rússia no ocidente é espantosa.

Será que diplomatas e jornalistas ocidentais falam sério quando acusam o governo russo de estar lançando uma nova Guerra Fria? Será que realmente acreditam em sua própria retórica, quando dizem que Putin tem ambições expansionistas e quer reconstruir o Império Soviético?

Será que Hillary Clinton, ex-secretária de Estado dos EUA falava a sério quando disse que as ações da Rússia na Crimeia seriam semelhantes "ao que Hitler fez antes, nos anos 1930s"? Outros observadores anti-Rússia disseram também que a incorporação da Crimeia na Rússia seria análoga à anexação da Áustria pela Alemanha nazista nos anos 1930s. Será que toda essa gente acredita sinceramente na própria interpretação dos atuais eventos geopolíticos?

É sempre difícil, se não perigoso, especular sobre o processo mental que leva diplomatas poderosos e líderes políticos a dizer certas coisas. É especialmente difícil dar conta do significado da dinâmica que converteu a crise na Ucrânia em perigosa disputa internacional.

Em entrevista recente, um jornalista russo perguntou-me por que a imprensa-empresa ocidental tornara-se tão descuidada no trabalho de checar informações sobre a Ucrânia e, em geral, sobre a Rússia. Senti-me sem argumentos para responder e fui forçado a pedir tempo para pensar melhor.

Depois de analisar as declarações sobre a Ucrânia feitas por diplomatas ocidentais ao longo das duas últimas semanas, cheguei à conclusão, nada confortável, de que os motivos por trás da demonização da Rússia são decorrência de convicções sinceras.[1] Claro que há muita propaganda, distorções propositais e muita fantasia nessa campanha - mas a 'ideia geral' que a campanha manifesta foi tão profundamente internalizada por tantos no ocidente, que, agora, já constitui a realidade deles, uma espécie de para-realidade.

E o fato de que uma nova ninhada de pressupostos cruzados da Guerra Fria tenham-se autoconvencidos da 'verdade' da própria retórica pode ter consequências ainda mais desestabilizadoras do que se a campanha fosse só exemplo cínico de realpolitik à moda antiga. A realpolitik tinha o mérito, pelo menos, de ter raízes plantadas no mundo real; a atual campanha anti-Rússia, ao contrário, é baseada em confusão generalizada e, ainda pior, em autoengano.

Dois pesos e duas medidas

O autoengano do qual padece a atual diplomacia ocidental pode ser mais claramente percebido no modo como aplica dois pesos e duas medidas em suas avaliações dos assuntos globais. O autoengano simplório, quase infantil, do modo como o ocidente se posiciona em relação à Rússia foi-me apresentado, bem visível, em maio passado, numa visita a Budapeste. Depois de várias reuniões sobre o papel dos jovens na sociedade civil, tive oportunidade de conversar com jovens norte-americanos empregados de uma ONG que tem sede nos EUA e que trabalhavam na Rússia.

Durante a conversa, uma jovem ongueira, de Seattle, disse que muito se surpreendera ao descobrir que alguns funcionários do governo russo a tratavam como se ela fosse "agente de uma potência estrangeira". Vários colegas dela também se mostravam muito surpresos ante o fato de eles e a ONG para a qual trabalham serem tratados pelos russos... ora bolas!... como o que eles e elas realmente são: empregados de organizações que promovem os valores norte-americanos em outros países.

Quando me mostrei surpreso ante a reação deles, e perguntei "Mas vocês não sabem que trabalham para uma organização estrangeira e, ainda mais importante, para uma organização que critica muito ativamente o governo do país onde vocês estão trabalhando?", eles e elas simplesmente não entenderam a pergunta. Quando perguntei: "E como o governo dos EUA classificaria uma ONG russa que estivesse promovendo valores da Igreja Grego Ortodoxa nas ruas de NY"?, ninguém me respondeu.

Só quando perguntei qual seria a reação do governo do país deles, se um grupo de ongueiros de ONGs russas tivesse oferecido ajuda financeira e de pessoal para o movimento Occupy ou para o Tea Party, um dos meus interlocutores, afinal, reconheceu que eu talvez tivesse alguma razão.

Essa minha experiência em Budapeste mostrou-me o quanto é profunda a pressuposição autista, autorreferente, de autoperfeição, nas ações, e de retidão, nos próprios motivos, entre esses agentes que promovem valores ocidentais; a tal ponto, que jovens muito inteligentes nem por isso conseguiam ver que, claramente, estavam-se servindo de dois pesos e duas medidas: promover valores norte-americanos na Rússia seria 'certo'; mas promover valores russos nos EUA seria 'errado'. Por que pensam assim? Porque essa diplomacia de dois pesos e duas medidas é construída sobre o implícito de que haveria diferença essencial entre os países, no plano moral.

Esse pressuposto autorizaria os líderes ocidentais a 'dar aulas' aos seus contrapartes estrangeiros sobre comportamentos certos e errados, aceitáveis e não aceitáveis. Diplomacia de dois pesos e duas medidas, que leva um lado a tratar o outro como se o outro lado fosse criança, ou, no limite, como se fosse perfeito imbecil.

Observem, por exemplo, o à vontade com que importantes líderes políticos dos EUA e da União Europeia apareceram em Kiev, há poucas semanas, para manifestar sua solidariedade aos manifestantes golpistas.

Imaginem a reação, nos EUA e na Grã-Bretanha, se Putin ou algum alto governante russo aparecesse, distribuindo sanduíches em praças, no auge do movimento Occupy ou durante os tumultos de rua em Londres, e declarasse o apoio do governo russo aos grupos na rua. O ultraje seria cataclísmico. Mas, graças à diplomacia de dois pesos e duas medidas, com a Rússia tratada como se fosse criança, os líderes norte-americanos não veem problema algum em agir de modo que considerariam inaceitável, em outros.

Num ambiente global, onde o tráfego (tráfico?) cultural cresce sempre mais numa direção que na outra, com pequena variação e praticamente nenhuma oposição ativa, a Rússia é demonizada como sociedade atrasada e moralmente inferior, a ser condenada e, se necessário, a ser castigada, até que se modifique e aceite como seus os valores de seus críticos iluminados. E como ficam as coisas se o povo russo tiver outro padrão moral, diferente do que reina em Washington, Londres ou Hollywood? Pouco importa aos diplomatas que só sabem ver o próprio umbigo, especialistas em moral dupla, que querem-porque-querem que todos vejam o mundo como eles veem.

O ethos dos dois pesos e duas medidas é particularmente danoso no campo político. Formalmente, as elites culturais e políticas que dominam a sociedade ocidental creem nos ideais da democracia representativa. E falam da democracia representativa como pré-requisito para uma sociedade aberta.

Infortunadamente, contudo, a atual coorte de líderes ocidentais adotaram, de fato, uma atitude altamente seletiva e desonesta em relação à democracia. Entendem que eleições são maravilhosas, se eles são eleitos, ou partido ou candidato aprovado por eles. Se um partido não apreciado pelos iluminados diplomatas ocidentais vence eleições, então, para os norte-americanos, o processo democrático teria falhado; e os norte-americanos passam a trabalhar para a 'mudança de regime' mediante golpe; e o golpe se torna(ria) solução legítima.

Assim, em dezembro de 1991, a Frente de Salvação Islamista obteve vasta maioria dos votos - 181 cadeiras, de 231 - no primeiro turno das primeiras eleições legislativas livres na Argélia. O exército da Argélia reagiu com cancelamento das eleições e entregou o poder a uma comissão de cinco membros não eleitos. Ouviu-se um suspiro de alívio no ocidente e - surpresa, surpresa! - nenhuma sanção foi imposta à Argélia em resposta àquele golpe de estado.

Ano passado, foi a vez de o Egito descobrir que, quando são eleitos 'os errados', o ocidente num segundo esquece seu compromisso com o princípio da democracia representativa. Outra vez, o golpe militar no Egito derrubou o islamista Mohamed Morsi; e outra vez não se ouviu qualquer pregação, pelos políticos ocidentais, em defesa das virtudes das instituições democráticas.

E assim chegamos à Ucrânia. O governo livremente eleito do presidente Yanukovich foi derrubado pelo que se conhece convencionalmente como golpe, ilegal; pois para a imprensa-empresa ocidental a coisa não passou de "desenvolvimento democrático". Hoje, temos uma situação na qual a imprensa-empresa ocidental apresenta o novo governo ucraniano como entidade legal e, ao mesmo tempo, diz que o regime legal que realizou um referendo na Crimeia seria regime ilegal. Extraordinários dois pesos e duas medidas!

Claro, os que foram escolhidos pelo povo na Argélia, Egito e Ucrânia ao longo das décadas recentes não eram democratas agradáveis, de ideias arejadas. Nos últimos anos, os governos da Ucrânia, incluído o de Yanukovich, apresentaram poucas qualidades recomendáveis. Yanukovich, como virtualmente toda a elite política ucraniana, é membro de uma oligarquia corrupta e interesseira.

Mas, diferente de Oleksander Turchynov, que foi posto em seu lugar, Yanukovich, pelo menos, é oligarca eleito! Se os governos ocidentais agem como se não houvesse problema algum em derrubar governos eleitos que não os satisfaçam, o que aqueles governos ocidentais fazem e minar a autoridade moral da própria democracia.

Por isso na Ucrânia hoje a maior ameaça à democracia vem do comportamento dos que são cúmplices na desestabilização e no golpe que derrubou regime democraticamente eleito. Os que protestaram em Kiev tinham todo o direito de protestar e desafiar o governo. Mas, se o veredito das urnas pode ser tão facilmente desmoralizado, o maior problema é que a genuína política democrática está sendo desmoralizada. A política de dois pesos e duas medidas de Washington e da União Europeia em Kiev desmoraliza a autoridade da política democrática em toda aquela região.

Diplomatas infantilóides

Qualquer pessoa que acredite no que vê e lê na mídia ocidental encontrará motivos para pensar que a Rússia seria potência expansionista e agressiva, à espera de uma chance para capturar o vizinho estado da Ucrânia. Nada mais falso. A realidade é que, apesar de uma ou outra posição nacionalista do presidente Putin, a Rússia está convertida em potência em status quo defensivo clássico. Desde a ruptura da União Soviética, a Rússia viveu um processo no qual seu poder e influência só diminuíram.

A Rússia lutou para preservar posições no Cáucaso e enfrenta movimento islamista radical muito maior que qualquer das forças que desafiam diretamente as sociedades ocidentais. E em seu front oeste, a Rússia sente-se ameaçada por pressões políticas e culturais que lhe chegam da Europa. Nessas circunstâncias, é compreensível que muitos, na elite russa, sintam que próprio tecido nacional russo esteja sendo esgarçado.

A principal realização do ocidente, especificamente da diplomacia da União Europeia na Ucrânia, foi empurrar a Rússia para posição ainda mais defensiva. A ação da Rússia na Crimeia é, pelo menos em parte, uma reação ao que os russos percebem como interferência estrangeira sistemática na Ucrânia. Mas... o que a União Europeia esperava que acontecesse, quando tentou anexar a Ucrânia à sua esfera de influência?

Como o professor Stephen Cohen observou, esse perigoso conflito foi desencadeado "pelo temerário ultimato, em novembro, feito pela União Europeia, para que um presidente democraticamente eleito em país profundamente dividido, escolhesse entre Europa e Rússia".[2]

O ocidente alega que já vão longe os velhos tempos do século 20, quando potências globais buscavam consolidar e dominar suas esferas de influência. Mas, desde o esfacelamento da União Soviética, o que sempre se viu foram tentativas sistemáticas para aproximar das fronteiras da Rússia, cada vez mais, a esfera de influência ocidental. A linha que dividia Leste e Oeste mudou de lugar: saiu do meio de Berlim, para a fronteira da Rússia.

Nenhum russo, hoje, dará sinais de paranoia se sentir que seu país está sendo cercado e lentamente minado por forças hostis à sua própria existência. Diplomatas ocidentais que não percebam nem isso são, esses sim, os paranoicos que já perderam completamente o contato com a realidade geopolítica.

A União Europeia e os EUA agem como se não tivessem nenhuma responsabilidade pela crise na Ucrânia e pelas tensões nas relações entre o ocidente e a Rússia. É possível que o ocidente se tenha autoenganado a tal ponto sobre os assuntos globais, que já nem consiga ver o quanto o próprio ocidente é cúmplice na atual crise. Esse autoengano delirante implica que as regras normais que regem as relações internacionais já nada regem, substituídas por 'sermões' e pregações do moralismo mais oco, sempre interessado em gerar a reação mais bombástica, na mídia.

Essa corrosão da diplomacia ocidental é hoje um real perigo a ameaçar a estabilidade global. Ela mina também a autoridade moral da democracia. Num certo ponto, a política dos dois pesos e duas medidas em assuntos internacionais desmoralizará a tal ponto os ideais democráticos, que até a integridade das instituições democráticas dos próprios países agressores também ruirão, minadas por dentro. ******



* Reproduzido dia 30/3/2014, em 4thMidia, Pequim, em http://www.4thmedia.org/2014/03/30/the-infantile-diplomacy-behind-demonising-russia/ [NTs].

[1] Impossível não lembrar Film Socialisme (Godard, 2010): "O que nunca muda é que sempre haverá fascistas. O que mudou hoje é que os fascistas são sinceros") [aqui traduzido, NTs]

[2] 11/2/2014, The Nation, http://www.thenation.com/article/178344/distorting-russia# (ing.)

24/3/2014, Frank Furedi, Spiked Online*
http://www.spiked-online.com/newsite/article/the-infantile-diplomacy-behind-demonising-russia/14824#.UzgsoahdUYM

Shrine of Sayeda Zeinab

Syria’s Shrine of Sayeda Zeinab
As Syria convulsed in conflict, the fear that the Sayeda Zeinab shrine could be destroyed alarmed the faithful across the region, particularly Shiites.



SAYEDA ZEINAB, Syria — This cinder-block town near Damascus, once a hub of prayer and commerce open to the world, seems like a tightly guarded military zone.

Inside the revered shrine here, under ceilings sparkling with mirrored tiles, men and women still pray, pressing their faces to the tomb they believe holds the remains of Zeinab, a granddaughter of the Prophet Muhammad. But the streets outside, once impassable with pilgrims and shoppers, are now sparsely trafficked. Gone are the chattering picnickers who packed the shrine’s blue-tiled courtyard, now crisscrossed by armed men in unmarked fatigues.

Some, amid a sense that immediate danger has passed, display a jaunty good mood. In the courtyard recently, a man in digital-print desert camouflage like that of the United States Marines strode up to a visitor and put out his hand.

“I’m from Hezbollah,” he said.

The unofficial introduction — from a member of a reflexively discreet organization — reflected a new openness in Syria about the government’s foreign backers, as fighters with Hezbollah, the Lebanese Shiite paramilitary group and political party, grow more assured that they are helping to beat back insurgents.



As Syria convulsed in conflict, the thought that the shrine could be destroyed alarmed the faithful. Zeinab, who lost her brothers and sons in battle and came to Damascus as a prisoner, has long been honored, particularly by Shiites, as a symbol of sacrifice and steadfastness.

Religious fervor helped galvanize tens of thousands of Shiite fighters to flock from Iraq, Lebanon and across Syria, in theory to defend the shrine, in practice to fight alongside Syrian forces on many fronts. And it drove some Sunni extremists in the insurgency, who regard Shiites as infidels, to declare the shrine a target.

It has survived, but at a price.

It is presided over, in part, by foreign fighters whose role deeply divides Syrians — some effusively grateful, others enraged. And Zeinab’s story of mourning and displacement resonates anew with daily life here. Insurgent mortars have killed civilians nearby, including children. Government bombardments have shattered insurgent-held neighborhoods, followed by bulldozers leveling damaged buildings to eliminate snipers’ nests.

At the shrine, a shell chipped the minaret, and last month another clattered into the courtyard during prayers. That it did not explode is regarded as a miracle; one woman said she had seen it come to rest rolled in a prayer rug.

Hezbollah has long said that protecting the shrine was a major rationale for sending fighters to Syria, a move that upended regional alliances, deepened Lebanon’s political and sectarian divisions and turned crucial battles in the Syrian government’s favor.

Hezbollah and Syrian officials long played down the party’s role, saying the Syrian Army led the fight. But with recent victories, their calculus appears to be shifting. Hezbollah’s leader, Hassan Nasrallah, recently declared that the Syrian government was safe from collapse and that his group’s only mistake was entering the battle “late.”

Some in Syria are newly eager to catalog, as a show of strength, the added muscle from abroad, and not just from Hezbollah.


A Syrian who coordinates between government forces and Hezbollah around the shrine said that Iran’s elite Revolutionary Guards are not simply advising Damascus, but fighting near the northern city of Aleppo. Hezbollah and Iran, he said, have trained more than 100,000 Syrians, in Syria, Lebanon and Tehran, to form the National Defense Forces militias. On Tuesday, Iran delivered 30,000 tons of food supplies to Syria, The Associated Press reported.

“The game is changed,” the coordinator said, asking not to be identified for his safety. He confirmed much of what Western officials assert about the government’s foreign support, calling it a trump card that Damascus saved for the right moment.

“It is no longer a secret,” he added. “It is on the table.”

The government could not have advanced on the Lebanese border and east of Damascus without Hezbollah’s expert fighters, he said. But the bulk of Shiite volunteers, he added, are Iraqi Shiites, lightly trained in Iraq and sent to front lines in Damascus suburbs like Qaboun and Jobar because “we need numbers.”

But now, after new training as the Abu Fadl al-Abbas brigades, the Iraqis are “able to do something, not just coming to be killed,” the coordinator said.

While President Bashar al-Assad and many security leaders belong to the Alawite sect, related to Shiism, they consider themselves secularists allied with Iran and Hezbollah for strategic and political, not religious, reasons. Syrian Shiites are a tiny minority. Yet now, some government fighters embrace Shiite iconography. Shoulder patches show Mr. Assad in Hezbollah’s green and yellow colors, sometimes alongside Mr. Nasrallah.

Before the war, the town of Sayeda Zeinab was mostly Sunni. Residents, some of whom have fled, mingled easily with Iranian Shiite pilgrims, who brought brisk business. Refugees from conflict, first Palestinians and then Iraqis, found a haven here.

But now, an aid worker said, Iraqis have faced sectarian pressure to fight; insurgents recruit Sunnis, and pro-government fighters dragoon Shiites. And one Iraqi Sunni, the worker said, fled after being confronted by the same Shiite Iraqi militiaman whose threats had driven him from Baghdad.

One recent afternoon, a Syrian Shiite fighter was buried in a cemetery beside the shrine. Hezbollah and Syrian flags fluttered from scores of new graves, some adorned with red teddy bears or snapshots of the dead with the gold dome.

Loyalties here can cross sectarian lines. As weeping women leaned on tombstones, two others, Lamia Abdelrahman Shahdeh and Fatima Abbas Mohammed, visited the graves of their sons, a Sunni and a Shiite who they said had died together fighting insurgents.

Mourners welcomed reporters. They thanked Iran and the volunteers from Hezbollah and Iraq, who are buried free of charge. A government militiaman, a friend of the Syrian fighter, said all were united to “defend the land.” He also factored in Shiite theology, citing an end-times prophecy that a great battle in Damascus heralds the coming of the Mahdi, a saviorlike figure. “The Mahdi is coming,” he said, to nods. “There will be lakes of blood.”

The government now controls the long-contested road from Damascus to Sayeda Zeinab and the airport. Near the shrine, life is trickling back. But a once-festive destination is now somber. Many here came from the Shiite villages of Nubol and Zahra, fleeing insurgent attack. Their stories mirror those under government attack: children’s body parts picked from rubble, relatives kidnapped, sons killed fighting.

Umm Osama fled from Nubol, riding a truck to Turkey and flying to Damascus. Still, she fears locals and nearby insurgents who she says will kill her family for being Shiite and pro-government.

“I don’t trust those dogs,” she whispered. “These days you don’t trust anyone.”

In the shade of the shrine, women from Nubol said that their prayers, once wishing for more children, now focus on kidnapped relatives or sons in the army. Before, they said, the courtyard was a place to barbecue, sleep and take pictures.

“Now it’s not allowed,” one said. “Most of the women are crying, but their souls are relieved when they come.”

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Leila Khaled for "The Wall has Ears: Conversations for Palestine."

Leila Khaled: 'For me, Palestine is paradise'



Frank Barat is an activist based in Belgium and is one of the former coordinators of the Russell Tribunal on Palestine. He recently conducted an interview with Leila Khaled for "The Wall has Ears: Conversations for Palestine."

Leila Khaled is a former resistance fighter with the Popular Front for the Liberation of Palestine. Born in Haifa but forced to flee to Lebanon in 1948, she gained worldwide notoriety for her role in the PFLP's strategy of hijacking aircraft carriers in the late 1960's and 1970's.

How are you Leila? What are you doing nowadays in Amman?

I am fine as long as I am a part of the struggle for freedom, for our right of return and for an independent State with Jerusalem as capital. I know it is not going to happen in the near future, but I am fighting nevertheless. Here in Amman, I am the chief of the department of refugees and Right of Return in the Popular Front for the Liberation of Palestine.

You are a Palestinian refugee, one of 6 million. Do you still think that you will return one day? And what do you make of the conditions of the Palestinian refugees in Lebanon, who are denied their most basic rights and yet, are sometimes criticized for trying to improve their lives in Lebanon as this might affect their right of return to Palestine?

The Palestinians were distributed to different countries. Each country has had an impact on the people living there. Those in Lebanon, in the 70s and 80s, until 1982, were the ones that helped the armed struggle, that helped defend the revolution. Israel was attacking and invading all the time and occupying parts of the country as well. After 1982, the main mission of the Palestinians was to achieve their rights, their civil and social rights, which they are deprived o in Lebanon. This will enable them to be involved in the struggle for the right of return. The Palestinians in general take the Right of Return as a concept and as a culture. Any Palestinian will tell you that he fights for his social and civil rights, but this means that he is preparing himself for his return. The two are inseparable.

The question of the refugees, in the negotiations, has, in the last decade, become more and more obsolete, something that is no longer an inalienable right but something that can be negotiated. The same applies to the last round, the "Kerry negotiations." What do you make of this? And what do you think is going to happen after April 29 when the negotiations are supposed to end?

The PFLP and myself personally have been against the negotiations since 1991. The problem is that the two parties are sticking to their guns. The Israelis think that Palestine is the land for the Jews all over the world. The Palestinians are sure that the land belongs to them and that they were forced out in 1947/1948. When this conflict moves from one stage to the next the two sides are considered as even in their power but the fact is that we are not (this is just an illusion). The leadership chose to go for the Oslo Accords, thinking that this was a step forward in achieving the main rights of the Palestinians. Some people believed this, but they discovered, after twenty years, that it was nonsense. It brought catastrophe on us. There are more settlements than ever, twice more than before Oslo, the number of settlers has doubled, more land is being confiscated, and, of course, the Wall has been built. The apartheid wall. Israel is an apartheid state.

These negotiations, now, are meant to help Israel and not the Palestinians. We have already experienced what Israel means by negotiate. Israel never respects its promises, its obligations, and simply continues its project of making Palestinians' lives hell. My party and I are against this last round of negotiations too, of course. Especially now. The Americans are supporting an Israeli project that will only help Israel. There was an agreement, sponsored by the Americans, which said that you had to stop settlements in the West Bank and that 104 prisoners should be released on three different dates. Now, the Israelis have said no, we will not abide by this agreement and we will not release the last batch of prisoners. By the way, those people who are released, are often put back in jail shortly after anyway. This is what the Israelis refer to as the rotating door policy. The politicians say that the prisoners should be released but they are then rearrested. Many of them are already back in jail. It is very clear from this that the Israelis are not ready to make peace with the Palestinians. They are also taking advantage of the fact that the Arabs are occupied with many other issues, and do not support the Palestinians. Nobody is therefore going to condemn Israel when they flout the agreements they sign.

Also, what does Kerry want? What is his plan? Nobody knows. It's all verbal. Nothing is written. The leadership should refuse what Kerry offers. By the way, Kerry did not go back to Ramallah with another offer. Which means that the Palestinian Authority (is going to use its second option and go back to the UN then, today, in the news, the US has again said that it will object to such a move. What does this all mean?

I do think that we need first to consider the nature of the State of Israel. Secondly, we have to understand more about their projects and plans. Thirdly, we know that the Israelis are much more powerful than us in some respects. But we are also powerful. It all depends on our people. We have the will to face the challenges that the Israelis are putting in front of us. There is an English saying that says: "When there is a will, there is a way". We still believe that this is our right and that we have to struggle for it. We have struggled, we are struggling, and we will struggle. From one generation to another. Freedom needs strong people to go and fight for their dreams. That is why I do not think that there will be a settlement now. The Americans always want to prolong the negotiations. This will not help.

If negotiations do not bring peace to the Palestinians, what will? What should the leadership do?

Resist! That's how you achieve your rights as a People. History has shown us that. No People achieved their freedom without a struggle. Where there is occupation, there is resistance. It is not a Palestinian invention. We are actually going to call for a conference to be held under the auspices of the UN, just to implement the resolutions taken by this body on the Palestinian question. Resolution 194 calls on Israel to accept the return of the refugees. Fine, let's put the UN on the spot. Let's have a conference reminding people of this. The problem is that the references to any negotiations that have taken place were drafted by the Americans, which we know are biased towards Israel.

PLO stands for Palestine Liberation Organization. Do you think it has lost its true meaning? Bassam Shaka in 2008 told me that the PLO, before anything, needed to go back to its roots as a liberation movement.

No liberation is achieved without resistance. My party has not changed. It has stuck to its original program. We are calling to escalate the resistance. People talk about popular resistance. It does not only mean demonstrations. Using arms is also popular. We have people who are ready to fight.

What does peaceful and non-violent resistance means for someone like yourself, who chose armed resistance as a mean for liberation?

Resistance takes more than one face. It can be all kinds of resistance. Non-violent and violent. I am OK with those who choose non-violence. We are not going to liberate our country by armed struggle only. Other kinds of resistance are necessary. The political one, diplomatic one, the non violent one. We need to use whatever we have got. For more than 10 years now, people have been demonstrating in Bilin, in Nabi Saleh....protesting the wall and the annexation of the land. How is Israel dealing with it? Violence, tear gas, bombs... Do you think it is acceptable to have an army with a huge arsenal, against people holding banners? I am OK with using all means of resistance. We cannot say that non-violent resistance alone will achieve our rights. We are facing an apartheid State, Zionism as a movement, the Americans, and in general, the West, which supports Israel. When the balance of forces changes, then we can start thinking about negotiating.

It is always easier to advocate for armed resistance when the general public knows who is the oppressor and who is the oppressed. Your actions in 69 and 70 were about that, correct? To put Palestine on the map. Do you think the educational process of showing another face of Palestine, showing that the Palestinians have legitimacy and are in the right, has been done enough since the 70s?

Let's take the example of Vietnam. Or of Algeria and South Africa. People needed time to convince the whole world of the just cause of their struggle. It took time. In the end, the world realized that those who are oppressed have the right to resist the way they want to. Nobody can impose a form of resistance on us. We chose armed struggle. We did not achieve our goals. Then the intifada broke out and the whole world took us seriously. We gained the support of people all over the world. Still, we did not reach our goals because the leadership was not brave enough at that time to escalate the intifada, to take it to another level. Israel was ready to accept to withdraw from the West Bank and the Gaza Strip. But our leadership failed us. The intifada was the choice of the people. If you go back to the beginning of the resistance and holding arms. It was a necessity for the Palestinians after 1967. We depended on the Arab countries to restore our homeland. But they failed us too. Israel occupied more of Palestine. So we decided to take our destiny into our hands. By waging an armed struggle. Nowadays people are waiting but they realize that these negotiations will get us nowhere. Our past experiences with Israel have shown us that they cannot be trusted. They do not respect their words. Threaten us all the time. Abu Mazen is not a partner for peace? Who is? Sharon? Netanyahu? This right-wing government? This is not a government, it is a gang, essentially, which represents the settlers, the fascists, the racists. The lie began last century. That this was the land of the Jews. The bible gave it to them. Is this democratic? The world in 1948 accepted this lie. God promised us the land! As if God was an estate agent. This is a colonial project. This is the main issue of the conflict.

The struggle is about ending Israel's settler colonial project, then, ending apartheid. What will happen, in your opinion, the day after? The day after victory? An Algerian like solution, or a South African one?

We have always offered the more human solution. A place where everybody lives on an equal basis. Jewish, Muslims, I do not care about the religion of the person. I believe in the human being itself. Human beings can sit together and can decide together the future of this land. But I cannot accept that I do not have the right, now, to go back to my city. Like six million Palestinians. We are not allowed to go there. We are offering a human and democratic solution. Nobody can tell me that we cannot decide the fate of our country because we are refugees. What happened to us is a first in history, as far as I know. People being chased away from their homes and another people, coming from very far away, taking their places. The Israelis were citizens of other countries. Israel, thanks to various organizations, before 1948, built an army, Okay, but there was no society. They brought people from outside. Even now, there are huge contradictions in this country and this society. People come from different cultures, some do not even speak Hebrew. We do not want more blood, but are obliged to resist. We have the right to live in our homeland. When the Israelis realize that as long as they do not budge this conflict will be endless, they should accept our solution. Some Israelis have already understood that. That you cannot go on fighting forever. What for?

Can you talk to us about the role of women in the resistance. And do you think your actions, the hijackings in 69 and 70, did more for Palestine, or for women around the world, or both?

The hijackings were a tactic only. We wanted to release our prisoners and were obliged to make a very strong statement. We also had to ring a bell, for the whole world, that we the Palestinians are not only refugees. We are a people that has a political and a human goal. The world gave us tents, used- clothes and food. They built camps for us. But we were more than that. Nowadays there are plans to end the camps, because they are a witness of 1948. Women, are part of our people, they feel the same injustices. So they get involved. Women give life. So they feel the danger even more than men. When they are involved, they are more faithful to the revolution because they defend the lives of their children too. When I gave birth to two children, I became more and more convinced that I had to do my best to defend them and build a better future for them. I felt for women who had lost their children. So I think my actions had an impact on both, to answer your question. The popular front slogan was: "Men and Women together in the struggle for the liberation of our homeland." The PFLP implemented that by giving a place to women in the military. At the same time, women also played a big role in defending the interior front, the families. Thousands of Palestinian women are now responsible for their families. After all the wars, the massacres, the arrests, the killings by Israel, these women protected their families from being dispersed. Also, women are now educated, they work, they travel, go to university and so on. Before the revolution, it was not like that. Now it is. And it is a must. You can see that women are involved in many aspects of the struggle and society. Whether it is inside or outside Palestine.

Lina Makboul who directed the film "Leila Khaled; Hijacker" implies in her last question in the film that your actions did more harm than anything to the Palestinian people. The film stops right after the question. What did you answer?

She told me she did this for cinematic purposes. But I did not like that. The fact that people could not hear my answer. My answer was no, of course! My actions were my contribution to my people, to the struggle. We did not hurt anyone. We declared to the whole world that we are a people, living through an injustice, and that the world had to help us to reach our goal. I sat with Lina for hours and hours you know, telling her the whole story. She told me afterwards that Swedish TV only wanted the question.

Do you sometimes reflect on the past? What was done, what could have been done, what could have been done differently, when you see the current state of affairs? What went wrong?

Recently my party has held its seventh conference and reviewed its positions. We then made a program to widen our relations with the progressive forces around the world, especially on the Arab level. We also decided to strengthen our interior structure. I also learned that I had to review my own positions, my own thinking. Every year, around December, I look back at the past year and then decide to do something for the coming year. This year, I decided to quit smoking, so I did.

Mabruck!

I made this decision and it was easy for me to implement it.

Why has Palestine, in your opinion, become such a symbol for the solidarity movement?

Palestine for me is Paradise. Religions talk about paradise. For me, Palestine is paradise. It deserves our sacrifices.

Interview originally published on "The Wall has Ears: Conversations for Palestine" on April 3, 2014.